Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Uma aventura nos transportes públicos

por Catarina, em 04.05.17

Ultimamente convenci-me de que eu e os carros temos uma relação de amor/azar do caraças porque sempre que têm de ter um chilique, é nas minhas mãozinhas que tal acontece.

Logo eu que sou uma stressadinha do pior para estas coisas já tenho um curso intensivo e o nº da seguradora no telemóvel. Do encostar o carro ao ligar os piscas, do colete ao triângulo, do reboque à oficina, digo-vos estou pró. Até já faço diagnósticos, tendo em conta o quão conheço o bicho, sobre o que possa ter sido a maleita de cada vez que empana.. claro, não acerto sempre, só às vezes...
 
 
O pior é quando a coisa se complica no diagnóstico e o internamento dura dias; é nesses momentos que, quando não peço carro de substituição (há que poupar o plafond anual…) me entrego à aventura dos transportes. E digo aventura porque quem está dentro de Lisboa tem um sem fim de hipóteses para deslocação, mas quem está fora tem um sem fim de…limitações! 
 
Ontem foi a vez de ir testar os autocarros da Rodoviária, e, até nem foi nada má a viagem, nem me vou insurgir com o preço do bilhete a bordo, que é caro em todo o lado, mas que com o que já paguei e pago em parques de estacionamento quando ando de carro, não acho nada de especial. 
 
O que chateia mesmo, são as pessoas. Ontem na paragem levei com uma senhora que fumava como uma chaminé e com o vento a cinza e o cheiro estavam a vir-me parar a cima. Afastei-me, mas a voz esganiçada e o tom que usava a conversar com os colegas eram suficientemente altos para se ouvir duas paragens a cima. Quando entrámos no mesmo autocarro fui quase até ao destino a ouvir o seu tom de voz e as suas ilustres opiniões sobre os afogamentos do fim de semana passado. Chicoteei-me mentalmente por não ter levado os phones comigo mas enfim. Já outra vez apanhei uma cena épica de uma senhora sentada na paragem a cortar as unhas, com um corta-unhas como usava o meu avô, e a fazer as unhas saltar para um metro à sua frente. Medonho. A sério, já andei muito, mas mesmo muito de transportes públicos, mais de metade da vida, e não me lembro de uma cena destas. Das pessoas berrarem sim, dos telefones a fazer de rádio comunitário também…mas a sério, cortar unhas?! E depois perguntem-se porque é que a maioria dos portugueses anda de carro….
Ao final do dia nem pensei duas vezes: voltei para casa de táxi!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Morar em Lisboa

por Catarina, em 03.05.17

Já me me insurgi repetidamente contra o mercado de arrendamento, contra o excesso de turismo, contra o exagero de alojamentos locais, contra os preços exorbitantes da cidade, e contra a exploração que a arruínam.

Mas a verdade, é que Lisboa sempre foi cara, não tanto como hoje mas em proporção aos tempos que se vivem.

Há cerca de cinquenta anos a minha avó desceu da Graça, onde nasceu, cresceu e teve a primeira filha, ao Bairro América em Santa Engrácia. Um casal, uma filha de dez anos e outra a caminho destinados a um T1 de renda sufocante, fora do bairro que amavam e que mais tarde acabariam por comprar.

Mais recentemente, mas ainda há uns trinta anos, os meus pais foram obrigados a atravessar toda a cidade para uma casa em Benfica, a precisar de obras que pagaram do seu bolso, e mais uma vez, com uma renda altíssima. Vivi nessa casa até aos vinte anos e sempre vi a minha mãe fazer investimento e melhoramentos numa casa que nunca seria nossa; Quando finalmente conseguimos partir para a compra de uma casa, saímos de Lisboa, para conseguir uma casa dentro das possibilidades que não estivesse a cair de podre e tivesse o espaço que precisávamos e desejávamos. Nos últimos seis anos tenho vivido nas periferias, e neste momento tenho a sorte de ao menos morar perto do trabalho e de tudo o que preciso!

O estado das coisas não é infelizmente novidade, e embora revoltante temos que admitir que também há culpa "nossa" no cartório. Vejo muita gente jovem, de todos os cantos do país, chegar a Lisboa com o sonho de ser lisboeta, de viver a cidade na sua plenitude e que acabam por se sujeitar a dividir casas com três, quatro, cinco, oito pessoas ou a pagar 650€ por um T0 nas águas furtadas ao Príncipe Real que dividem com o gato. Porque morar em Lisboa "é outra coisa", concordam,  não se queixam, aceitam, anuem, engolem o sapo. Sujeitam-se à máfia dos senhorios, às exigências, às duas e três cauções, aos comprovativos do IRS, ao fiador, à carta de apresentação, e sabe-se lá se ao registo criminal! Depois todos nos queixamos mas compactuamos com a situação e damo-nos por felizes por ao menos poder dizer que moramos ali na Avenida de Roma junto ao Frutalmeidas...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

What about writing?

por Catarina, em 02.05.17

Desde sempre que leio bastante, cultivo a imaginação e gosto de sonhar acordada. Gosto dessa experiência segura de vivências diferentes da minha. Ainda brincava com as bonecas e já imaginava com antecedência as histórias que viviam. Planeava-as com detalhe de cenários, diálogos e sentimentos. Chegava mesmo a escrever pequenos guiões de orientação antes de ir “brincar à coisa” em si.

Inventar histórias e brincadeiras era uma boa parte de mim e sinto que reprimi isso a certa altura, o que me deixa saudade. Gosto de escrever. Descomprometidamente, arranjar as palavras, imaginar as coisas, pôr no papel. Mas quando penso em escrever alguma coisa sinto que me sussurram de algum lado “escreve sobre o que sabes, é a única forma de ter valor, ou ser autêntico". Eu tanto podia brincar aos cowboys como aos egípcios, bastava-me abrir um livro, ver um filme, e mil ideias me surgiam. Quando tinha que escrever composições bastavam uns segundos para que o texto fluísse, e na minha cabeça se formasse o enredo necessário, estrangulado tantas vezes pelos limites de palavras. Como eu detestava essa imposição. Odiava ter de refrear o impulso, repensar, rescrever para ficar dentro do limite, ou não ultrapassar em demasia. 
 
Quando comecei o blogue alimentava em mim a esperança de desenferrujar a escrita, de voltar a escrever de forma fluída, sem ter de parar para escrever o rascunho! Mas dou por mim a jogar à defesa; a recontar, a relatar o dia-a-dia, sem dar asas à imaginação e sem arriscar.
Estes dias ao ler a História de Quem Vai e de Quem Fica, acompanhar a escrita de Lenú, e depois de ter visto o Violetas Púrpura fiquei com aquela sensação de que me falta arriscar, dedicar, tentar. Não é à toa que tenho cadernos e cadernos guardados com coisas escritas. Eu gosto de escrever, e gosto de ler o que escrevi. Não vejo lá nenhuma história que me apeteça partilhar, mas vejo formas de escrever outras.
 
Ontem vi este filme, Violetas Púrpura, e adorei. Adorei tudo, a fotografia, a banda sonora, os actores principais, os cenários. Não havia nada para não gostar. Gostei do encadeamento das histórias e adorei as personagens. Achei o filme rico em todos os sentidos. E marcou-me a frase escrita à máquina “Today I found an old friend.” e imagino tudo quanto pode vir daí, de uma simples frase.
 
 
Deixo o trailer e uma nota: não deixem de ver o filme, e absolutamente não deixem de ouvir a banda sonora!!!
 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Rescaldo de um fim de semana prolongado…

por Catarina, em 02.05.17
Foram quatro dias de descanso e muita frustração. Fomos até ao Algarve sonhando com dias solarengos e afinal levámos com vento, frio e até mesmo alguma chuva.

Não era bem o que tinha em mente para percorrer 300km e ter de me enfiar em casa ou centros comerciais mas enfim. 

Consegui pôr a leitura em dia, que é o que melhor faço quando estou de férias, mas não deixou de ser um suplício olhar toda aquela extensão de areia e mar e reprimir o desejo de banhos de sol e mar.

Para além da leitura consegui organizar a escrita e vou tentar voltar a apanhar o comboio deste blogue!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 3/3



Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D





subscrever feeds