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As escolhas dos 15 anos

por Catarina, em 23.09.16

Não sei bem que voltas dava a coisa no tempo dos nossos pais, mas no meu tempo fazem-nos escolher as opções profissionais aos 15 ou 16 anos, e não faz muito sentido. É tudo demasiado jovem, solto e desprendido para isso, e sei que nos fazem os testes psicotécnicos (e que estes funcionam para uns mas não para todos), e que nos dizem que podemos sempre mudar quando e para onde quisermos, mas isso implica escolher, implica investir tempo e dinheiro e muitas vezes a pressão não deixa voltar atrás depois.

Conheço muitos casos que andaram aos saltos até chegar ao curso certo, e que depois não acabam, porque já passou tanto tempo desde que fizeram o primeiro primeiro ano que depois a vida acontece e acabam por arranjar emprego sem o curso, normalmente fora da área. E conheço casos que escolhem aos 15 uma área que deveriam ter deixado como hobbie e depois quando dão por si estão agarrados a um curso que não sabem bem se querem. 

Ignoram-se umas coisas, dão-se valor a outras e depois sai tudo uma embrulhada. Uma amiga minha, foi para artes tal como eu e seguiu para o curso de design. Acabámos a licenciatura juntas, nos três anos que era suposto, seguimos para mestrado separadas, e em menos de um ano ela não só desistiu como passou a odiar design ao ponto de não querer trabalhar na área. Foi trabalhar numa loja de animais, a sua grande paixão. Acho que perdemos uma fantástica veterinária, por ter achado que gostar de desenhar era mais forte. Não era. Já voltou a trabalhar como designer, num mix com outras funções tipo secretariado.

Outra colega de artes, aos 14 anos queria ser estilista, fomos para artes; aos 18 queria ser pintora ou ilustradora, ficou para trás um ano a fazer a cadeira de história de arte para subir a média e entrar em Belas Artes. Quando acabei o primeiro ano do meu curso ela ia finalmente começar o seu tão desejado curso de pintura. Ao fim de um ano desistiu... percebeu que não gostava assim tanto para fazer daquilo vida. Foi trabalhar, deu mais uns tropeções, até encontrar o curso que a fez feliz: acção social. Pois... nem sequer era perto... ainda não o acabou porque entretanto casou, embora esteja a trabalhar na mesma área, não se perde tudo!

Muitas vezes dizem-nos "sigam a vossa paixão, o que mais gostam de fazer!", mas alguém pensa que aos 15 ou 16 anos o que gostamos de fazer vai ser o mesmo que aos 20, ou aos 30? Muita coisa devia ficar na caixa dos hobbies ou das actividades de tempos livres.... pois quando não fica cria pessoas que andam aos saltos, que não sabem bem o que fazer, e que quando chega o dia de endireitarem a vida os outros todos já foram à frente. E este mundo é competitivo como o raio!! 

Depois há os que sempre gostaram de uma coisa, seja história ou carros, e foram estudar isso mesmo... e trabalham noutra coisa. Esses cujos testes psicotécnicos lhes davam tantas direcções que não souberam por onde escolher, que seguiram a paixão e lhe confirmam o gosto, mas não têm a sorte de conseguir trabalhar no que gostam.

E por fim, palmas para aqueles que sempre souberam o que queriam, tiveram a sorte de acertar à primeira, e com mais ou menos facilidade, chegaram aonde queriam. E porra, transpiram felicidade enquanto trabalham! Devia ser sempre assim.

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