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Eu e o capuchinho vermelho  

por Catarina, em 10.01.18

Todas as crianças têm as suas histórias, de embalar ou não, preferidas. No meu caso, não era nenhuma das mais clássicas, embora fosse viciada num livro lindo das Mil e Uma Noites que a minha mãe me comprou e que ainda hoje tenho! Na hora de ir dormir eu escolhia a Flossie, a história de um monstrinho que está doente e que passa o dia em casa com a ama porque a mãe tem de ir trabalhar; apesar da história ter a família completa era com este triângulo que eu mais me identificava! 

 

Isto para chegar ao facto de que histórias como a branca de neve ou a bela adormecida para mim eram apenas cassetes de vídeo da Disney, e não tinham para mim referente nos livros. Ainda assim acabei por me cruzar com o capuchinho vermelho de uma forma curiosa.

 

No primeiro ano de faculdade, o trabalho final da cadeira de desenho de comunicação era contar uma história a partir de desenhos que tínhamos feito ao longo do ano; podíamos usar todos, só alguns, e em pares, portanto tínhamos o dobro dos desenhos para escolher. Com uma colega minha acabámos por identificar alguns personagens e de repente tínhamos um triângulo que ligámos ao capuchinho vermelho: a menina, a avó e o lobo, que em vez de lobo era uma espécie de Cat Woman! Recriámos a história à nossa maneira: o capuchinho ia a casa da avó receber a mesada e quando lá chegava a avó já tinha sido “comida” pela gata que automaticamente ganhava características das personagens que “comia”. No final saía vitoriosa pois comia também a menina e saía da história no carro desta…. que era um carocha que eu desenhei numa folha A3! Guardei esses desenhos mas nunca mais me lembrei disso até ontem, à primeira aula de storytelling.

 

Storytelling vai ser a minha última cadeira deste curso, e ontem a primeira aula foi muito mais entusiasmante do que poderia esperar! Superou logo as minhas expectativas ao começar com um exercício prático para mudar a perspectiva: reescrever o Capuchinho Vermelho! 

Primeiro pensei que o raio da história me perseguia, mas depois aceitei o desafio e escolhi o ponto de vista do lobo, mudando também o início da cronologia. Escolhi pintar um lobo menos mau, que andando pela floresta com fome em busca de alimento foi atraído pelo cheiro do bolo e do mel que levava a menina. Tentou meter-se com ela, na esperança que com medo esta lhe desse um pouco de bolo, mas a menina bem avisada pela mãe não caiu na conversa. O lobo ficou frustrado mas não desistiu e segui até casa da avó na ideia de pregar um susto à menina e ficar com o bolo. Ao chegar a casa da avó não resistiu aos seus instintos animais e comeu a avó; Desesperado pensou “perdido por cem, perdido por mil” e então esperou a menina disfarçado de avó! Quando a menina chegou tentou enganá-la mas em vão pois esta fugiu e na fuga levou a cesta deixando o lobo ainda mais frustrado, mas demasiado enfartado com a avó para a perseguir! Adormeceu, e quando acordou viu um caçador e percebeu que o conteúdo do seu estômago tinha sido adulterado, fugindo rapidamente antes que fosse o seu fim.

 

Em traços largos foi esta a minha perspectiva, que arrancou uma gargalhada à professora ao pensar que o lobo até só queria comer o bolo!

 

Para começo adorei esta aula e o exercício contribuiu para me lembrar o quanto gosto de escrever, e o quão fácil isso por vezes se torna. 

Só tive pena desta professora embalar tanto nas aulas que dispensou o intervalo numa aula de 3h…o que me fez chegar a casa desesperada de fome! (Bendita sopa!!!)

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2 comentários

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De Catarina a 11.01.2018 às 10:44

LOOOL
É que está mesmo bem apanhada

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