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Memories

por Catarina, em 02.06.17

Antes de mais uma nota..tenho os posts sobre Milão pendurados porque tenho tido a rede muito má e não consigo carregar as fotos, mas prometo resolver isso no fim de semana!

 
Hoje não sei porquê lembrei-me de uma época em particular; Lembrei-me de ter 17 ou 18 anos e ir para a praia com a minha tia e a minha prima nesta altura do ano; Uns anos antes optava por me instalar em casa dos meus avós nesses dias, mas nessa época preferia a liberdade de ir e vir sozinha! Saía de casa cedo, apanhava o metro e encontrava-me com elas no Cais do Sodré; Daí apanhávamos o comboio até ao Estoril e ficávamos estendidas ao Sol no Tamariz. Levávamos sandes, sumos e fruta e assim passávamos o dia. 
 Um dia no regresso encontrei no metro um antigo aluno da minha mãe, que eu sabia morar perto de nós pois já nos tínhamos encontrado várias vezes na rua, e por quem eu tinha um verdadeiro encantamento; Achava-o lindo, perfeito, maravilhoso, Deus no Céu e ele na Terra. Quando o vi passar pensei logo em chamá-lo, correr atrás dele; Olhei-me de soslaio, cabelo húmido e cheio de sal, calções de surf que trouxera da costa da caparica e que tinham um instrumento de plástico no bolso para fazer festinhas à prancha (coisas de “pita” como diria o M se soubesse desta história!), para rematar uma t-shirt toda largueirona sem costas, chinelos e mochila às costas, resumindo uma miúda! Enchi-me de artimanhas e dirigi-me “distraída” à zona onde ele se sentara na estação; Em pouco tempo lá nos tínhamos visto mutuamente e encetámos conversa que durou o metro todo e os 15 minutos a pé que nos separavam da estação até à minha casa, a primeira da fila. Cheguei a casa pendurada numas asinhas completamente embevecida pelo encontro, pela conversa por tudo. Nunca tínhamos passado tanto tempo a conversar só os dois e eu vinha apaixonada.
 
 Desde esse dia o meu Verão passou a tentar girar em torno dele; Trocámos números e começámos a combinar fazer o caminho juntos até ao Cais, ou de regresso vir no mesmo metro. Ele ia com os amigos para São Pedro do Estoril enquanto eu me juntava à minha tia e prima. Íamos descobrindo coisas em comum, gostos, manias, opiniões; claro que discordávamos algumas vezes, mas eu estava demasiado encantada para bater o pé numa conversa. Depois em Agosto fui com a minha mãe para o Algarve e as nossas conversas fizeram um intervalo; Quando regressei, quase a voltar às aulas lembro-me de passar o último dia de praia com ele. Combinámos fazer a despedida e encontrámo-nos às  8 da manhã para aproveitar o dia ao máximo. Dessa vez fomos juntos, eu deixei a família, ele deixou os amigos, e estivemos os dois em São Pedro, almoçámos juntos, voltámos juntos. 
 
Entretanto regressei à secundária para o 12º ano, e ele foi ver se acabava o último ano de faculdade. Algures entretanto fui percebendo que o seu ar jovial, sorriso simpático e fácil escondiam uma idade que eu não lhe atribuía. Estava apaixonadíssima quando percebi que nos separavam dez anos. Durante todo o tempo fomos só amigos, mas fomos muito mais que isso. Continuámos durante todo esse ano lectivo a trocar mensagens, a encontrar-nos para gelados e cafés; Fui um dia com ele à universidade a pretexto de um curso de pintura que queria fazer (éramos ambos de artes) mas era apenas para passarmos mais tempo juntos; Quando começou a trabalhar num restaurante no Chiado eu ia lá todas as tardes livres, nem que fosse para estar cinco minutos com ele, olhar dentro dos seus olhos, beijar-lhe o rosto, abraçá-lo antes do Natal… Recordo que ele costumava terminar as mensagens que me mandava com “Espero-te bem”, uma frase que nunca ouvi a mais ninguém, era apenas dele; Outras vezes chamava-me “querida”, o que eu não gostava muito, mas também me dizia que me adorava ou gostava muito de mim, já nem sei bem. E no entanto, fomos sempre, só amigos, apesar de eu rebentar de tanta paixão por ele! Mas no fundo, eu era ainda só uma miúda, sem conseguir dar um passo em frente, e ele era um homem e por o ser, nunca deu o passo em frente. Pensei muitas vezes no que poderia ter sido esta história. Tentei recuperá-la um ano mais tarde quando fui para a faculdade, mas senti que o tempo tinha passado e recuei.

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