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Nós por aí #2 Barcelona

por Catarina, em 11.01.17

Este "nós por aí #2# devia ser o nº zero na realidade!

 

Ontem comecei uma jornada de pesquisas para as viagens deste ano e apeteceu-me recordar Barcelona! Esta viagem aconteceu o ano passado em Abril, ainda antes de começar o blogue, mas acho que não é tarde para partilhar, até porque o bom de uma viagem não é só a viagem em si. 

 
Para mim começa muito tempo antes com a simples ideia. Penso onde gostaria de ir, e escolho um destino de entre os muitos que gostaria de visitar, e vou acarinhando essa ideia, cozinhando lentamente, lendo algo aqui e ali, eu e o local vamos “namorando”. Faço as primeiras pesquisas, tomo decisões, escolho pontos de interesse, meios de transporte, e então faço as marcações: voos e depois com mais tempo o alojamento.
Nessa altura recordo todas as anteriores pesquisas e começo com tempo a fazer o eu roteiro, que incluí o que visitar por dia, quanto irei gastar, e como irei chegar de um ponto ao outro e ao outro. Começo a ir conhecendo o mapa da cidade de tal forma que quando lá chegar a primeira vez sei que já vou levar algumas ruas na memória. Se for um local com uma língua que não a minha e onde o inglês não seja fluente ainda aprendo umas palavrinhas e frases de turista daquelas que podem dar jeito, no caso apesar de dar uns arranhões ao Castelhano ainda fui aprender algumas coisas de Catalão porque eles são bastante sensíveis a este ponto! Depois com a aproximação da data a excitação atinge níveis cósmicos, e o stress do planeamento também! É nesta altura que já com a viagem, alojamento e roteiro fechados vou tratar de precaver eventuais dissabores e saber onde ficam os hospitais mais próximos, as esquadras da polícia, o consulado e a embaixada, etc. Moradas, emails, telefones, tudo! Para além disso se ainda me sobrar tempo tento levar algumas ideias de locais para comer perto do alojamento porque o primeiro dia é sempre algo confuso e gosto de ter uma carta na manga, da qual já tenha lido alguma coisa!
 
Por isso dá para perceber que o meu namoro com uma viagem é uma relação longa e prazerosa, que não acaba com a mesma, mas que se revive cada vez que a contar e partilhar algo dela.
 
Voltando a Barcelona, tinha planeado uma viagem de 4 dias / 3 noites, sendo que o último não servia de muito já que o voo era pela hora de almoço e portanto a manhã não seria aproveitada. Também não gosto de guardar nada para o dia de regresso porque control freak como sou tenho sempre medo de imprevistos e gosto de ir com tempo e chegar a horas (isto vindo de uma pessoa que tem como experiência uma corrida em Heathrow terminal 5 fora com a alta voz a dizer “última chamada”, ou até mesmo uma gincana no terminal 1 de Lisboa quando o meu pai achou que ainda dava tempo para um café e estava sentado a bebe-lo quando dão última chamada do voo… coisas destas marcam uma pessoa, para a vida!!!)
 
Como viajei com a minha mãe sabia que não podia apertar muito o roteiro porque ela não anda ao meu passo de torpedo em queda livre e ainda por cima, azar dos azares viria fazer a viagem poucas semanas depois de uma operação ao olho e depois de ter tido uma crise de dor ciática. Definitivamente não era o melhor dos cenários, nada que se compare aos belos tempos em que fizemos dez km em Londres a pé num só dia, não… Claro que ao marcar meses antes não sabíamos o que viria a acontecer às vésperas, mas a Tap não é nada amiguinha no que toca a cancelamentos por isso não íamos perder o dinheiro.
 
Escolhi para alojamento um Hotel no bairro de Eixample, numa perpendicular mais sossegada ao Passeig de Gràcia é uma zona super recomendada, agradável, com monumentos, pormenores arquitectónicos, galerias de lojas e lojas de rua à séria com as marcas todas que não podemos pagar! Acima de tudo o que me interessava: era segura para duas mulheres a viajar sozinhas, muito acessível a transportes e com restauração diversa. Estava no centro de tudo e gostei mesmo muito; A arquitectura é incrível e acho que passei mais tempo a olhar para os prédios de boca aberta feita parva do que outra coisa! 
 
No dia da chegada aterrámos ao início da tarde e apanhámos o autocarro para a Plaça de Catalunya que ficava a uns poucos minutos a pé do hotel; É barato, confortável, e leva cerca de 40 minutos. A zona é muito plana por isso foi fácil andar com as malas de rodas em tamanho cabine!
 
Depois do check-in feito fomos explorar o bairro, apesar do dia cinzento fiquei apaixonada. Era uma quinta feira e no dia seguinte celebrava-se o dia de São Jorge (Saint Jordi) por isso as ruas e prédios estavam todos enfeitados com rosas vermelhas de papel. A tradição é que neste dia se ofereça um livro e uma rosa como símbolos de cultura e amor por isso nessa sexta o Passeig de Gràcia estava recheado a bancas de livros e a rua tinha tanta gente que mal se circulava!
 
Nesta rua temos duas das principais obras arquitectónicas de Gaudí: La Pedrera e a Casa Batló. Aqui tive o primeiro choque de realidade, apesar de já saber os preços, quase absurdos para entrar (na casa Batló por exemplo cada adulto paga 22,5€) não contava com filas de espera de horas…e à chuva! Não era uma chuva torrencial mas era miúdinha e ia deixar uma constipação. Namorei com as casas por fora, fotografei muito, entrei nas lojas de cada uma e seguimos pela rua fora a admirar o resto.
 
Foi logo neste dia que descobrimos o QuQu, que viria a ficar o “nosso” restaurante. Somos de poucos riscos, por isso descobrir um local simpático, com comida decente e a preços minimamente razoáveis é meio caminho andado para ficarmos clientes toda a estadia.. (e assim se explica que na primeira vez em Londres tenhamos jantado 4 noites seguidas comida italiana, num restaurante italiano cujo dono era…português!!).
 
 
DIA #1
 
Como sabia que este seria provavelmente o único dia de Sol da nossa viagem resolvi que iríamos aos locais mais longe e onde teríamos de andar mais a pé.
A estação de metro estava a escassos metros e comprámos o bilhete para o dia. Fomos seguindo as instruções que o google maps me tinha dado para chegar ao Park Güell, um dos locais que tinha mais curiosidade de ver. Erro crasso, o caminho foi terrível, depois de sair na estação de metro esperavam-nos umas subidas intensas pela colina acima, quase ao nível parede de escalada, intercalados com escadas rolantes nas zonas melhores. O pior foi mesmo os últimos metros até ao cimo que foram bem duros…mais a mais com a minha mãe a sofrer da perna, enfim. Chegamos ao parque pela entrada norte, burrice porque o que queríamos estava mais abaixo e acabámos por ter de descer. Estava bastante mais calor naquela zona do que pensava, talvez por ser uma zona alta, e acabei a subida de rastos. Depois a primeira desilusão seria que a parte mais interessante, visitável e paga, do parque já estava toda reservada e só havia entradas a partir das 17:00, eram cerca das 10:00 da manhã. Para não perdermos a viagem vimos a casa museu do Gaudí que valeu a pena e demos uma volta no jardim fotografando ao longe a zona onde não podíamos aceder. Acabámos por descer tudo e sair pela parte sul que era muito mais interessante que a parte por onde entrámos! Havia lojas de artesanato, e cafés onde se vendiam gelados e fruta aos pedaços em copinhos, gelada como se queria naquele calor. A caminhada até ao metro ainda foi grande e voltámos por esta hora ao hotel para descansar onde aproveitei para rever os planos da tarde. Depois de um almoço rápido no movimento louco das ruas em pleno São Jorge voltámos ao metro rumo à Sagrada Família. Esta viria a ser a segunda desilusão do dia. A zona não tem distância suficiente para se apreciar as fachadas devidamente e acaba por parecer uma coisa meio grotesca espremida num bairro residencial. Infelizmente também não conseguimos entrar, desta feita a fila da bilheteira estava fechada, com espera para três horas. Demos a volta àquilo que se pode bem chamar de estaleiro, apenas duas fachadas estão 100% completas, uma outra já bastante avançada e a última ainda não é mais do que uma parede. As torres também estão em construção ainda. Do ponto de vista arquitectónico é uma obra megalómana, cheia de detalhes e pormenor, fruto de uma imaginação sem precedentes. Mas assim a seco sinceramente não me encantou. Voltámos a Eixample decididas a não repetir a piada no dia seguinte e fomos comprar bilhetes para o que conseguimos!
 
 

DSCN2953.JPG

Passeig de Gràcia

 

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La Pedrera

 

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Casa Batló 

 

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Vista para o Tibidabo

 

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Park Güell

 

 


 

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