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O maravilhoso mundo das conferências

por Catarina, em 02.11.16

Já aqui disse que sou um bicho curioso, tipo cão a fuçar coisas, gosto de pesquisar, descobrir, aprender, em resumo evoluir. Passo muito tempo a pesquisar artigos (e a ler alguns desses e a tomar notas), cursos, webinars, conferências, palestras, e por aí adiante.

 

Não raras vezes descubro coisas interessantes e gratuitas ou acessíveis, e também, menos raro ainda, coisas absolutamente caras. E não falo de caro 100€, de caro 200€, falo de caro 500€ para cima. Acho mesmo muito caro. O que acaba por acontecer é que conferências e coisas dessas assisto apenas às gratuitas ou realmente baratas, tipo 20€ máximo. Dado o baixo investimento acho que se o conteúdo for fraco não perdi assim tanto, para além de tempo.
 
Mas é um pouco frustrante, procuro os bilhetes de reserva antecipada, procuro os descontos, os bilhetes sem workshops, mas normalmente ainda fica tudo muito acima das possibilidades.
 
 
Há um ano atrás, após a tese, em conjunto com o meu orientador, investimos tempo na criação de um artigo e enviámos para alguns sítios, nomeadamente para a conferência do DMI: ADMI 2016 (Academic Design Management Institute). Contra todas as expectativas, mesmo todas, contra tudo, fomos convidados para apresentar o nosso paper em Boston. Depois do pânico inicial que me assaltou peguei no papel e na caneta para fazer contas…. Como o convite foi feito a pouco mais de um mês, as passagens, de 400 e poucos euros com antecedência, estavam a 800€. O alojamento, mesmo que low cost e com desconto para conferencistas rondava os 100€ por noite, mas teria de ficar duas noites devido às horas do voo VS horas da conferência (esta parte até gostei, afinal eram os States e eu tinha umas horas para passear!!), e depois BAAAMM mais 400 e tal dólares para entrar na conferência! Oi??? Quanto? Mas então eu vou falar também tenho de pagar????? Ops, yes! Isto faz algum sentido? Não seria o mais lógico, no mínimo dos mínimos não nos cobrarem a entrada? A diferença entre o bilhete do conferencista e o do público em geral são cerca de 100 dólares, e sei que como conferencista ia assistir ao resto das palestras… mas caramba! Afinal de contas elucidem-me, se os conferencistas desistirem de pagar, quem faz a conferência? Ninguém? Pois, bem me parecia. Mas parece que vale a pena investir quando se trata de ir falar a uma conferência internacional e depois ter o trabalho publicado num calhau que ninguém nos próximos dez anos vai ler. 
 
 
No final, contas feitas e a brincadeira ficava muito acima das possibilidades e dado que não queria investir na carreira académica, nem seguir doutoramento, acabámos por recusar. Tive pena, pois tive, e não volto a mandar artigos enquanto me lembrar disto. Sinto apenas uma ligeira injustiça por estes eventos ficarem vedados a estudantes e investigadores com menos recursos, já que são os mais interessados, e não tanto para expor o seu trabalho mas como para aprender com o dos outros!

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