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Os Santos e Eu!

por Catarina, em 12.06.17

Sou lisboeta, filha de lisboetas, neta de lisboetas, adoro os santos populares, e não, não vou aos santos.

As melhores memórias que tenho dos santos estão guardadas na minha infância, quando tudo ainda era real, original, genuíno. Nos últimos anos desvirtuou-se tudo, já não vejo isto que se faz agora como os "meus santos". Lembro-me de numa noite de Santo António há muitos anos atrás estar em casa dos meus avós, e o meu avô dizer para a minha avó "Anda daí, vamos mostrar os Santos à miúda!"; E assim fomos, saímos de casa depois de jantar e descemos de Santa Engrácia ao Campo de Santa Clara, seguimos até Alfama, calcorreámos ruas e ruas e chegámos à Graça, onde tomámos o caminho de casa. Lembro-me do fumo e do cheiro a sardinhas, de muita gente na rua, de se venderem manjericos com etiquetas às cores e de músicas populares e marchas a tocar que eu ia trauteando como sabia. Chegámos a casa tenho ideia de já ser perto da meia noite, e as minhas perninhas estavam que nem podiam! Num outro ano, nessa mesma época, por ocasião dos santos estávamos em Setúbal; Fui com a minha mãe e os meus avós (também temos raízes por ali até Palmela!) ao centro e descobrimos um arraial num dos becos que abria para o largo da Valenciana por uma grade e um corredor estreitos; Mais uma vez tocavam marchas, o pátio estava todo enfeitado com balões e até vimos uma fogueira!

Estas são as memórias dos Santos mais genuínas que tenho, a par de uma ida à Avenida e de ver as marchas todas com a minha avó pela televisão quando já toda a família dormia, e por isso hoje em dia é cada vez mais difícil ir aos Santos.

 

Há uns quatro ou cinco anos fizemos a asneira de ir até ao Bairro Alto nesta noite, ainda estivemos num arraial num pátio até engraçado mas a música já não é o que era, só se bebe cerveja e anda tudo bêbado a cair. Ainda nessa noite o caos foi tão grande que tivemos de ir a pé do Cais do Sodré ao Marquês de Pombal pelas 5 da manhã para poder apanhar um táxi até onde tínhamos deixado os carros. Nessa noite foi a morte das minhas sabrinas preferidas!

 

Mais recentemente comecei a "voltar às origens" e tentar ir aos Santos fora da noite de 12 e escolhendo sempre o Arraial da Vila Berta, uma vila na Graça muito perto da casa onde nasceu a minha avó, a minha mãe e onde temos família. Mas também essa festa que era no início quase fechada foi tomada de assalto por todo o mundo e já não é nem de perto nem de longe o que era.

Posto isto, desisti de ir aos Santos; Vou guardar as minhas memórias, dos assadores de sardinhas, dos manjericos, das danças e das marchas populares, do "Lisboa gaiata de chinela no pé, Lisboa travessa, que linda que ela é"... e por aí fora, e vou desistir destes pseudo arraiais com Djs das rádios, com bifanas, pregos e farturas, com litros de cerveja e copos de plástico a forrar a cidade no dia seguinte.

 

 

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