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Quando é que percebemos que...

por Catarina, em 08.09.16

Os nossos amigos desapareceram? Pior, que as nossas amigas desapareceram? 

Está certo, nada é como antes, quando andávamos nas escolas básicas, nas secundárias, ou nas faculdades. Agora temos outros espaços, movemo-nos noutras zonas, obedecemos a outras regras e rotinas. Vamos deixando de falar, ao fim de uns anos quase nos esquecemos dos aniversários, as datas vão parecendo menos importantes... Combinar alguma coisa leva anos de planeamento, e alguém não pode agora, e quando já pode é outro(a) alguém que agora já tem planos. Vamo-nos protelando. Provavelmente já não temos a importância de outrora uns para os outros, umas para as outras. 

Nunca conservei os amigos rapazes, vêm e vão, nesses tempos ou me apaixonava por eles, ou eles por mim, nunca o timing perfeito, nunca a pessoa que queríamos. O velho ditado, "quem eu quero não me quer"... Tudo acabava num afastamento rápido e doloroso, tipo, tirar aquele penso rápido quando vamos às análises. Já sabemos que a dor só demora um segundo a descolar, mas passado o momento ainda dói, cá dentro.

Agora, sempre achei que com as amigas seria diferente. Sempre disse que preferia poucas, mas boas, e tenho, ou tive! Sei lá! Conseguimos ser em determinadas alturas da vida tão ou mais próximas do que a família. Era nas amigas que se confiavam os segredos, as paixões, as mensagens trocadas, os encontros furtivos, as mentiras aos pais, tudo. Eram as amigas que puxavam as orelhas, metiam juízo ou davam conselhos. Na nossa enorme inexperiência, ainda assim eram as amigas que aguentavam o barco e ajudavam a sair da tormenta quando se chegava ao fundo. Raramente confiávamos aos pais essa tarefa...

E agora, quantos anos passaram? 10, 12, meu deus, daqui a pouco já somos aquelas a quem chamávamos "cotas" aos 15 anos... Há as que casam e deixam de conseguir encaixar-nos na agenda, há as atarefadas com o emprego, as que têm turnos, as que têm horários complicados, muito trabalho, pouco trabalho, nenhum trabalho. As que ainda não acabaram os cursos, as que mudaram de curso tanta vez que já nem sabemos o que fazem, as que desistiram por mil motivos e não sabemos bem onde estão.

Quando damos por nós já não sabemos nada de ninguém, já não trocamos mensagens, telefonemas, nada. Não falamos. Vivemos as nossas outras vidas. Provavelmente todas, ou quase foram fazendo outras amigas, substituindo as antigas por modelos diferentes! Nada contra isso. Absolutamente nada, apenas não fiz o mesmo, e não vejo ninguém para me mandar o remo agora se precisar.

Mea culpa, I know. Eating my own poison, yeah, I know. Costumava ser a "independente", a "autónoma", a que conseguia estar sozinha por mais de 20 minutos seguidos, entreter-se, arranjar um programa, ir ver coisas, museus, sítios, mesmo que fosse sozinha. Não me chatiava, não me importava, mas se calhar devia ter doseado melhor. Fica um gostinho amargo do género: em que prateleira do supermercado ficam as amigas? Secção da casa? Das bebidas alcóolicas? (Recordações de uma garrafa de Pisang Ambon) Podemos ir arranjando umas quantas e reconstituir o grupo de que nos desfizémos?

Para fechar o tópico que está a ficar meio depressivo, acabo de me lembrar daquele filme "Mulheres Perfeitas" com a Glenn Close! Tudo dito!

 

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