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Quem conta um conto...

por Catarina, em 05.06.17

Por estes dias, em pleno Museo del Duomo oiço mais uma vez o cliché "olha Maria Madalena, a prostituta!".

Das coisas que mais me irrita nos assuntos religiosos, e acreditem, são muitas, é a denominação de Maria Madalena como a “prostituta” e que, “reza” a Igreja teria sido perdoada por Jesus pelos pecados que cometera e se tornara sua discípula. Quem cresceu no cerne da Igreja é provável que nunca tenha duvidado nem desta, nem de outras histórias. 
 
Mas basta ler um bocadinho sobre o tema ou ver alguns documentários e a dúvida surge. O próprio livro de Dan Brown, ainda que seja um romance e não seja 100% credível ou fiável, é suficiente para levantar a dúvida sobre tudo o que a Igreja conta. A partir do momento em que nos questionamos sobre este tema, podemos começar a observar a história por outro prisma, deixando os dogmas da Igreja e procurando outras fontes e teorias. No meu ponto de vista não há como ter certezas de quase nada. Sabemos que os textos da Bíblia assentam em traduções seculares entre o hebraico, o grego e o latim. Línguas praticamente mortas, traduções de traduções de traduções, erros de sintaxe e interpretações erradas; Lembro-me de ver um documentário inteiro sobre este tema e terem dado diversos exemplos de erros de tradução que ao longo dos anos danificaram irremediavelmente o texto e contam uma história que não é a correcta. Também os supostos milagres de Jesus podem já ter sido desmistificados cientificamente, outro documentário que vi, e portanto neste campo há quase variedade para todos os gostos.
Depois temos a Igreja instituição; Muitos católicos têm dificuldade e separar a igreja e o padre da sua paróquia da Instituição que os rege, mas a verdade é que foram outros tantos séculos de interferência da Igreja Instituição em vários pontos da História, bem como de comportamentos e atitudes questionáveis.
 
De tudo o que li, vi, escutei e aprendi sobre o tema resolvi para mim criar a minha versão. Trocando isto por miúdos: sou católica não praticante, escolhi ser baptizada e fazer a primeira comunhão, não me foi imposto à nascença e foi-me dado a escolher uma vez que estudei durante três anos numa escola católica. Fui obrigada a ter aulas de Educação Moral e Religiosa Católica, embora tenha sido uma escolha minha ir para a catequese. Com o passar do tempo fui esquecendo as “teorias” e guardei para mim um lado bom desse tempo que era a forma como o Padre que me baptizou nos ensinava a ver, sentir e aceitar Deus, quase como uma escolha pessoal de cada um e portanto de uma forma diferente para cada pessoa. Agarrei-me a isso e comecei a acreditar que esse homem, Jesus existiu, como homem e não como divindade; Que teria valores morais e uma capacidade muito grande de oratória e que terá introduzido uma nova filosofia e forma de ver as coisas entre os que o seguiram. Não estou muito disposta a acreditar em milagres, mas sim em alguém especial, com capacidades fora do comum, que mudou a história. Gosto de pensar no homem que poderia ter tido uma mulher e filhos, como alguns teóricos defendem que terá acontecido e que Maria Madalena seria não só a sua mulher como a sua sucessora na doutrina. Não me é nada difícil acreditar numa Igreja Instituição que pegou nesta história, retirou o papel e a relevância da mulher, porque Jesus não poderia ter vindo ao mundo para ser mais um homem normal, e contou o conto que melhor lhe serviu.
 
Com este ponto de vista formado afastei-me da Igreja e só compareço em casamentos, baptizados e funerais! Para “mal dos meus pecados” juntei os trapos com um católico mais ou menos praticante, com quem é muito difícil por vezes partilhar este ponto de vista. Se algum dia der por mim a trocar alianças com ele sei que será na Igreja, sei que tentarei fugir à missa e irei reduzir o papel da “Instituição” ao mínimo, mas sei que para ele há um significado nisso e portanto algum sapo vou ter de engolir. Eu por mim vou vivendo com o “meu Deus” como gosto de pensar, da maneira como escolhi ler a história.

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