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Smartchildren

por Catarina, em 10.05.17

É a nova praga e estamos todos a cair na esparrela!

Pensem no vosso último jantar de amigos, almoço de família, petiscada a ver o jogo, o que quiserem... quantas vezes alguém, ou todos interromperam o convívio para se agarrar ao telemóvel? Estamos todos cada vez mais viciados nos ecrãs e mesmo adultos responsáveis e conscientes acabamos por ser absorvidos para o mundo digital.

Quantas vezes dou por mim a fazer um último "check" às notícias do dia antes de finalmente apagar a luz e dormir? Algumas... Mesmo sabendo que estraga os olhos (e os meus já vivem oito horas por dia em frente a dois ecrãs!), que faz dormir mal, que não acrescenta nada à minha vida e que é tempo inutilmente perdido, ainda assim, volta e meia dou por mim nessa situação. Umas vezes deixo-me estar, noutras dou-me um estalo mental desligo tudo e vou desfrutar dos meus minutos preciosos com a almofada, afinal de contas de manhã vão-me fazer sempre falta mais uns!

Agora, o pior para mim desta situação de evolução da dependência digital é ver os efeitos nas crianças. Ultimamente acabo por ouvir falar muito mais neste tema (é o que dá ter amigas mães) e penso que um dia quando chegar a minha vez (espero que desta água não venha a beber!) de ter um filho para educar vou fazer todos os possíveis para evitar que seja um viciado aos dois anos de idade.

A minha geração cresceu sem tudo isto e foi muito feliz e saudável. Antes de mim outros disseram certamente o mesmo quando por exemplo apareceu a televisão e os primeiros desenhos animados, mas a verdade é que já nasci com a televisão enraizada na sociedade e a primeira vez que olhei para ela foi por a música do “Vitinho” me despertar a atenção, o som, não propriamente a imagem; Já tinha mais de dois anos quando esperava pelo Vitinho, que era a única coisa que via naquela “caixa” e durava apenas uns minutos. Cresci com os brinquedos físicos, os tachos e panelas, a comida de plástico, a pá e a vassoura, as barbies, as barriguitas, os nenucos, etc. E junto com estes vinham os jogos de tabuleiro, a glória, o quem é quem, o trivial, o pictionary, o monopólio e o master mind (entre outros que  não me lembro agora), e ainda os puzzles e os livros! Tive de todos para todas as idades, cresceram comigo e ainda foram crescer com outros porque ao longo dos anos ia dando o que já não usava. Claro que a certa altura já via os desenhos animados ao sábado de manhã, da mesma forma que via o National Geographic (Vida Selvagem na Sic) antes do jornal da uma ou o Walker o Ranger do Texas depois de almoço. 

Hoje em dia choca-me que um pediatra recomende aos pais de uma criança com seis meses uma hora de televisão por dia, ou que a mãe de uma criança de três anos pergunte ao pediatra como lidar com a tecnologia e impor limites. É que quando são adolescentes a pressão dos pares é muito maior e é muito mais fácil fintar os pais, mas crianças tão pequenas não têm propriamente a meu ver hipótese de escolha! Quem são os pais e os filhos? Então vamos exercer os direitos e os deveres e parece-me que um deles deverá ser proteger a criança dos ecrãs. Há muitas outras formas de estimular as crianças sem lhes estragar os olhos e criar uma dependência que rapidamente foge de controlo. De repente já só comem com um ecrã à frente, ou não sabem brincar e conviver com outras crianças sem um comando na mão, ou dormem mal porque ficam a jogar até caírem de sono (até porque cada vez mais vemos crianças a terem o primeiro telemóvel demasiado cedo). Acho que o facto de verem outros usar o smartphone dos pais por exemplo não dá o direito a seres tão pequenos de exigirem o mesmo, mas claro, cabe aos pais a opção de os educar em vez de os subornar. Ouvia um amigo outro dia dizer “Se estiver num restaurante por exemplo e vir que ele vai fazer uma birra daquelas antes quero dar-lhe um telefone para a mão e não ter de passar a cena de choro e gritos em público, assim como descansado”. Eu consigo perceber este argumento, não concordo, e não sei o que faria no seu lugar, mas consigo perceber. Também vejo outro casal amigo a colocar vídeos no smartphone para a filha de oito meses ver, mesmo quando ela não estava a fazer birra, mesmo quando não se justificava…. Podem dizer-me que não sou mãe, que não sei o que é, e até admito que não sei bem como resolver. Mas gosto de olhar para mim e para a forma como a minha mãe me educou e saber que há um caminho alternativo que posso percorrer quando um dia me vir nessa situação; talvez dê mais trabalho aos pais, provavelmente vai cansar mais e ser mais exigente mas prefiro pensar que um dia é essa a escolha que vou fazer. Digo muitas vezes que sou contra aquela velha máxima do “tudo se cria” porque acho que o problema é “como é que se cria”; Quero acreditar que vou ser para um filho o que a minha mãe e o meu pai foram e são para mim, e talvez em alguns pontos mudar um pouco a conduta, mas no essencial criar como fui criada: com paciência, atenção, de forma saudável em todos os aspectos, porque acho que menos que isto não vale a pena; Pôr uma criança no mundo para mim tem de vir com esse compromisso e não com a ideia de que quando me incomodar lhe vou dar algo para a mão e esquecer-me que sou responsável pelo seu crescimento, aprendizagem e evolução.

 

 Imagem daqui

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