Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Dog days

por Catarina, em 15.09.17

Ter um cão em casa altera toda a nossa rotina.

No meu caso, e como tenho horários bem desencontrados do M., passo bastante tempo sozinha, pelo menos as 18h às 23h, e isso fez com que tivesse total liberdade para organizar esse tempo. Até à semana passada tanto podia sair e enfiar-me em casa a cozinhar, como podia ir às compras, como podia ir ao centro comercial que quisesse, como podia ir para a mothership jantar, tudo sem logística, resolvido na hora.

Agora existem quatro patas que me recebem em ânsias mal a chave entra na porta! Toda ela salta, abana, tenta lamber-me as mãos, corre para todo o lado, deita-se, levanta-se, sei lá...só sei que os primeiros minutos em que entro em casa são a loucura total! E eu que antes dela fazia tudo nas calmas agora largo a mala, troco os sapatos (e a roupa às vezes), agarro os ténis e a trela e toca de sair porta fora... pronto também ganhei uma desculpa para ser mais desarrumada...

Nos primeiros dias tentámos passear ali no bairro mas não gostamos muito, nem ela nem eu; Nos últimos dois dias vamos de carro até ao parque Tejo que fica perto e bom caminho e onde temos muito espaço, ar livre, uma vista linda e onde não se houve tanto ruído como no meio da cidade; 

Acabo por ter de concordar que há muitas vantagens em ter um cão em casa; assim de repente estou a fazer aquele esforço para sair sempre a horas, entro em casa e não me estatelo no sofá, faço exercício diário, nem que seja uma caminhada de vinte minutos pelo bairro e quando tenho paciência e mais tempo ainda apanho fins de tarde como este ...

20170913_185612.jpg

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

The dog is in the house

por Catarina, em 13.09.17

Mas não é um cão qualquer! 

 

É a Triny, a cadela mais fofa e bem comportada que conheci na vida; A cadela que me fez perder uma parte do meu medo de cães. Não sei se foi por ser uma meia-leca, se foi por ser pedinchona, ou se foi por ser uma mimada de primeira. Apaixonei-me por ela facilmente, e ela não resistiu aos meus encantos..

 

A Triny foi adoptada pela irmã do M. num canil; Foi para casa deles com poucos meses e viveu sempre lá os últimos 11 anos. Eu só a conheço à 7;

Vive numa casa com terreno onde pode entrar e sair à hora que quer; Nunca está sozinha pois para além dela, a mãe do M. é a residente permanente daquela casa!

A irmã do M. foi trabalhar para fora há alguns anos, e deixou-a com a mãe para terem sempre a companhia uma da outra. Desde então que na ausência dela a Triny me escolheu para a "substituir"; Quando íamos de fim de semana comecei a ser eu a levá-la a passear mais vezes, e também a facilitar-lhe os biscoitos.

Esta semana por questões de saúde a mãe deles ausentou-se, e para simplificar a logística o M. trouxe a Triny para Lisboa. E aqui começa a nossa aventura!

 

O primeiro dia foi dos mais stressantes da vida dela! Para começar não gosta muito de andar de carro, a melhor hipótese é mesmo é levar um carro comercial onde pode ver as vistas por cma da pala na parte de trás do carro; Caso contrário se ela for no chão do carro ou até mesmo no banco vamos ter largos minutos de choradeira.

 

Os nossos horários até não caem mal nesta situação; O M. passa a manhã em casa, e ela só fica sozinha depois do almoço, até às seis e pouco quando chego eu. A vantagem de ser uma cadela já "idosa" e bem comportada é que deixá-la sozinha em casa não é muito complicado. Não chora, não fica a ganir, não arranha nem estraga nada. 

 

Na segunda feira entrei em casa às 19h. Tive de sair mais tarde, e ela estava sozinha há umas seis horas. Ia mentalmente preparada para encontrar uma cadela louca da vida e talvez uma casa estafada nas não; Bem a cadela estava louca da vida sim.... Enquanto puxei as tralhas que levava para dentro de casa escapuliu-se-me por entre as pernas e fugiu escada a baixo. Tive um longo momento de pânico... Ou ia atrás dela assim mesmo ou ia buscar a coleira e a trela primeiro... Enquanto decidia em milésimos de segundo lembrei-me que tinha acabado de entrar e fechado a porta. Estamos no primeiro andar e é um prédio pequeno, não estava ninguém na escada. Voltei a entrar, coloquei as tralhas para dentro, apanhei a trela e a coleira, descalcei os saltos, calcei os ténis e quando cheguei à porta ela tinha voltado, com o rabo entre as pernas, mas aflita.

Claro. Eram muitas horas.

Sai um xixi mesmo ali na entrada do corredor. 

Sai uma esfregona e um balde rapidamente.

E saímos nós, para a rua. Ela desvairada...Imaginem que passam toda a vida numa casinha entre a praia e o campo... que passeiam na areia, nas ervas, nas dunas, etc.. e de repente estão entre passeios e estradas, sem nunca terem ouvido um ruído de um autocarro. Fomos até a um jardim não muito grande, daqueles com meia dúzia de canteiros, uma fonte que deixou de deitar água e um coreto no meio. Engraçou com um canteiro, sai mais um xixi.

 

Voltamos a casa; O M. tinha-a instalado junto à cozinha, o problema é que no ovo a cozinha e a sala "fundem-se", e não podia chegar à bancada que já é pequena com ela o cesto e as tigelas pelo caminho. Em "sua" casa a menina está habituada a ocupar não um, mas dois sofás; Ora está num, ora está noutro, na sua cesta é que não. 

Toca de re-instalar a miúda;

O M. tinha deixado o sofá coberto com um lençol e uma manta de algodão; A Triny larga pelo, mas muito pelo, mais pelo do que podemos imaginar ao olhar para ela; Ao voltar percebi que ela não tinha gostado do lençol, afastou-o e esteve deitada directamente no sofá; é uma cadela com manhas. Voltei a entalar devidamente o lençol e arranjei o espaço dela.

Tapete na parte do corredor / entrada da sala; Tigela da água e da comida, suficientemente perto da cozinha para limpeza e refill, e uma manta fofinha para se deitar; check

Tapete no canto do quarto com a cesta de sua alteza, mais uma manta fofinha; check

Ela optou por se deitar no tapete da sala junto ao sofá enquanto eu tratava do jantar. check

Fez três tentativas de subir ao sofá. O meu olhar e uns quantos "Não" e deixou-se de ideias. Aqui só há um sofá, e tem de dar para todos, alteza.

 

Depois de comer e arrumar tudo sentei-me no sofá, reservei um canto para ela e fiz-lhe sinal para subir. Esticou-se ao meu lado a levar festinhas na barriga e dormiu que se fartou. Quando o M. chegou ainda deu mais um passeio curto antes de dormir. 

 

Essa noite foi interessante.... voltas e voltas e voltas naquela cesta...e nós a ouvir o barulho da verga de castigo.

Esta noite já foi melhor, só nos acordou às 7 e pouco da manhã, e eu que estava a dormir mesmo bem. Desliguei o despertador, convencida de que já não ia dormir...mas dormi. Que nem uma parva até acordar com um pesadelo e atrasada!

 

Saltei da cama, ela sempre de roda de mim; Engoli o pequeno almoço, atamanquei o lanche da manhã. Tomei banho sem ter tempo de lavar o cabelo. Sai uma trança.... para disfarçar. Saí para a rua olhando a ver se tinha tudo em mim ou se me faltava alguma parte... Acho que claramente o cérebro ficou em casa.

 

A logística com ela é todo um mundo novo a que me vou ter de habituar esta semana e provavelmente a próxima também.

 

Conheçam a Triny...ainda vou falar dela...

Digam lá se não ter ar de lady...?!

 

20170819_192741-1.jpg

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os cães dos outros

por Catarina, em 15.07.17

Como este tema tende a ser muito sensível faço já aqui um aviso à navegação: não tenho nada contra os animais em geral (nojinho de baratas e répteis conta?) e sou grande defensora dos seus direitos, o problema para mim começa quando os direitos de uns invadem os direitos dos outros.

 

Lá em casa desde pequena que sempre pedi um cãozinho; Por viver num apartamento com uma mãe que já tinha mais o que fazer o mais perto que tive de um animal de estimação foi mesmo um peixe laranja num aquário com uma plantinha. Tinha muito pouca interacção mas garanto que costumava abrir e fechar a boca na hora de lhe dar comida! Em casa da minha avó, quando nasci e até aos meus primeiros dois anos, existia um cão, o Niki, um labrador creme já muito velhote, e que, alegadamente porque não me recordo disto, eu fazia tudo e mais alguma coisa desde brincar com ele, puxar-lhe a cauda e meter as minhas mãozinhas dentro de sua boca. Contado, ainda não acredito. Lembro-me que o Niki morreu velho e doente, na realidade os meus avós escolheram terminar com o seu sofrimento, e nunca mais tivemos um cão na família. A minha tia ainda teve um gato, ainda houve uma luz naquele túnel familiar sem animais, mas a história do gato foi mais trágica que a do cão, e isso pôs um ponto final no tema, para sempre.

Isto fez-me crescer sem grande contacto com animais, e quis o destino que o prédio onde vivi os meus primeiros vinte anos tivesse cães em tudo o que era andar. Eu tinha medo de quase todos, e tendo em conta que dois deles me tinham feito pequenas perseguições quando tinha uns 7 ou 8 anos, tinha razões para isso. A minha mãe teve discussões com o vizinho dono dos cães para que os trouxesse à rua pela trela, porque claramente eles não podiam ver uma criança aos saltos que lhe tentavam saltar em cima. Naquela época sempre que via um cão comecei a esconder-me e atravessar ruas para longe. Calculava as entradas e saídas do prédio para não ter encontros de 4 patas. Eu sei lá! Perdi as contas às vezes que evitei que os cães dos outros se chegassem a mim, maiores e mais pequenos, na maioria das vezes sem trelas. A minha prima conseguiu a proeza de ser mordida por um caniche que estava ao colo da dona e histórias como esta só serviam para aumentar a minha distância de caninos. Para mais sempre que visitava o meu pai e a minha madrasta ficava automaticamente a dormir sob o mesmo tecto que 2, 3 ou até mesmo 4 canídeos.... era o pânico total apesar dos inúmeros "ele não faz mal", "ele não morde".... etc. Um deles era tão pequenino que conseguia em pé comer do meu prato à mesa se quisesse...

Quando comecei a namorar com o M. descobri que ele tinha um amor por cães que era uma coisa louca. Não desgostei, e até vi ali uma oportunidade para conseguir atenuar o medo que tinha crescido em mim. Por sorte a meia-leca dele é uma rafeira que criaram desde bebé depois de a resgatar do canil, e não sendo a cadela mais sociável deste mundo gostamos muito uma da outra! Foi com ela que aprendi a estar mais à vontade com os cães de forma geral (vão sempre existir aqueles que me fazem mudar de passeio); Ganhei à vontade suficiente para passear sozinha com ela várias vezes, e até para a soltar numa zona da praia sem ninguém. Nestes momentos procuro sempre ter atenção se ela se chega mais às pessoas, ou a crianças, porque consigo pôr-me na pele dos outros, e os ouros não sabem que ela tem as vacinas em dia, que não tem pulgas nem coisas que tal, que só quer cheirar e não morde ninguém. Os outros não conhecem os nossos cães, como nós não conhecemos os dos outros, e não é por saber que o meu cão é o melhor da turma em comportamento que tenho de obrigar as outras pessoas a conviverem com ele em proximidade. 

Quando comecei a conhecer o resto da família do M. percebi que o amor aos cães não se ficava na meia-leca mas o irmão e a cunhada tinham 2 serra da estrela, às quais juntaram 2 labradores....tudo pequenino como se imagina... Ora as mais velhas ainda vá que não vá, mas o labradores são loucos, especialmente o cão, baba-se por tudo quanto é canto, e atira-se para cima das pessoas, seja quem for, como é óbvio o cão não distingue quem é que quer levar com ele em cima, ou quem vai ao chão em menos de um fósforo... O que me irrita nisto é que o comportamento do cão é igual se estiver na sua casa ou na dos outros, e os donos assumem aquela atitude de "é normal ele atirar-se para cima de ti, só quer brincar", e nem sequer tentam impedi-lo. A vontade daquele ser de 4 patas reina onde quer que esteja e isso chateia-me porque eu preferia não ter de levar com ele... lá porque os donos apreciam a baba na roupa e na mobília, e os encontrões daquele pequeno bisonte, podiam entender que os outros não sentem o mesmo. Como quando dizem "ele só quer cheirar", e eu fico com vontade de dizer "e alguém disse ao cão se eu quero ser cheirada"?!! Conclusão, fico sempre vista como a pessoa que não gosta de animais, que não gosta de cães, a menina birrenta e detesto que me façam sentir isto, e que me ponham nesta posição. Não percebem que me estão a impor os seus cães e os seus hábitos e como eu recuso render-me mas fico a sentir-me mal e a tentar dar explicações sobre o meu historial com cães como se tivesse de me justificar. 

No fundo, o que alguns donos não entendem, e deviam ser educados para isto (não só os cães), é que se o espaço deles invade o dos outros acaba a liberdade do outro que não pediu essa intromissão. Se eu tivesse um réptil de estimação será que os outros iriam querer uma iguana a lamber-lhes os dedos dos pés? Ou se eu tivesse uma ratazana de estimação? É só pensarem um bocadinho.

Em Itália percebi que há lojas que permitem cães, e já ouvi dizer que em Portugal pensam fazer o mesmo. Eu pela minha parte digo já que sou contra. Sou contra ter de experimentar roupa num provador onde já esteve um cão antes com o dono, sou contra ver roupa numa loja enquanto um cão passa por mim, sou contra vir a cheirar e encontrar os seus fluídos nestes locais, e não me venham dizer que os bem comportadinhos não fazem fora do penico! Há limites para tudo, e por mais que defenda os direitos dos animais, que defendo, não consigo conceber a ideia de sermos todos exactamente iguais em , porque não somos. Porque há o factor animal racional versus animal irracional, e essa é a linha que nos separa, já nem falando de quando os animais têm outros animais como donos.

Para que escola mandamos os donos dos animais para que estes aprendam como ter um animal em sociedade, e percebam que não se pode simplesmente impor um ser aos outros, seja de que espécie for?

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D





subscrever feeds