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Nós por aí #7 - Alentejo (I)

por Catarina, em 26.10.17

O fim de semana passado foi por terras alentejanas num percurso que vou querer repetir!

Esta foi a viagem/ escapadela que menos planeei nos últimos tempos mas que correu lindamente, sem stress nenhum e que superou as expectativas; A paisagem e o sossego têm tudo a ver com isso.

 

Saímos de Lisboa de manhã direitos a Reguengos de Monsaraz onde chegámos mesmo a tempo do almoço; A variedade de restaurantes não era grande mas tinham-me falado de um no largo, que vim a descobrir ser o "Gato" onde acabei por me atirar a umas migas de espargo com entrecosto. Sim, aqui começou a desgraça. Ele foi no borrego, eu não resisti ao chamamento das migas, e no fim também não pude evitar quando ouvi a palavra 'sericaia'... E se era boa!

Para digerir o almoço, e para dar tempo de ir até ao alojamento demos umas voltas no centro, que diga-se em abono da verdade não tem assim muito para ver, duas voltas e está feito. Tinha lido sobre uma exposição de antigos ofícios que existiria na biblioteca, mas ao chegar lá descobrimos que estava em restauro e portanto exposição zero; ainda assim as senhoras que nos receberam foram simpáticas e convidaram-nos a conhecer o espaço da biblioteca, que tem pinta de ter sido um palácio autêntico! Eu que sou doida por casas antigas restauradas acedi logo e deliciei-me com o trabalho que foi feito!

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Depois deste primeiro tiro ao lado ainda segui mais umas indicações de lojas de artesanato e coisas do género mas rapidamente percebi que tudo estava fechado naquele sábado à tarde, mesmo que o horário na porta dissesse o contrário. Um bocadinho desanimada seguimos viagem até ao alojamento que ficava nos arredores do centro a uns 5 minutos de carro, esperando que as fotos do booking não me tivessem enganado!

Na realidade foi das melhores coisas que já descobri nesta terra! Não posso deixar de partilhar porque é algo que merece ser visto, apreciado, elogiado e visitado: o Outeiro do Barro! É um alojamento local, com algumas "casinhas" que são ou T1 com kitchnet ou quartos com casa-de-banho, tudo em redor de um laranjal com uma pequena piscina no meio e por fora, cercado em paisagem de vinha. A primeira impressão foi fantástica, e não desiludiu em nada. O quarto era amoroso, muito bem decorado e confortável; Aliás todos os espaços por onde passámos tinham um bom gosto na decoração que me dava vontade de trazer tudo para casa. Fomos amavelmente recebidos pela Rita que nos deu um mapa com indicações preciosas de um roteiro a seguir.

Entusiasmados pelas sugestões não perdemos muito tempo a desfazer a mala e em menos de nada tínhamos o pé na estrada novamente, desta vez com São Pedro do Corval na mira. A distância eram apenas uns 5km para chegar à capital ibérica da Olaria e do Barro, logo eu que sou uma doida por loiças e cerâmicas até dei saltos quando descobri....(porque desta vez não tinha planeado nem pesquisado nada.....b-u-r-r-a!)

Começámos por visitar a Casa do Barro onde há uma exposição sobre a origem do barro, os oleiros da região e o seu trabalho, e onde podemos ver fornos originais, alguns ainda em funções! Aí deram-nos um mapa com todas as olarias de São Pedro do Corval e eu que tinha ficado de olho nas peças de um ou outro oleiro não perdi tempo a levar o M. pela mão até encontrar o que queria! As olarias ficam quase todas nas próprias casas dos oleiros e pode ser um pouco estranho entrar por ali a dentro mas não há nada a temer na hospitalidade alentejana! Escolhi a olaria do Sr. Marcelino Paulino porque tinha umas peças diferentes do habitual; O senhor viu-nos entrar pelo seu pátio adentro e veio receber-nos percebendo logo que queríamos ver a olaria. Lá dentro fiquei de boca aberta, parecia uma mini disneyland de canecas, copos, jarros, fogareiros mini, bilhas mini, barrilinhos mini....

Não resisti e trouxe coisas com fartura, para mim e para oferecer; Ainda mais que comprando ao oleiro o preço fica tão mais baixo que trouxémos um saco normal completamente cheio por 20 euros. Uma das minhas peças preferidas é uma espécie de jarra em balão com o topo afunilado que está pintada em azul bebé... Estivémos um bom bocado à conversa, o senhor explicou-nos muita coisa do processo de produção, contou-nos que era o único oleiro ali que ainda trabalhava com a roda, e ainda explicou como funcionavam os fornos agora; Antes de sair ainda pedi ao senhor para tirar uma fotografia ao espaço e ele deixou! 

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 Deixámos São Pedro do Corval e rumámos à praia fluvial de Monsaraz, banhada pelas águas do lago Alqueva e não resistimos a subir à vila medieval de Monsaraz para apreciar o tímido pôr-do-sol antes de regressar 'à base' para descansar e jantar uma bela sopa de cação no restaurante O Barril, onde fomos super bem recebidos!

 

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continua... 



 

 

 

 

 

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Nós por aí #6 - Florença (IV)

por Catarina, em 28.08.17

Dia #5

 

No dia do regresso sabíamos à partida que não se iria aproveitar muito...ou em realidade nada mesmo.

Depois da viagem de camionete de Bolonha, com um calor dos ananases, os bancos quentes e a estrada por túneis escolhemos o comboio para o regresso.Tínhamos  tempo de sobra mas a estação não tinha espaço físico para estarmos três horas à espera do comboio mais lento pelo que optámos pelo rápido que nos deixou em Bologna Centrale em menos de 40 minutos!

Ao chegarmos fomos percorrendo corredores uns atrás dos outros ate chegar à superfície; a ideia seria dar uma volta por ali e apanhar o aerobus para ainda ver alguma coisa de Bolonha. Enquanto estávamos numa fila para levantar dinheiro comecei a aperceber-me da fauna de gatunagem que envolvia a estação claramente em bando organizado. Sentimos que já estávamos na mira pelo que abortámos os planos todos. Com os "radares" todos ligados fomos direitas aos táxis e desistimos do aerobus.

Com isto tudo chegámos ao aeroporto só cinco horas antes do voo sem sequer poder fazer check in antecipado porque o aeroporto em Bolonha é muito pequeno, não há balcão da Tap,e ainda por cima a nossa bagagem mesmo sendo de cabine teria de ir para o porão porque com as compras todas trazíamos mais bagagem de mão do que seria permitido embarcar.

 

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O aeroporto é muito pequeno, divide-se em dois pisos e tem poucas lojas e poucos restaurantes. Os bancos da zona exterior são horríveis, nada confortáveis e entre aquilo e o chão ainda estive para considerar a segunda hipótese. A vantagem era que estávamos num ambiente fresco e com muito menos probabilidade de assaltos! Ainda consegui comprar a revista Domus, que seguia online há anos e que cá custa o dobro do preço, com edição especial ainda por cima; só por isso valeu-me a mega seca de espera.
Assim que abriu o balcão de check-in fizemos logo fila e fomos das primeiras; a hospedeira foi super simpática e ofereceu-nos os lugares da asa, que têm mais espaço para as pernas e tornam a viagem mais confortável.
Voltámos ao piso de cima para o controlo de segurança, desta vez mais rápido porque não tínhamos líquidos nem muita tralha. A zona de embarque ao contrário do que esperava era tão mínima quanto o resto do aeroporto e uma sala de espera média dava para tudo. Vagueámos na free-shop para os abastecimentos do costume de perfumes e cosmética em promoção!
 
Pelo menos o embarque não atrasou e correu quase tudo sobre rodas até ao momento em que o autocarro chega à pista e pára em frente ao avião de portas fechadas... se calhar esqueci-me de referir que estavam uns 40º à sombra e os autocarros do aeroporto circulam só de janelas abertas sem ar-condicionado. Acabou por ser um embarque super atabalhoado, sem ordem nenhuma de entrada na frente ou à retaguarda e para variar saímos atrasados.... A viagem foi mais calma do que na ida e deu-me para ler e dormir. Claro que ainda apanhámos uma pequena seca na espera pelas bagagens mas muito muito contentes por estar quase em casa!
 
 
Rescaldo Final
 
Quando pensava no que escrever aqui, ainda durante a viagem, sabia que teria de parar para fazer um balanço mais geral.
 
 
Se gostei? Claro, adorei! Tanto Milão no inicio do ano, como agora Florença e Siena.
 
Correspondeu às expectativas? Em parte; Esperava que Florença fosse uma cidade mais limpa e arrumada ao invés do cheiro a esgoto recorrente. Está claramente à beira da ruptura no que toca ao turismo e acho que a cidade não aguenta; Muitas vezes nas ruas tinha pena dos moradores (que chegavam a ter turistas sentados a descansar no degrau das suas portas) e pensava como Lisboa também caminha para este caos. Acabei por gostar muito mais de Siena que achei mais autêntica e melhor preservada.
 
E os italianos?
Se estava à espera de ver homens bonitos? Estava... Se vi? Nem por isso... Mas não era disso que ia falar!
No geral achei os italianos mais acessíveis e simpáticos do que a minha experiência com os espanhóis; Tentam comunicar connosco a todo o custo e ajudam o mais possível. Falam um inglês razoável mas tentam falar com os poucos portugueses que lá vêm em castelhano!
Defeitos? São extremamente desorganizados, qualquer atracção com mais gente gera filas intermináveis e logísticas de tremer de medo. Também não são excepcionais a cumprir horários e sentia que tudo era sempre uma grande bagunça. Até mesmo no aeroporto onde esperamos normas internacionais era cada um por si e todos ao molho, com ou sem fé em Deus!
 
E a comida?
Aqui a porca torceu o rabo! Já em Milão tinha ficado desiludida com o Gnochi e até mesmo com as pizzas; Aqui não melhorou muito. Comi um Risotto fantástico com espargos e um queijo amanteigado que nunca tinha ouvido falar, num restaurante tipo Cantina tradicional; Em Siena comi os Raviolli muito bons, cujo recheio já não recordo mas que tinham cogumelos. Tirando isto a pastelaria fina que provei era boa mas não me aventurei em mais nada de especial e não vi nada que me encantasse muito. Os gelados eram muito bons mas francamente cá temos igual, ainda que lá os tenha achado relativamente baratos porque são mesmo muito bem servidos e podemos escolher dois sabores com o tamanho de "1 bola" só.
 
 
Preços?
Os monumentos e principais atracções são caros, e em Florença não encontrei horários nem dias com preço reduzido ou gratuito como em Milão. Gasta-se muito para ver qualquer coisa.
 
Os restaurantes enganam um pouco porque as doses são relativamente acessíveis mas depois nas zonas mais turísticas como Florença, Siena e o Lago Como em Milão cobram uma taxa chamada "Copperto" que é uma espécie de gorjeta obrigatória e serve de compensação ao restaurante pelo tempo em que ocupamos a mesa e pela pessoa que nos serve. Acho um roubo mas enfim; Os valores mais baixos são de 2€ por pessoa mas vi preços até ao 5€ por isso ao ver as ementas temos de nos lembrar de somar este valor!
 
O alojamento tem taxas turísticas municipais altíssimas e é preciso contabilizar o valor de acordo com o nº de estrelas do alojamento e paga-se por pessoa por noite. Nunca está incluído nos preços dos hotéis quando se fazem as reservas portanto é mais um a somar.
 
Os transportes só experimentei a camionete que achei cara, 20€ por pessoa para a viagem só de ida e as condições que oferecia. O comboio para Siena achei bastante acessível, cerca de 18€ por pessoa ida e volta, assim como o táxi. O comboio para Bolonha foi caro, 40€ por pessoa para uma só viagem, mas era um comboio moderníssimo e rapidíssimo! Os animais podem circular pela trela nas carruagens da última classe, como a nossa no comboio para Bolonha, e isso confesso que me faz alguma impressão mas pelo menos não ia nenhum perto de nós ou acho que dependendo do bicho teria saltado do comboio. Já em Milão reparei que os italianos têm outra cultura com os animais e é comum ver alguns em lojas com os donos. 
 
 
Vale a pena ir às compras?
Vale sim e tirem tempo para isso quando fizerem o roteiro!
 
Florença é conhecida pelo negócio das peles e cortumes e também pelo papel marmoreado artesanal. Comprei um pouco de tudo e trouxe muita coisa para oferecer. As peças em couro como carteiras, estojos etc. são lindas e muito mais baratas em Florença do que encontrei em Milão por exemplo. Convém escolher lojas menos centrais para encontrar preços mais baixos que foi o nosso caso já que tínhamos uma loja mesmo em frente ao hotel e comparámos com os preços das outras na zona do Duomo que ficava apenas a cinco minutos e eram bem mais caras. 
 
Um bom local para comprar é o Mercatto Centrale, uma zona de barraquinhas ao ar livre onde se vende tudo isto e mais um par de botas mas é preciso ir com paciência e regatear alguns preços. Quando nos perguntam a nacionalidade ou de onde viemos não é apenas para serem simpáticos ou para falarem a nossa língua, mas sim para saberem que preço nos vão dar isto porque o mesmo artigo para americanos por exemplo pode custar 80€ enquanto a espanhóis e portugueses vendem por 40€ (dependendo da vossa capacidade para regatear depois disso claro!).
 
Os artigos em papel marmoreado vão desde os cadernos, álbuns, calendários, marcadores, cartões, lápis e canetas e são lindíssimos mas um pouco caros se bem que acho que vale sempre a pena trazer nem que seja algo mais pequeno. São completamente artesanais e alguns são peças únicas pois o papel é feito em quantidades limitadas por padrão.
 
Por fim as lojas de roupas e acessórios: evitámos as mais conhecidas e o grupo inditex, e fomos às que não conhecíamos. Tivemos sorte por ser época de saldos e fizemos tantas compras quanto as malar permitiam guardar!!
 
Há quem traga também produtos gastronómicos regionais como o Chianti, o Lemoncello ou as massas nas mais variadas cores e formas mas essa parte não me diz muito portanto passei ao lado! No fundo achei que não valia muito a pena porque os preços não eram muito baratos embora houvesse sim uma grande diversidade de marcas.
 
Itália é segura?
Não posso falar pela Itália toda mas em comparação achei Milão muito mais vigiada do que Florença. Quando lá fui via muitos militares armados em zonas de maior concentração de pessoas como as estações, e eram eles que faziam o controlo de segurança no acesso ao Duomo. Em Florença vi pouca polícia quase nenhum militar armado e em Siena não vi mesmo ninguém. Em Bologna Centrale não só não vi ninguém como identifiquei logo um gang bem posicionado e achei que estivemos na iminência de viver ou testemunhar uma tentativa de roubo. Mas como isso foi no último dia e logo no primeiro, à chegada a Florença, na nossa primeira volta, agarrei uma moça com a mão e o braço todo dentro da mochila da minha mãe, já ia preparada para tudo!!! Achei que eram zonas muito turísticas e pouco vigiadas por isso todo o cuidado é pouco ou não estivéssemos na terra da Máfia!
 
 
 
 
 
 

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Nós por aí #6 - Florença (III)

por Catarina, em 25.08.17

Dia #4

 

Desde que começámos a planear a viagem que tínhamos em mente visitar os arredores e conhecer a região Toscana. O plano inicial passava por alugar um carro em Florença e ir até San Gimignano e Siena. Todos os dias ao final do dia eu planeava o dia seguinte, e portanto quando chegou à véspera eu já tinha traçado o novo plano.

Quando fiz contas à ideia de alugar o carro fiz o trabalho de casa todo; calculei o preço do carro, as portagens, o combustível, o aluguer de GPS e possivelmente o aluguer do equivalente à via-verde lá; Acrescentei uma cobertura de seguro, e ainda pesquisei as rotas a seguir mas os cálculos já iam longos. Quando pensamos em alugar um carro temos tendência a ver apenas o valor do carro e a esquecer o resto, mas o resto é o que fica bem mais pesado e depois acrescentei a isso o medo que tinha de me perder no caminho e perder tempo precioso, o receio de conduzir nas estradas italianas (eles são simplesmente loucos ao volante e eu nem sou medrosa de condução, pelo contrário) e ainda o facto de ser muito pouco provável que pudesse chegar de carro aos centros dessas cidades e o valor de estacionamento que isso iria acrescentar. Pesquisa vai, pesquisa vem e fomos de comboio até Siena! Tivémos de desistir de San Gimignano mas não trocava Siena por nada!

Saímos cedo em direcção à estação que ficava a uns 5 min do hotel, comprámos os bilhetes e entrámos logo no comboio, bastante confortável para enfrentar 1h e pouco de viagem. A viagem em si é agradável e vamos vendo uns campos de girassóis pelo caminho e uma paisagem simpática após a saída da cidade.

Ao chegar a Siena apanhámos um táxi para o centro; os táxis não podem chegar mesmo à zona que queríamos mas têm locais de paragem e recolha nos limites dessa zona, e o taxista explicou logo isso no início. A deslocação foram cerca de 8€ e uns 10 minutos de viagem, dividido por três foi irrisório e muito mais confortável! 

Siena é uma cidade lindíssima, muito medieval, e muito mais autêntica do que Florença que está muito turística e a rebentar pelas costuras! O inconveniente é que é muito menos plana e andamos constantemente a subir e descer ruas. Chegámos por volta do meio-dia e escolhemos ir logo almoçar para aproveitar bem a tarde. Descobrimos um restaurante muito simpático, Il Bargello, onde comi uns raviolli maravilhosos!

 

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Depois fomos até ao Duomo, onde a fila para os bilhetes era relativamente pequena, sendo que não havia fila para entrar! Foi um alívio porque tinha receio de não conseguir ver nada e ser um esforço em vão. Mas sabia que valeria a pena pelo que tinha lido no meu guia, e o Duomo não desiludiu, bem pelo contrário, foi provavelmente das coisas mais bonitas e magníficas que já vimos! Impressionou até à espinha com os vitrais, os frescos, as capelas, e os painéis no chão em mosaico que estão cobertos a maior parte do ano para evitar que se degradem, e são expostos apenas nesta época de Verão. 

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Ao sair percorremos várias ruas de comércio local e tradicional e não resisti a mais não sei quantas compras!

Descemos uma rampa vertiginosa até à Piazza del Campo, onde vemos o Palazzo Comunale e a Torre dei Mangia. Apesar do calor insuportável a piazza estava cheia de gente nas esplanadas ou a fazer selfies no meio da praça! Nesta altura o calor começava a ameaçar quebrar-nos e voltámos às ruas de sombra que percorremos por mais algum tempo até decidirmos que já ninguém se aguentava nos pés. Apanhámos um táxi na paragem e voltámos à estação e ao comboio até Florença.

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Umas horas depois de descanso e banhos intermináveis voltámos a sair para o último jantar! Escolhemos um restaurante da nossa rua com bom aspecto que estava sempre cheio e fizémos a última asneira da viagem! Por toda a cidade os restaurantes divulgavam um prato de "Bisteca" que era uma mega costeleta para duas pessoas. Eu e a minha mãe arriscámos e arrependemo-nos....é que não nos passou pela cabeça que aquilo viesse quase em sangue, sem tempero algum, nem sequer sal, e com batatas que deviam estar cozinhadas desde a hora de almoço! Ou foi muito azar, ou o restaurante não era assim tão bom! A salada de legumes grelhados que pedimos à parte foi o melhor do jantar; Regressámos ao hotel e estivémos algum tempo no bar, que estava aberto só para nós, e portanto foi gargalhada de meia noite. Quando íamos subir para o quarto a luz foi abaixo na cidade, estivémos uns 3 minutos completamente às escuras e depois voltou.... o cansaço congelou-nos o cérebro e arriscámos ir de elevador mesmo assim; podia ter corrido bem mal mas depois de dois solavancos inesperados o elevador lá parou no andar certo... Ao chegar à porta lembrei-me que a chave tinha ficado na recepção e portanto desci cinco andares a pé e voltei com a chave pelo mesmo caminho depois de o recepcionista da noite ter exclamado um "Mamma Mia" pelo susto que lhe preguei ao aparecer pelas escadas atrás da recepção!!!

 

continua...

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Nós por aí #6 - Florença (II)

por Catarina, em 24.08.17

Dia #3

 

Um mês antes da partida, e com medo de evitar grandes filas de espera, tinha comprado os bilhetes para a Galeria Uffizi, uma das maiores atracções da cidade. Esta galeria figurava nos meus planos há muito tempo, desde as aulas de História de Arte, uma vez que alberga a grande maioria dos quadros renascentistas, medievais e maneiristas que estudei. Para ajudar à festa no dia da nossa visita era inaugurada uma exposição com obras de Leonardo da Vinci incluindo o quadro Adoração dos Magos finalmente restaurado.

A galeria está instalada num palácio construído a pedido de Cosimo I de Médici (uma das principais famílias Florentinas e patronos artísticos) para albergar os gabinetes de ofícios (uffizi em italiano antigo segundo li).

A nossa visita estava marcada para o meio dia e meia, porque na minha ignorância achei que a maioria das pessoas tentaria os horários mais cedo. Saiu-me só tudo ao contrário. Fomos até lá de manhã cedo para conhecer as ruas envolventes; é uma zona muito simpática da cidade que me lembra o Bairro Gótico de Barcelona.

 

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Apesar de os bilhetes estarem comprados e terem sido bem caros, ainda tinha de ir para a fila trocar o voucher pelos bilhetes em si; rapidamente percebi que seria uma longa jornada até entrar na galeria e fui-me munindo de coragem e força nas pernas. Depois da fila para levantar os bilhetes ainda veio a fila para entrar na porta da galeria (quem não tem os bilhetes pré-comprados enfrenta filas de muitas horas sujeitas ao "stock" disponível), depois uma fila de controlo de segurança, depois um torniquete para o bilhete, mais uma infinita escadaria e um novo controlo ao bilhete. Trocado por miúdos quando chegamos finalmente lá acima já passou mais de uma hora e estamos estafadas capazes de nos atirar ao chão em qualquer canto. A galeria em si, pelas obras que tem, e pelo edifício que é vale muito a pena a visita, claro, mas a empreitada para lá chegar, a falta de organização gigante por parte dos trabalhadores da galeria, e os constantes chicos-espertos a furar filas tiram uma pessoa do sério e quase me arrependi de ter lá ido! A quem quiser ir deixo o conselho: esta é uma atracção que não conhece época baixa portanto escolham logo o primeiro horário da manhã ao reservar o bilhete, levem um farnel e água, calçado confortável, e não façam grandes planos para o resto do dia!

 

No nosso caso, com a partida que os bilhetes do Duomo nos pregaram na véspera o dia ainda não tinha acabado. Comemos rapidamente e voltámos ao hotel para descansar umas horas ao fresco. À hora marcada fomos para o Duomo, para a porta que nos tinham indicado e descobrimos que havia mais uma fila! Sem grandes surpresas lá me pus a jeito, ao sol, a marcar o lugar, até que uns minutos após a hora marcada um senhor pouco simpático veio verificar os bilhetes e deixar entrar pequenos grupos à vez. Estranhei a falta das filas gigantes na porta principal, mas ainda não me tinha caído a ficha até entrar! Então é assim: na véspera, para poupar tempo tínhamos comprado os bilhetes na máquina automática, mas esta só vende o pack completo: Duomo, campanário, batistério, e a subida ao campanário tem de ser reservada com hora marcada. Fizémos tudo na máquina e depois confirmámos com uma senhora no guichet, mas não ficou bem claro que a igreja não estaria disponível para visitar àquela hora que aparecia nos bilhetes. Para ver a igreja e o batistério teríamos de ir para a fila e esperar a vez, a uma qualquer hora do dia, e apenas para o campanário tínhamos hora marcada, que nem sequer foi cumprida! Acabámos por ver a igreja no momento em que entrámos para o campanário, apenas por uma porta lateral, e depois saímos sem subir porque a minha mãe levou de Lisboa um pequeno problema no joelho e subir milhentos degraus não estava no programa. Contentámo-nos com o batistério, um edifício redondo, lindíssimo, todo decorado em talha dourada, e que compensou a desilusão que tivémos do interior do Duomo que é bastante despido em comparação com outras igrejas italianas.

 

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Como sempre nestas viagens há os dias "sim" e os dias "não" e este foi aquele em que tudo nos saía torto! Depois da curta visita sentámo-nos numa pastelaria fabulosa do outro lado da praça para lanchar e refrescar. Não me lembro do nome dos doces que comemos, tirando a prima D. que comeu um canollo, e bebemos todas um chá gelado maravilhoso. Claro que numa pastelaria com aquele aspecto e aquele serviço de criados fardados devíamos ter adivinhado a conta! Se se consome ao balcão o valor é um, o que vemos escrito, se for numa mesa, o valor é outro e não está escrito em lado algum....assim pagámos só 10€ pelo lanche, cada uma, mas uma vez não são vezes e voltava lá na maior! Para acabar o dia fomos até às ruas de lojas e fizémos mais compras do que contávamos (o que a partir desse momento significou que a bagagem iria para o porão no regresso).

Terminámos a jantar um wrap e um smoothie num bar vegan com esplanada na Piazza Santa Maria Novella, já bem perto do hotel.

 

continua... 

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Nós por aí #6 - Florença (I)

por Catarina, em 11.08.17

Dia #1

No dia da partida dormimos pouco e saltámos da cama bem cedo para chegar ao aeroporto antes das 2 horas recomendadas uma vez que se andavam a ouvir notícias de grandes atrasos no controlo de segurança.

Como fomos cedo não havia atraso nenhum e tivemos tempo de sobra para tomar o pequeno almoço e comprar revistas. 
 
O voo em direcção a Bolonha teve a desvantagem de estar supostamente a funcionar com menos tripulação que o necessário pelo que não serviram refeições a bordo e levamos apenas uma embalagem com um snack. Da revista só consegui ler dois ou três artigos porque adormeci em menos de nada! 
O voo que saiu atrasado acabou por chegar na hora marcada e na saída ainda almoçámos antes de apanhar o autocarro que nos iria levar a Florença.
 
Pausa para dizer que o calor nesta terra faz o Alentejo parecer fresco! Sabíamos que estaria quente mas não vínhamos a contar em apanhar quase 40 graus todos os dias. Isto criou logo limitações aos nossos planos turísticos. 
Se andar muito num só dia já custa imaginem com estas temperaturas... a sensação térmica é que estamos numa casa de banho fechados após um banho de imersão de longas horas! Apesar da pouca humidade no ar temos a sensação de estar peganhentas a todo o momento e andamos constantemente a levar choques térmicos porque os locais fechados estão a uns 20 graus no máximo!
 
A primeira impressão de Florença era que tínhamos chegado ao tarrafal, a segunda era que a canalização da cidade deveria estar prestes a explodir tal era o cheiro a esgoto que envolvia o ar junto à estação ferroviária de Santa Maria Novella. O nosso hotel ficava a meio caminho entre a estação e o centro e depressa descobrimos que estava bastante bem situado e tínhamos comércio em quase todas as portas e restaurantes também não  faltavam.
 
Chegámos por volta das 16h, bem no pico do calor e aproveitámos para refrescar e descansar umas horas. Ainda assim a excitação não permitia grandes paragens e fomos dar uma volta até  à  Piazza Santa Maria Novella e à zona de lojas mais central. Na piazza havia música ao vivo todas as noites e foi onde comi os melhores gelados desta viagem!
 

 

 

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 Dia #2
 
O primeiro dia estava reservado para conhecer o centro e começámos com a visita à  Basílica de Santa Maria Novella onde estavam a decorrer obras de restauro e onde podemos ver frescos do período gótico e do início do Renascimento de Ghirlandaio e do seu aprendiz Michelangelo, de Filippino Lippi e ainda o crucifizo de Brunelleschi. Esta era uma das igrejas que tinha estudado em história de arte e sobre as quais tinha mais curiosidade.
 

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Ainda de manhã  fomos até ao Duomo mas para não variar as filas eram intermináveis e optámos por comprar o bilhete para o dia seguinte e evitar a espera. Para aproveitar o que restava da manhã seguimos pelas ruas do centro até ao Mercato Centrale onde para além do comércio alimentar no seu interior existe um mercado ambulante no exterior onde há muita bugiganga, écharpes e artigos de pele para comprar, e regatear para quem tiver paciência.
Almoçámos ali por perto provavelmente a melhor salada César que já comi na vida no Coffee&Kitchen.
 

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Na hora do calor recolhemos ao hotel e só saímos perto das 18h para visitar uma das exposições mais giras que já vi na vida...e eu já vi muitas! Já quando fui a Milão achei que os italianos eram exímios nesta parte e desta vez só confirmei a primeira impressão.

Como sempre me apaixonou o mundo da moda, e como esta era uma viagem "de gajas", descobri que existia junto ao rio um palacete onde se instalara a fundação Salvatore Ferragamo, e que continha uma exposição sobre o regresso do criador a Florença, em plenos anos 20. A exposição retratava através de quadros, mobiliário, têxteis e outras peças a cultura que se vivia à época e estava organizada e "maquetada" como se estivéssemos sempre a bordo de um navio, no qual o criador fez a viagem de regresso. Não é das principais atracções da cidade mas foi para mim das melhores, e recomendo a quem tenha interesse pelo tema, já que é um dos poucos locais na cidade onde se circula sem que o nariz tropece num selfie stick!

 

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Para fechar o dia com chave de ouro seguimos até ao rio e fomos conhecer a famosa Ponte Vechio onde hoje estão instaladas as ourivesarias da cidade, e que conserva as estruturas originais e um ar de medieval!

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continua...

 

 

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Nós por aí #5 - Mértola

por Catarina, em 09.08.17

No regresso da viagem pelo Sotavento Algarvio (aqui), indicaram-nos uma praia fluvial nas Minas de São Domingos e resolvemos fazer um desvio no percurso para conhecer.

Eu nunca tinha experimentado uma praia fluvial e não fazia muita questão; dizia sempre que tinha medo, que não ia gostar, que era perigoso e sei lá mais o quê! O M. insistiu até me moer o bicho do ouvido e quando uns vizinhos campistas nos deram a dica pensei "bora lá resolver este tema!".

Saímos de Cabanas em direcção a Vila Real e fizemos uma curta paragem em Castro Marim; Sem perder tempo seguimos pela nacional até Mértola, conscientes do calor que fazia e que ia piorar com a aproximação da hora de almoço! Ainda visitámos umas ruas, um atelier de tecelagem (adoro este tipo de trabalhos!), e a torre do castelo com uma exposição sobre a história do castelo e a sua reconquista. 

Como o calor não dava tréguas arrancámos para as minas e encontrámos um local bonito e bem arranjado com infra-estruturas decentes. 

Estava cheio como seria de esperar, e era quase impossível colocar um chapéu de sol, até porque o piso não era arenoso, mas sim rochoso! A areia servia apenas para tentar tornar a rocha mais macia. Não perdemos tempo e tomámos logo um banho! Não adorei a textura do fundo, mas não posso dizer que fosse horrível como temia; A água era limpa, embora não límpida, e vi um girino minúsculo a nadar, ao contrário das cobras de água que eu também temia! Senti a água doce demasiado pesada depois de várias dias no mar mas não detestei e acho que posso repetir a experiência noutro local....digamos mais fresquinho! Dalí deixámo-nos de aventuras e procurámos no GPS o caminho mais rápido até casa.

 

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Nós por aí #4 - Tavira

por Catarina, em 02.08.17

Tavira impressionou-me tanto que teve direito a um post só para ela! Se calhar ajudou a esta impressão o facto de ter ido reencontrar uma amiga do secundário que me apresentou a cidade toda a pé numa noite de verão muito agradável. Tivémos a sorte de a ter como guia pelos recantos e miradouros e ir sabendo pormenores deste ou daquele espaço.

Não consigo reconstruir a volta como a fizémos com ela, até porque íamos pondo a conversa em dia pelo caminho e tirámos zero fotos! No dia seguinte voltei lá ao fim da tarde para rever tudo com mais calma à luz do dia, e como a feira do livro só abria à noite ainda voltámos na véspera de ir embora só para dar mais uma volta!

Fiquei fã da zona do jardim do coreto, junto ao rio e emoldurada pela ponte Romana e pela ponte militar; De dia a luz é incrível e à noite a iluminação faz com que seja um espaço muito simpático. Ajuda muito a temperatura que lá se faz sentir e há muita oferta de espaços para um gelado ou uma bebida. Subimos aos miradouros, decobrimos que a cidade tem um número de Igrejas fora do comum e está no topo das cidades europeias com mais Igrejas!

Adorei os gelados do quisque Muxagata, aquele caramelo salgado com chocolate temperado crocante é qualquer coisa divinal e gostei muito do comércio mais fora do comum com um atelier de prata, onde conseguimos ver o processo de produção e a loja de cerâmica de artista, onde não resisti a ir às compras. (A senhora da loja não sabe mas quando fechou às 23 horas eu ia a caminho de lá novamente para ir buscar mais coisas depois de uma passagem pelo multibanco - fiquei um pouco frustrada e disse para mim que numa próxima não demoro nem mais um segundo!!!)

 

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Nós por aí #4 - Sotavento Algarvio

por Catarina, em 31.07.17

Pensei que iria voltar destas mini férias fresca que nem uma alface, mas na verdade sinto-me como aquelas alfaces que ficam até à última hora na caixa e que vão ficando murchas e espezinhadas com o passar das horas!

 
Ante-ontem ainda estive até às tantas a arrumar tralha, e ontem acordei estafada para enfrentar uma semana que vai ser alucinante e ultra rápida, antes de embarcar nas maxi férias deste ano!
 
Fez ontem uma semana que arrancámos da zona oeste rumo ao sul, mais propriamente a Cabanas de Tavira para acampar; Talvez os campistas mais experientes já façam as malas em modo light, mas bem, nós vamos em modo heavy com tudo o que precisamos e o que podemos vir a precisar! (Até levámos um carro comercial para ser mais fácil arrumar a tralha no porta bagagens!)
 
Este ano investimos finalmente num colchão insuflável e, apesar das minhas desconfianças, devo dizer que nunca dormi tão bem no campismo como desta vez que foi também a estadia mais longa. 
Começámos a viagem já tarde, almoçámos em andamento depois de uma paragem no macdrive, e para levar aquele carro abdicámos do conforto do ar condicionado que bem falta nos fez ao atravessar a zona do Alentejo!
 
Chegar a Cabanas e encontrar o parque foi super fácil, e ainda bem porque desta vez escapou no carro o mapa de estradas que eu tanto gosto - se bem que finalmente tenho um telemóvel com um GPS que funciona.
 
Quando acabámos de montar a tralha toda estávamos estafados e aproveitámos a piscina que já estava calma para uns bons mergulhos.
 
No dia seguinte começámos a nossa "rota das praias" e fomos de barco até à ilha de Cabanas; Foi o primeiro contacto com a ria Formosa e depois com as águas algarvias mais amenas uma vez que só conhecíamos a outra ponta (do iceberg)!!
Não há nada para não gostar ali, e até conseguimos almoçar uma saladinha e um sumo natural bem simpáticos no bar! A travessia de barco é muito rápida, dava vontade de dar mais uma voltinha e funciona tipo barcos-táxi, ou seja não ficam à espera que esteja cheio para partir. Não achei caro uma vez que cada pessoa para 1,5€ por um bilhete ida e volta mas claro que famílias grandes a fazer isto todos os dias deve ser mais pesado.
 
 

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O segundo dia foi para conhecer Cacela Velha; Tinha as expectativas elevadíssimas e não saí defraudada! Depois de atravessar a "rua principal" a pé descemos uma escadaria e encontrámos uma enseada (digna dos livros dos cinco!) com uma placa que dizia "Cais de embarque - maré alta" e o nº de telefone do senhor do barco. Encontrámos uma família que estava farta de esperar pelo barco e resolveu ir a pé e fomos atrás deles meio a medo. "Venham, não há perigo, é já ali! Venham!" encorajaram eles enquanto nos enfiámos dentro de água até ao joelho... o pior é que eu sou 1,59 de gente e não sabia se aquilo era maré cheia ou vazia; Percebia que havia bancos de areia mas a zona mais funda não me dava confiança. Como eles foram à frente vi que não havia perigo mas ainda assim acabei molhada até à cintura e não achei a corrente nada fraca. Foi uma pequena aventura! Mas a praia vale mil vezes a pena, mesmo que tivesse que ir a nado! É espectacular, sem palavras. Num estado meio "selvagem" com muito menos pessoas, um azul de deixar o queixo caído e uma temperatura de sonho. Ao final da tarde quando se levantou vento posso dizer que se estava muito melhor dentro de água do que fora. Com a vazante fica sempre mais perigoso embora a praia tenha mesmo muito pé a corrente é bastante forte. Com o vento aparecem muitos praticantes de kitesurf e é engraçado ficar a vê-los.
Nessa noite voltámos a Cacela para jantar no Casa Velha onde se conseguem comer ostras muito boas, tanto ao natural como grelhadas, lingueirão assado, ameijoas e outras coisas boas; O espaço é agradável mas o serviço é um pouco caótico e há facilmente fila de trinta pessoas antes da hora de abertura por isso recomendo ir cedo a quem quiser experimentar! Ainda em Cacela lanchámos no último dia no Casa Azul, que tem a vantagem de estar aberto todo o dia e podermos petiscar a qualquer hora. Cacela apaixonou-me, ponto.
 
 

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Os dois dias seguintes foram dedicados a Manta Rota, Altura e um passeio até à Praia Verde e Vila Real de Santo António (que não tem piada nenhuma...). Estas praias são completamente diferentes com areais enormes, cinquenta mil vendedores de bolas de berlim (pausa para a melhor descoberta do ano: Bolacha americana de alfarroba; Minha nossa que bom!!!!!!), águas boas mas menos "quentes" do que tínhamos encontrado nos dias anteriores. 
De fora dos planos ficou a ida a Espanha por falta de tempo e de vontade também, quisemos aproveitar ao máximo aquelas praias e aquela água!
 
continua...
 
 

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On the road

por Catarina, em 16.07.17

Cinquenta e uma listas depois, não sei quantas tralhas devidamente arrumadas e estamos carregadinhos para rumar a sul, em modo campismo!

Iniciei-me no campismo com o M., e como ele tinha a tenda por estrear acho que posso dizer que foi algo que descobrimos e aprendemos juntos. Sempre tive a ideia do campismo, em parque porque a minha família o tinha feito durante muitos anos antes de eu nascer, e em parte porque quem cresceu a ler livros dos cinco sabe como sobreviver numa ilha durante 3 dias com uma lata de cebolas e outra de tomates! Uma vez quando era pequena o meu avô quis dar-me um cheirinho do que seria e comprou uma das tendas mais pequenas que havia à venda, dava para dois adultos deitados em modo lata de sardinha, e montou-a no quintal, mesmo tendo de furar o chão de cimento! Ainda tentei lá dormir nessa noite mas ninguém me deixou...

Já se sabe que gosto de ter tudo controlado e arrumado e previsto, e mesmo com o esforço anti-neura que faço, há mínimos indispensáveis. Sei que nunca conseguiria fazer campismo selvagem, tenho a certeza disso, e gosto de um certo conforto, ainda que nos níveis mínimos, que é ter casas de banho, colchão, almofadas e electricidade, amén!

A primeira vez que acampámos fomos super felizes com a escolha, o camping de Milfontes, tão mas tão felizes que lá voltámos dois anos depois. Foi até hoje o melhor parque de campismo onde estivemos, e logo a seguir tenho de dizer que o da Galé, embora menos calmo também é muito giro, especialmente porque tem animação à noite, o que é essencial porque aquilo fica longe de tudo. Nas primeiras vezes evitávamos fazer comida para reduzir a quantidade de tralha necessária, mas desta vez vou a salivar por comer peixinho grelhado no carvão, por isso os apetrechos estão todos a bordo! 

Noutra lista estão as praias todas que queremos explorar nesta semana, de Tavira até Espanha, por isso se tiverem sugestões não se acanhem!

O estaminé vai estar em época baixa, mas no regresso devo ter histórias novas, já que em modo campismo connosco sai sempre aventura!

 

Imagem daqui

 

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Nós por aí #3 - Milão

por Catarina, em 08.06.17

Dia#3

 

Tínhamos resolvido na véspera que faríamos o esforço de ver tudo o que queríamos no centro em apenas um dia para aproveitar um dia inteiro no Lago Como; apesar de ter sido estafante não restou um minuto para arrependimento!

 
Saímos de manhã cedo rumo ao metro para ir até à estação de Cadorna de onde saíam os comboios; Conseguir este pedaço de informação foi uma aventura já que corremos todos os sites e blogues de viagens e as informações eram sempre muito ambíguas. Ora era o tempo de viagem que diferia ora era a estação de origem, ora o tipo de comboio! Fomos quase um bocado a medo e comprámos o primeiro bilhete disponível; Se tivéssemos mais tempo teríamos tentado perguntar junto do turismo local as melhores opções, mas como decidimos ir ao Lago já em Itália foi o melhor que conseguimos arranjar. Levámos uma hora de comboio até à estação final Como Nord Lago que tínhamos lido seria já quase em cima do Lago. Bem, eu não diria tanto porque saí do comboio numa de “onde está a água?” e não via nada a não ser aglomerados de gente. A viagem de comboio em si tem muito pouco interesse, a paisagem são praticamente arredores e zonas mais industriais e fabris…dispensava-se!
 
Quando finalmente deixámos a estação percebemos que de facto já se via o lago, e enquanto nos aproximávamos do que parecia ser uma praça central íamos ficando embevecidos com os edifícios e os recantos onde a água começava e os prédios acabavam. Rapidamente percebemos que o Lago Como era muito maior do que tínhamos imaginado, e que num dia iríamos apenas dar uma vista de olhos. Fomos atrás das massas de gente até ao barco que iria sair para Bellagio, uma das várias povoações em volta do lago. Embarcámos às pressas, sem tempo para pensar muito nem perguntar nada; os bilhetes vendiam-se depois a bordo numa interminável barafunda. A maior vantagem desta viagem de uma hora de barco é que se vêm todas as povoações, vilas e lugarejos, até a Ilha no meio do Lago, e ainda poder refrescar se for um dia muito quente como no nosso caso. Quando pusemos o pé em terra em Bellagio fomos recebidos por um bafo quente e nenhuma aragem. Este bilhete ida e volta são cerca de 20€ por pessoa e o barco é dos maiores que vi naquele percurso, Orione. Bellagio era de facto um cenário lindo, fez-me lembrar Sintra com as ruas estreitas e íngremes. Quero ver se me esqueço que comemos aí a pior pizza de toda a viagem e pagámos uma taxa de serviço; viemos a descobrir que na maioria das terras em volta do Lago se cobra essa taxa que pode ir dos 2,5€ aos 5€ por pessoa e é apenas para que o empregado sirva à mesa. Achei um bocadinho de mais, mas enfim, seguimos com o passeio pelas ruas, lojinhas e arcadas. Tenho a perfeita noção que um dia que lá volte faço tudo de outra forma; pelo menos ali os italianos não devem nada à organização, o horário dos barcos que nos deram era praticamente ilegível de tão complexo, e em cima disso tudo cumprir os ditos cujos também não é com eles. Acabámos por encarar a fila de regresso mais cedo com medo de atrasos e foi o melhor porque chegou com meia hora de atraso e a volta de regresso levou duas horas em vez de uma. Gostaria de voltar e explorar melhor Como, subir no funicular, ver as vistas lá de cima, visitar a Isola Comacina e a Villa Carlotta, uma das poucas vilas privadas que aceita visitas. Quem puder recomendo o que pretendo fazer uma próxima vez: pernoitar no Lago, nem que seja por uma noite para ficar com mais tempo!
Voltámos a Milão estafados, jantámos tarde e fomos fazer as malas porque nos esperava uma aventura de madrugada para chegar até ao aeroporto! 
 

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