Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



The perfect man

por Catarina, em 06.04.17

Crescemos a ver e ouvir histórias de princesas e príncipes encantados, que viveram felizes para sempre; Quando somos pequenas brincamos a essas mesmas histórias, a Barbie e o Ken são namorados, e depois casam e depois têm muitas Shelleys. Ponto final. Eu achava sempre que isso era uma seca… e talvez pela minha própria história acabava muitas vezes por brincar com a Barbie divorciada, solteira, mão solteira, mulher de negócios, médica, etc. A “minha” Barbie era sempre a mulher profissional que não precisava que o Ken lhe pusesse um anel no dedo. Mas até eu, à semelhança dos filmes que via, acabava por levar essa Barbie até ao desfiladeiro do amor para ela se atirar de cabeça…e porquê? Porque a história dessa Barbie, que até então era tão feliz só consigo e com as suas conquistas pessoais e profissionais, se cruzava com um Ken que era o homem perfeito. Que sabia como a agradar e surpreender na dose certa, que tinha infinita paciência, que gostava de dançar se ela gostava de dançar, que gostava de ficar em casa a ver filmes e comer pipocas se ela gostasse de fazer isso… Eu ainda arranjava sempre maneira do Ken que lhe dava a volta ser rico ou ter umas finanças muito saudáveis, conduzir um descapotável (ainda que nos restantes 90% do tempo esse descapotável Corvette cor de rosa fosse da Barbie), vestir bem (o meu Ken tinha calças de bombazina… ok?) e ser o ‘perfect gentleman’ que nos impingem nos filmes. 

 
Pois bem, esse Ken não existe no homem real, e quanto mais cedo percebemos isso melhor. Depois de crescermos com toda esta aura a tendência é esperar encontrar o homem dos nossos sonhos e geralmente ele não vem numa só embalagem. Encontramos um com muitas virtudes e alguns defeitos, e no seguinte isto já está invertido, porque ninguém é perfeito e acabamos por ter de lidar com isso e fazer escolhas. 
Há uns anos atrás ainda acreditava numa boa parte de todos os sonhos e ilusões que fui criando ao longo dos anos, até conhecer o M, e deixar-me de “merdas”. 
 
Se tivesse que ir à checklist verificar quais os requisitos que ele cumpria, ficava logo a saber à partida que não cumpria todos, talvez até só metade. Não demorei muito a saber que ele não encaixava numa série de pré-conceitos que eu tinha, e perceber que alguns defeitos, daqueles que me tiram do sério, não mudariam, com tempo nenhum. Aceitar uma parte disto é duro; é engolir um sapo atrás de outro, mas preferir olhar o lado bom. A maturidade também ajuda, porque vamos vendo cada vez mais o que realmente importa, e se podemos ou não contar com a nossa pessoa em todos os momentos, e ter noção de quando realmente a nossa pessoa, é a pessoa certa. Ser a pessoa certa não é ser a pessoa que sonhámos, porque muitas vezes esses sonhos carregados de ilusões mostram-nos alguém que no fundo nem sequer combina com a nossa maneira de ser e viver a vida. Se queremos essa pessoa para algo mais, temos que aceitar deixar cair os castelos, e construir a dois uma fortaleza que faça realmente sentido. Porque gosto muito que ele me traga um cesto de flores no dia dos namorados (mesmo ambos achando que é uma data de treta, blá blá blá..), mas gosto ainda mais que se preocupe em fazer-me o jantar e limpe a casa para eu não ter de o fazer nessa semana. Porque gosto que ele saiba o significado de “dividir tarefas” e assuma isso com normalidade, como dado adquirido, sem eu precisar de o lembrar. Porque gosto que ele saiba ir às compras sem eu ter de lhe dar uma lista de instruções. Gosto que ele me deixe ser “bossy” de vez em quando, mas gosto que seja o “adulto” quando eu preciso de ser a criança, ir-me a baixo, dizer disparates ou simplesmente deixar-me levar. Gosto que me deixe organizar tudo para depois me surpreender e ter planeado outras coisas de surpresa. Gosto de poder ligar para ele quando o carro pifa e saber que posso deixar tudo nas mãos dele, que ele limita-se a dar-me a chave do carro dele e resolver o problema do meu como se não fosse nada, quando a mim me arranca os nervos do sítio. Gosto que ele me vá buscar ao trabalho à hora de almoço só para eu não ter de perder o lugar, e gosto que me faça o almoço para eu ir a casa. Se ele era o homem com quem eu sonhava há uns anos? Não. Nem perto. Porque o meu sonho não passava disso mesmo, não era real. Era algo completamente diferente, que no fundo não era para mim, nem para a pessoa que sou e quero ser. A minha sorte foi perceber isso a tempo, porque ele não é o que eu sonhava, é muito melhor, só precisei de aprender a ver, ajustar os pesos da balança, pensar em tudo o que ele era e não era e escolher o que para mim realmente importava.

Autoria e outros dados (tags, etc)


1 comentário

Imagem de perfil

De Chic'Ana a 06.04.2017 às 09:16

Não há homens perfeitos, a verdade é essa, há sim um homem perfeito para nós e isso é o mais importante! Nem sempre é fácil de encontrar...
Beijinhos

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D