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Um caminho mais saudável

por Catarina, em 23.06.17
Há umas semanas atrás, quando o calor começou a apertar que comecei a queixar-me de cansaço, sono, moleza, preguiça, fosse qual fosse o nome a questão é que me sentia de rastos! Levantar-me de manhã estava a custar bastante e sentia-me “mole”; Atribuí isso ao calor, falei com algumas pessoas que se queixavam do mesmo, e achei que era normal da época; Só depois comecei a pensar melhor no assunto e me lembrei de um pequeno problema que trago sempre comigo e que volta e meia deixo esquecido: talassemia. 
 
Este palavrão pouco conhecido traduz uma doença genética hereditária que faz a produção de glóbulos vermelhos ser insuficiente ou deficiente, não oxigenando devidamente.
No meu caso, é uma talassemia minor que gera uma leve anemia à qual se junta uma deficiência de ferro que não é no entanto constante. Esta talassemia é também conhecida por anemia mediterrânea e é muito comum em algumas zonas do país, principalmente na zona do Alentejo, onde a ocupação árabe permaneceu por mais tempo. No meu caso tendo um avô paterno do Alvito não deixou dúvidas da origem da doença que chegou até mim de forma muito suave. 
Tenho poucos sintomas dos muitos que se podem manifestar; Falta de resistência ao exercício físico: sempre fui muito “fraca” a exercícios de resistência como corridas prolongadas e mais de 3 minutos para mim começava a ser complicado, sendo que ao fim de 5 tinha mesmo de parar porque ficava com dificuldade em respirar e falta de ar; Hoje em dia faço exercício de forma moderada e aprendi que tipo de treinos são mais adequados; Caminhadas, passeios de bicicleta, estes sim podem ser de uma ou duas horas, e treino funcional para melhorar a postura e flexibilidade, e transformar alguma gordura em massa muscular.
 
A par disto noto muitas vezes os olhos pouco irrigados, mas nunca tive palidez, e tenho normalmente uma tensão arterial baixa e umas análises ao sangue assim para o fraquinho. Cheguei a tomar suplementos de ferro mas acho que odeio todos e têm o grande defeito de alterar o funcionamento regular do intestino.
 
Com a chegada do Verão e o ter-me recordado mais uma vez que é preciso perder os quilos que ganhei no inverno comecei a criar compromissos: fazer mais exercício, beber mais água, controlar melhor a alimentação, para além de fazer o check up anual que andava a protelar e agora já está em andamento! Mas voltando à alimentação, mais do que controlar, eu queria mesmo era melhorar a qualidade o mais possível; Hoje em dia é muito fácil ter acesso a informações sobre várias dietas, e sobre os alimentos em si, e não é preciso andar muito para saber que estamos rodeados de porcarias comestíveis.
Não estou a seguir nenhum regime em particular, mas estou a fazer mudanças que acho necessárias e que me ajudam a combater a pasmaceira que se apoderou de mim e a moderar a anemia e a falta de ferro. Tradicionalmente para este caso era recomendável comer fígado, mioleiras e beterraba, mas tirando o fígado, de vez em quando, o resto dá-me arrepios; Um dia destes ao pedir um sumo natural enganei-me e não reparei que um dos ingredientes era beterraba….foi um arrependimento do princípio ao fim e bebi-o com o mesmo prazer com que tomo xaropes.
Por agora estou a abolir o mais possível alimentos processados, carne vermelha e reduzir o consumo de carnes no geral, bebidas açucaradas, açúcar que não seja o que vem na fruta e por aí fora. Dá muito mais trabalho pensar e fazer refeições, mas com a prática tudo se consegue. A sensação depois de comer uma refeição mesmo boa é bem diferente, mas tenho mais preocupações com a confecção e o tempero para ser saboroso. Se é mais rápido atirar um bife para a grelha e umas batatas fritas vindas do pacote? É pois! Mas o corpo também se ressente disso em todos os sentidos, e por isso é uma questão sobre onde queremos investir: no mercado e em tempo ou no médico?
 
 
Termino com esta nota: a deficiência de ferro é a deficiência nutricional mais comum em todo o mundo e a anemia afecta um quinto da população portuguesa, por isso é importante estar informado, fazer os rastreios e saber como dar a volta ao assunto. Podem saber mais sobre estes temas nos sites DeficienciadeFerro.pt e no Anemia Working Group Portugal.

 

 

Ilustração de Robert-Sae-Heng aqui

 

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4 comentários

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De Chic'Ana a 23.06.2017 às 10:01

E não tomas nenhum suplemento com ferro?
Beijinhos
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De Catarina a 23.06.2017 às 10:16

Supostamente não, porque já experimentei vários mas nunca me senti melhor com eles, pelo contrário.
Mas descobri que um suplemento que estou a tomar para ajudar a dar conta da celulite contém ferro e portanto neste momento acabo por estar tomar um suplemento... mas com este, provavelmente por ter mais componentes ou menos quantidade de ferro não noto alterações.

Agora estava a pensar na tua situação e acho que quando um dia engravidar me vão obrigar a comer barras de ferro

beijinhos
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De Chic'Ana a 23.06.2017 às 10:25

No meu caso, que nunca tive qualquer problema com os níveis de ferro, a partir do 3º mês o médico receitou-me um completo de ferro.. a última vez que fiz análises, acusou anemia, portanto,de um comprimido pela manhã, passei a dois. Vamos ver como estão agora as análises, mas as tonturas e a fraqueza diz-me que não devem ter melhorado muito.

Das duas uma: ou a gravidez piora esses sintomas, ou então melhora exponencialmente. Igual não vais ficar... E quem melhora, fica assim! (quem piora, a situação volta ao que era antes da gravidez)
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De Catarina a 23.06.2017 às 11:43

O ferro também é importante para forrar a parede do estômago, e prevenir a azia...não sei se as tonturas e a fraqueza têm a mesma origem!

Das duas uma: gosto dessa perspectiva de melhorar de vez! Mas no meu caso sendo uma questão genética não sei se irá funcionar.

Boa sorte com essas análises e com a baby

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