Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Uma aventura nas Berlengas

por Catarina, em 29.09.16

Aviso à navegação: este post pode suscitar discórdia, e é um bocadinho spoiler!

 

Ontem estive finalmente a passar para o computador algumas fotos deste verão. Antigamente era mais expedita nestas coisas, mas como cada vez mais levo tudo até à última passar as fotos do cartão nem sempre é uma prioridade. Não é que não as queira ver, e editar, e escolher, etc, mas isso toma-me tempo, que às vezes não tenho ou prefiro empregar noutra actividade. Posto isto, ontem estive a ver as fotografias das Berlengas e lembrei-me que, tendo sido uma experiência e tanto, podia partilhar aqui!

 

Ir às Berlengas era algo que nos atraía desde há algum tempo, mas íamos adiando por vários motivos. Este Agosto, escolhemos uma data especial e resolvemos ir passar o dia. Tínhamos chegado a pensar em acampar, mas a informação era escassa e não sou pessoa de me arriscar assim tanto (especialmente após uma experiência francamente horrível) a ir acampar numa ilha de onde não possa fugir a correr no meu coche!

 

Escolhemos o dia, marquei os bilhetes por telefone, já a fazer um choradinho porque no site davam a data como esgotada. Conseguida a proeza apresentá-mo-nos em Peniche à hora estipulada, fizémos o pagamento, e de bilhete na mão aguardámos no porto para o embarque. Primeiro sinal de alerta do dia: o porto estava cheio de gente à espera do barco, e só aquela empresa tinha duas viagens por dia.

Não sabia se havia rede na ilha por isso tratei de avisar os pais de que havia o risco de não estar contactável; como apanhei o meu pai meio a dormir só balbuciou um "sim, sim, está bem" e desligou. Liga uns segundos depois a perguntar "ainda vais a tempo de tomar um comprimido para o enjoo?". A resposta era, "não!". Tinha pensado sobre isso e resolvi que não queria passar o dia meia grogue, porque aquilo dá um sono desgraçado, e optámos por controlar os líquidos, ou seja, desde o acordar até chegar à ilha ninguém bebia nada.

O barco veio, e optámos por nos sentar em cima, estava um sol bom e um ventinho agradável. Tinha escolhido um dos maiores para ser mais estável mas assim que passámos o farol e entrámos em mar aberto começou a diversão! Já tinha andado em barcos de recreio mais pequenos, e em ferrys maiores, até já estive a bordo de um petroleiro e sou filha e neta de homens da marinha, mas ninguém me preparou para aquela ondulação maluca!!!! Ao fim de 20 minutos estava pronta para voltar a nado até Peniche! Ainda por cima o vento vinha de norte, e eu estava precisamente desse lado, a levar com o vendaval nas fuças até a sinusite gritar, e sendo ocasionalmente banhada pela espuma das ondas qual borrifador. O solinho bom quase não aquecia tal era o vento, e mesmo com uma camisa de ganga por cima do top que levava estava gelada. Aguentei-me estoicamente até à ilha, mas juro que mais 10 minutos e alguma coisa me iria sair das entranhas, até porque atracar não foi propriamente opção e saímos do barco aos saltos com os solavancos que este dava contra o porto.

 

O primeiro impacto da ilha foi simpático (à parte dos caixotes do lixo no mesmo local onde saímos). Percebemos que a zona mais povoada era mesmo aquela, e era onde ficava também uma praia que parecia saída dum expositor de viagens! Depois de uma passagem pelas casas de banho, percebemos que as poucas casas que havia na ilha eram umas mini vivendas, minúsculas e tudo com um ar, como dizer, meio gasto! Iniciámos a nossa subida até ao farol da ilha que estava todo vedado e rapidamente nos apercebemos que a população de gaivotas era estrondosa, e o chão estava marcado por manchas brancas... (sim era mesmo caca de gaivota). (Este é o momento certo para dizer que até achei sempre muita piada a esta ave, farto-me de as fotografar e acho-as (ou achava) mesmo engraçadas.)

 

A descida até ao forte eram uns módicos 500 degraus ?!?!?! Não os contei, mas era infindável e como não tínhamos passeio de barco depois percebemos logo que para nós a descida incluía bilhete de...subida! A zona do forte é provavelmente a mais bonita da ilha! A água é límpida, de uma cor maravilhosa, e os peixes abundam. A vontade de mergulhar é imensa, mas a única enseada só é acessível de barco, está cheia de pedras e fica junto a uma "caverna" de gaivotas! As rochas pareceram-nos perigosas para descer até porque estava maré cheia, não havia onde pousar nada. A bem dizer da verdade, à parte de umas fotos bem giras que tirámos do topo, o forte não tem quase nada para se ver. É um alojamento meio campal e um pouco sujo, no centro tinha uma zona de comidas mas apenas para os amigos da ilha, ainda que tivéssemos pago bem por uma bifana, já que só levávamos umas sandes e fruta! Empreendemos na subida e resolvemos ir dar a volta à ilha pelos trilhos, mas acho que não andámos mais de um km. Basicamente os trilhos estão cheios de gaivotas, caca de gaivotas e carcaças de gaivota! E foi aqui que disse para mim "no way"!!! Pensámos o mesmo, não queríamos andar ali naquele cenário meio mórbido, qual perdidos na ilha, cheios de carcaças e com um som de fundo à lá "Pássaros" do Hitchcock!!!!

 

Voltámos ao "centro", e pensámos ir à praia. Outra má ideia. Àquela hora, de tão pequena que é, estava cheia, e havia pessoas em todo o caminho de pedra e rochas para lá chegar, sentadas e empoleiradas como podiam, e com gaivotas em volta delas. Como somos teimosos fomos até à areia, onde deveriam caber no máximo umas 8 pessoas, e estavam à vontade umas trinta! Arriscámos sentar na areia e tirar os sapatos até que 20 segundos depois uma onda vem e resolve encharcar-nos! Levantámos tudo e olhámos à volta a procurar um espaço para onde ir, as gaivotas passeavam por todo o lado e neste momento apercebi-me do cheiro a galinheiro que havia no ar. Desistimos, fomos para as rochas, encontrar um canto para colocar a roupa e os sapatos a secar! Como não nos chegava, e somos mesmo teimosos, ainda fomos só os dois, já de fato de banho, até à água, que para além de fria, estava a ficar suja e opaca! Não consegui entrar mais do que até à cintura, mas o homem deu lá uns mergulhos. A corrente estava a ficar forte, o que parecia estranho numa enseada daquelas, rodeada de rocha. Estivémos um bom tempo a secar tudo e resolvemos ir ao único restaurante/bar que havia fazer tempo. Faltavam quase duas horas para o barco sair e sinceramente estávamos mais do que fartos! A ilha tem gente a mais, diria que uma centena e meia, pelo menos, todos os sábados como aquele! Não há ambiente que sobreviva assim.

 

O homem emborcou finalmente a sua bifana e uma imperial, enquanto eu optei pela abstinência. Não estava capaz de colocar nada no estômago. Fomos para a fila do porto com alguma antecedência, mas já lá estavam outros tantos. Quando o barco finalmente conseguiu aproximar-se para entrarmos, desta vez já por baixo, resolvemos ficar em baixo na zona fechada porque estava a ficar um frio de morte e ele nem casaco nem nada! Foi provavelmente, a seguir à viagem em si, a pior ideia que tive. Esqueci-me que em baixo iria sentir a ondulação dez vezes mais e se não tivesse conseguido adormecer uns 20 minutos não teria suportado. O enjoo era de tal maneira que só queria fechar os olhos e aparecer em Peniche, já sentada no carro de preferência! A inclinação parecia uns 45 graus e lá pelo meio da viagem entram uns quantos que tinham ficado na parte de baixo exterior, espavoridos e encharcados até aos ossos porque as ondas lhes tinham passado por cima. Foi um pavor para o meu pobre estômago.

 

Chegados finalmente a terra só quisemos desaparecer de Peniche, bem bem depressa!!! E o pior, é que ficou aquela sensação de que tínhamos ido visitar uma ilha galinheiro sem nada de jeito. Não voltamos, certamente, nunca mais na vida! E se alguém me perguntar se deve ir eu digo que não! Nunca, jamais!

Ficam umas fotos, mas juro, que é a única coisa que se aproveita.... E não se deixem enganar pela paisagem.... é igualmente bonita em tantos outros sítios deste país, com menos caca e sem ser no meio do mar!

 

Berlengas

Berlengas

Berlengas

 

Berlengas

Berlengas

Berlengas

Berlengas

PS: o veleiro Santa Maria Manuela não era o nosso barco, mas quem dera! Ah ah ah!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


2 comentários

Imagem de perfil

De Angela a 03.10.2016 às 17:57

Também passei por essa experiência quando fui às Berlengas há uns anos: começou mal quando o senhor do barco à entrada dava uns saquinhos pretos para o caso de precisar! Foram as piores viagens de barco que fiz. Também achei que haviam muitas gaivotas, mas dava perfeitamente para andar nos trilhos. Na praia também estivemos sem grandes problemas, mas ajuda o facto de ter sido durante a semana. E gostámos muito da visita às grutas. Mas concordo: voltar às Berlengas..não me parece que aconteça! :)
Imagem de perfil

De Catarina a 04.10.2016 às 09:30

Ah verdade! Esqueci-me do famoso saco preto :D deu-nos bastante jeito para guardar o lixo enquanto andávamos pela ilha... quando voltámos já não o tinha e foi quando quase precisei!!
Pois, um dia de semana deve ser bem diferente do que um sábado de agosto!

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D