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Hasta luego

por Catarina, em 07.12.18

Nota: Escrevi este post a 17 de Outubro e guardei-o para ter tempo de juntar algumas fotos. Hoje lembrei-me que seria interessante publicar antes que o ano acabasse!

 

Hoje de manhã vinha no carro a caminho do trabalho e precisei de um lenço de papel; até aqui nada de novo, já cheguei àquela altura do ano em que o nariz tem vida própria. Procurei nos bolsos do tapa chuva que não vestia há meses, mas em vez de um lenço encontrei um cartão de um estúdio de cerâmica e dois bilhetes rasgados.

Só então percebi que o tapa chuva ficou intocado desde Madrid, e lembrei-me de fazer um wrap up dessa viagem. Já não está tão fresco na memória, mas o essencial está cá!

Fomos a Madrid nos finais de Maio e no regresso aproveitámos o feriado de Junho para esticar até ao Alentejo.

Madrid nunca me chamou muito, confesso. Não era cidade que me entusiasmasse e que tivesse no princípio da lista, mas acabou por ser um impulso com final feliz.

 

Pedi algumas dicas aqui e ali e li um pouco sobre a cidade, mas fui para lá com poucos planos o que tinha o mix de receio e liberdade!

 

Escolhemos um hostel perto da Porta do Sol o que foi uma óptima aposta, não pelo hostel (nada mesmo) mas pela localização. Chegámos a pé a todos os locais que queríamos ver, ainda que vir do aeroporto tenha sido um longo caminho de troca de linhas de metro! Há que dizer que foi muito fácil conseguir orientarmo-nos no metro, estava sempre claramente indicado e nunca nos sentimos perdidos nem precisámos de parar a inspeccionar placas e mapas.

Isto acabou por ser uma constante durante a viagem, não sei se fui eu que relaxei mais mas senti-me super à vontade na cidade, como se fosse um local por onde já tivesse passado apesar de só ter estado em Barcelona.

Tirando o último dia, de chuva, tivemos imensa sorte com o tempo e apanhámos um sol super acolhedor. No dia em que chegámos quisemos logo aproveitar o tempo e fomos ao Palácio Real. Nesta altura do campeonato já levo uns quantos palácios na bagagem portanto achei bonito mas não fiquei boquiaberta, nem perto.

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Sabia que queria ver pelo menos dois museus do "trio" e acabei por conseguir mas se fosse hoje, acho que teria feito as coisas de forma diferente. Os preços são um "no go" pela certa, especialmente o Prado é caríssimo! Já sei, é enorme e tem muita coisa, mas não deixa de ser um rombo no orçamente, e para além disso, com a prática que tenho de museus de arte não devia ter caído na esparrela; Passo a explicar: este é o tipo de museus que não conseguimos ver a fundo nem que tenhamos uma semana só para o ver, é o tipo de espaços para ser consumido com calma, durante muito tempo, em visitas frequentes. Isto é válido para outros tantos, mas especialmente para estes, com dimensões muito acima da média, não-sei-quantos pisos, salas, saletas e salinhas. Não se vê numas horas, não se vê num dia, não se vê em dois. É como uma enciclopédia, não a lemos de uma só vez, vamos lendo; Já vivi isto noutras cidades com outros espaços e ainda assim deixo-me sempre levar pelo entusiasmo... Fomos na hora em que a entrada era gratuita, mas se tivéssemos pago o bilhete seria o mesmo. O espaço é interminável e quem quer também desfrutar da cidade invariavelmente vai querer ver, mas com o tempo contado. Foi o único momento em que me senti perdida, sem saber por onde conduzir a visita. Acabei por seleccionar alguns quadros que gostava de ver ao vivo, especialmente porque os estudei, orientei o M. por aí, e saímos sem olhar para mais do que uma meia-dúzia de quadros. Não me arrependo da visita claro, apenas de não me ter preparado antes para um embate que para mim já era expectável! 

Em comparação a experiência no Museu Rainha Sofia foi melhor, consegui orientar-me mais facilmente e desfrutar mais. 

Ainda entrámos no Caixa-Fórum, que a propósito fica numa zona da cidade bastante gira, com um cheirinho a Bairro Alto, mas sei que o M. já deitava arte pelos poros portanto cingi-me à zona acessível e à loja do museu.  Eu tenho esta pancada por lojas de museus, vejo-as sempre, adoro! Aí perto ainda apanhámos uma feira do livro de rua.

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Num dos dias o nosso único plano matinal era ir ao Parque do Retiro; Explorámos um caminho novo e acabámos na Praça Cibeles, em frente ao Palácio Linares. O edifício chamou-nos a atenção, entramos para perceber o que era e acabámos por comprar bilhetes para a visita guiada em castelhano, que se percebeu lindamente. Se o edifício por fora é interessante, a visita vale tudo mesmo! É lindíssimo, e foi todo restaurado; como disse antes, já não é fácil impressionar-mo-nos com palácios, mas este foi de deixar o queixo caído no chão. Magnífico. Mesmo.

Durante a viagem tivemos a sorte de ir encontrando mercados de rua sem andar necessariamente à procura. Nesta praça foi um desses, de onde trouxe uns brincos em cerâmica, e de onde poderia ter trazido montes de coisas, mas contive-me. Encontrei hoje o cartão do "Studio Cramik", e embora não me lembre se era a autora dos brincos ou não, se o trouxe foi porque valia a pena!

 

O Parque do Retiro é um passeio super agradável, especialmente num dia de sol como tivemos a sorte de apanhar. É enorme, e apesar de ter muita gente não sentimos a multidão, a não ser na zona do palácio de cristal. Ali perto, mas fora do parque, almoçámos num restaurante que não hesito em recomendar porque comemos super bem, comida saudável e saborosa: Expressio. Pode soar a café, mas garanto que vale o almoço!

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Depois de uma série de más experiências em Barcelona a comida era algo que eu temia ali, mas fiquei agradavelmente surpreendida. Um dos melhores sítios para petiscar acabou por ser uma tasquinha ao pé do hostel, na verdade era mais um tasco, mesmo com ar de tasca, bancos de madeira, chão por varrer... mas comemos tão tão bem, e no final descobrimos um Português na cozinha! Chama-se "La oreja de jaime"! Em compensação, a "La casa del abuelo" que fica mesmo em frente e tem uma decoração toda gira não vale um caracol (fica a dica!). Outro spot para petiscos com um ambiente mais cuidade é o "Tapa Tapa" na Calle del Arenal. Quem estiver por aqui não pode perder os churros na "Chocolatería Churreria 1902"! Outro que me caiu no goto foi o "Jardin Vertical", uma cadeia de cafés/pastelaria; Na Calle de la cruz, bastante perto do nosso hostel ficava um onde tomámos pequenos almoços muito bons. Os espaços são super bem decorados. 

 

As ruas em volta da Porta do Sol são recheadas essencialmente a restaurantes, bares de tapas e lojas. Não fizemos muitas compras, só perdemos a cabeça na "Alpergatus" que aconselho a quem, como eu, poderia viver de alpercatas o ano inteiro! O El corte inglés ali perto também serviu para fugir à chuva na manhã do último dia.

 

Por falar em compras, quem aprecia mercados não pode perder o de El Rastro. É um mercado de rua, ou antes de ruas, porque se estende quase desde a Plaza Mayor, pela Calle de la Ribera de Curtidores, uma rua enorme, e só termina lá bem no fundo, numa zona totalmente diferente daquela em que começamos! O Mercado de San Miguel também vale a pena ver, é mais apreciado para petiscar na happy hour, o que não conseguimos experimentar.

 

Na última tarde demos uma volta de despedida e perto da Ópera tivemos a sorte de ver um grupo de bailarinos a dançar sevilhanas...foi muito giro, principalmente porque eram todos seniores e dançavam que se fartavam, vestidos a rigor!!!

 

 

 

 

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Descobertas

por Catarina, em 06.12.18

Quando comecei a ver a série "3 Mulheres" da RTP, de que já falei aqui, relembrei os tempos em que vi o Conta-me como foi, uma série que me marcou, e deu-me vontade de entrar no espírito e relembrar a música da época. 

Embora algumas músicas já me fossem familiares, de José Afonso, Sérgio Godinho e José Mário Branco, confesso que mergulhei num mundo que não esperava. Descobri muito mais músicas com letras perfeitas que superam para mim algumas das mais conhecidas. Posso dizer que na malfadada viagem de comboio até à Covilhã o que me safou de enlouquecer foi mesmo o spotify a rodar todos os álbuns de Sérgio Godinho! 

Uma coisa que acontecia com as letras de antigamente era que havia ali muito trabalho para se conseguir dizer o que se queria e furar os filtros apertados da censura. Por isso os poemas me despertam tanta curiosidade, porque estão recheados de metáforas e segundos sentidos, alguns dos quais só alguém que viveu a época consegue deslindar, porque se lembram de acontecimentos que justificam esta ou aquela analogia. Acho isto perfeito.

Hoje em dia sinto que a música portuguesa perdeu metade do seu efeito, se comparar com esta época, e apenas identifico um cheirinho disto em algumas músicas do Tiago Bettencourt.

É sempre bom descobrir mais sobre a nossa identidade e foi isso que senti ao mergulhar num pedaço de história que são as canções de intervenção!

 

 

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Compras com cabeça

por Catarina, em 05.12.18

Nos últimos anos aproveito sempre a black friday para qualquer coisa, especialmente para aquelas prendas de natal que já tenho escolhidas e que portanto aproveito um descontinho, seja lá qual for!

 

Normalmente compro online, porque não sou fã de confusão nem multidões e deixam-me ansiosa e claustrofóbica.

 

Este ano aproveitei para despachar duas prendas para oferecer, e uma outra para a minha avó me oferecer a mim (sim porque a minha avó gosta de dar “coisas” e não só dinheiro, gosta que haja qualquer coisa palpável a passar de uma mão para outra). Não resisti a mais duas peças de roupa que davam jeito e de resto fechei a loja. 

 

Por acaso nesse fim de semana aproveitei para fazer uma encomenda há muito adiada mas que não teve nada a ver com a black friday! Numa conversa com colegas há uns meses descobri a Saponina, uma marca de produtos de higiene 100% natural desenvolvida pela Liliana Dinis. A filha da Liliana tinha uma pele atópica e fazia alergia a todos os cosméticos recomendados pelos dermatologistas, o que a impulsionou a criar sabonetes ricos em azeites e manteiga naturais e mais tarde alargar a produção a outros produtos. Mais do que isso desenvolveu uma consciência ecológica da marca e procura criar tudo em versão sólida para assim reduzir o recurso a embalagens de plástico contribuindo para um planeta mais sustentável. (Recentemente encomendei alguns produtos naturais num site, mas depois apesar de todo os cuidados deparei-me com um sem fim de embalagens de plástico, e senti-me algo defraudada e desiludida comigo mesma porque me tinha escapado esse pequeno grande pormenor!)

 

Assim que contactei a primeira vez para saber mais alguns pormenores percebi imediatamente que isto não era só mais uma marca, era "A" marca desenvolvida com mais carinho e mais cabeça que podia imaginar. Transborda nas comunicações que faz o empenho e a dedicação, e é algo que se sente, não se explica.

 

Aproveitei a encomenda, e para além dos produtos que queria experimentar mandei vir 3 que serão para oferecer no Natal. Os preços são acessíveis, e a ideia de oferecer aquela “lembrança” a alguém, que acabamos por despachar com uma vela ou uma “cena” qualquer numa grande superfície para ficar barato, deixou de me fazer sentido, se tinha uma alternativa à mão tão simples e tão mais significativa. 

Mais ainda, esta é uma compra sustentável pois é dinheiro que fica na nossa economia, como se tivesse comprado num comércio local, e assim acaba por ser uma forma de ajudar os produtores e as economias locais!

Ainda não posso falar dos produtos em si porque a encomenda ainda não chegou, mas vejam o catálogo aqui e digam se não é de babar...

 

Este ano quero tentar, à excepção das "encomendas" já previstas, comprar o máximo de prendas em comércios locais, e não estou nada mal, até agora diria que 50% das prendas que comprei foram assim, o que em relação a outros anos é um avanço e tanto!

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Random days

por Catarina, em 28.11.18

Coisas mais ou menos interessantes dos últimos dias:

 

Domingo passado fui ao ginásio de manhã!

Acordei cedo, fiz um pequeno almoço que dava para alimentar um pequeno potro, peguei no saco e aí fui eu… Voltei ao treino individual que já tinha experimentado na segunda feira, mas desta fiz uns atalhos à minha maneira num exercício que não gosto muito e noutro que tinha as máquinas ocupadas; descobri que há montanhas de gente que vai ao ginásio ao domingo… me-do, isto pega-se?

Descobri que gosto de fazer passadeira; claro que faço a andar, não sou capaz de correr mais do que uns 10 metros, e tem de ser para apanhar o metro ou algo do género! Com a talassemia a minha capacidade de resistência fica francamente comprometida, mas pode ser trabalhada para qualquer coisa melhor que isto já que o meu estado normal é subir uma rua com os pulmões quase a sair! Ainda assim gosto daquela forma “confortável” de me mexer e foi bom descobrir algo que gosto ali!

 

Vim parar a um projecto novo da minha equipa e portanto mudei de spot. Deixei o oriente e vim parar ao centro o que tem vantagens e desvantagens… Por um lado sabe-me bem variar de local, de vistas, de pessoas e de trabalho! Por outro tive de passar a deixar o carro em casa depois de no primeiro dia ter pago uns modestos 17 euros em estacionamento! Vendo o lado positivo já que daqui não consigo ir ao ginásio facilmente pelo menos ando um pouco a pé.

O projecto em si é meio relâmpago, primeiro tinha uma data, depois reduziu um mês no prazo e andamos um pouco a cortar caminho para ver se chegamos onde queremos. Como estou mais sozinha estou a aproveitar para pôr em prática as técnicas de gestão que fui lendo no guia de que falei outro dia! (a ver se aprendo mais umas coisas!)

 

Sexta feira não trabalho, meti o dia de férias e vou até ao Porto fazer a minha visita anua da praxe pré-Natal, literalmente Natal! Vou já levar prendas e andar de jantar em almoço, o que não é nada mal pensado ficar já despachado no início do mês!

 

Consegui voltar a apanhar o bichinho da leitura com um livro da Sveva Casati Modignani, que é uma das minhas autoras preferidas, embora confesse que a história em si está um pouco há quem das expectativas que tinha. Ainda assim dá para manter algum ritmo, e para dormir quase à 1h da manhã…o que não é muito positivo mas enfim.

 

Agarrei no tricô com unhas e dentes! Resolvi fazer um cachecol para o M. e já o levo a mais de meio; para garantir que não faço asneiras conto as malhas todas no final de cada linha..quarenta e uma. Não perco muito tempo e fico mais descansada; agora é não perder o ritmo porque é para oferecer no Natal, e ainda me falta quase meio cachecol, e…..tenho mais ideias de coisas para fazer!

Ganhando o jeito e o gosto, já não dá para parar; É continuar!

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Pela ponta dos cabelos

por Catarina, em 21.11.18

Desde o verão que no que toca a trabalho o meu estado normal passou a ser "debaixo de água" como dizemos entre nós; a nossa equipa ainda é pequena, e temos "clientes" dentro e fora da empresa, o que resulta em muito trabalho para poucas mãos, e normalmente pouco tempo. Para além disso vi-me rapidamente a passar a ser uma das pessoas com mais tempo de "casa" e embora sinta que ainda tenho muito a aprender, já estou numa fase em que quem vê de fora parece que atingi o nível senior, o que não é verdade.

 

Passou a ser normal ter dois ou três grandes projectos ao mesmo tempo, e confesso que andar a ligar e desligar a ficha constantemente me chateia solenemente.. Ora uma semana aqui para fazer isto, ora outra ali naquele projecto para fazer aquilo, e depois na outra começar um projecto novo. 

 

Pelo caminho vamos contratando gente nova, mas ainda juniores que precisam de apoio e acompanhamento; é algo que descobri que gosto de fazer, e que estou a aprender também... basicamente não é dar o peixe mas sim ensinar a pescar, e quem procura fazer os outros evoluir sabe que dá mais trabalho do que parece.

 

Apesar de gostar dos desafios, e de todos os meus projectos, sinto que de três em três semanas preciso de férias! E isso não é muito bom para a produtividade..

Percebi entretanto que precisava de aprender outras coisas, como gestão de projectos, para poder auto gerir-me e ajudar outros. Tenho imensa vontade de aprender, esse tema não é novo por aqui, e é frequente procurar cursos, workshops, formações etc.. Gostava muito de conseguir conciliar mais formação com o trabalho, mas a este ritmo está impossível, nem o curso que estava a fazer online no Interactive Design Foundation consigo avançar a um ritmo decente.

Fico minimamente feliz quando consigo num dia ir trabalhar, ir ao ginásio, adiantar o tricô e ler antes de dormir...sendo que ao dormir é onde roubo algum tempo!

Neste momento é o meu máximo.. não estica mais, mas eu gostava que esticasse.

 

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A preguiça foi ao ginásio

por Catarina, em 14.11.18

Depois da resolução mais inesperada de todos os tempos dei por mim com, literalmente, a "chave na mão" para ir ao ginásio quando quero.

O primeiro problema é que acho que nunca quero realmente; eu quero ir, porque preciso, porque me faz falta, e porque estou a pagar. Mas depois não quero fazer concessões, não quero mudar muito a rotina, e todos os dias há qualquer coisa que me faz dizer "vou antes amanhã".

Ora na primeira semana isto resultou em que fui lá só uma vez a sério; Escolhi uma aula de yoga de nível 2, e saí-me bastante bem para uma lontra que estava parada há uns meses. No dia seguinte, sexta feira, doía-me muita coisa...nada que uma viagem de comboio não massage! (piadinha!!!!) Claro que não é bem o mesmo que uma aula de yoga em estúdio, com velas aromáticas, e música daquelas que nos põe a dormir num minutinho, mas serviu perfeitamente para o efeito que queria, que era trabalhar alguma musculatura. 

Na segunda feira tinha ido à consulta de nutricionista e ao teste de...qualquer-coisa-a-ver-o-com-o-nível-de-oxigénio-que-o-corpo-consome-em-esforço, e sem surpresas descobri que tinha muuiiiito mais massa gorda que muscular, a par de uma falta de água neste corpinho épica! Também fui de caras, sem pensar em preparar-me minimamente, tendo em conta que tinha vindo do Alentejo na véspera, local onde se comem boas iguarias! Está tudo dito!

Esta semana o meu compromisso é ir duas vezes, uma aula de pilates e um treino sozinha, naquelas salas cheias de maquinaria estranha que me lembram vagamente objectos de tortura... Não consigo explicar o quanto me intimida esta parte do ginásio, mas é uma cena assustadora! Aquilo dá-me arrepios, acho que me vou sentir super desenquadrada, mesmo peixe fora de água a sufocar! E sim, sei que há lá pessoas para me ajudarem, mas não é menos intimidativo por isso.

Portanto, tenho de ganhar coragem e ultrapassar a barreira rapidamente, antes que aquilo se transforme num papão e me dê crises de ansiedade!

 

Ilustração aqui

 

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Uma aventura na linha do interior

por Catarina, em 13.11.18

No fim de semana passado fui visitar o M.! Há alguns meses atrás a vida profissional pediu uma mudança, e essa mudança implicou 400km, mais coisa menos coisa, entre nós. Até agora tinha sido sempre ele a vir cá abaixo, então resolvi eu experimentar ir lá acima.

Como não me encantava a ideia de ir sozinha de carro, até porque ia ao final do dia e era uma estopada a conduzir, resolvi-me pelo meu meio de transporte favorito para estas ocasiões, o comboio.

Comprei os bilhetes com alguma antecedência e ficaram bastante baratos. Marquei o intercidades até Castelo Branco na ida (para chegar a horas de jantar minimamente razoáveis) e no regresso iria apanhar o dito na Covilhã. 

 

Como o frio tinha apertado ia levar um saco a mais com roupa mais quente para ele, para além do meu saco, portanto quando cheguei na sexta ao fim do dia à Gare do Oriente parecia um lutador de sumo. Nunca gosto de levar malas com rodas porque acho que é pior andar a subir e descer do comboio com elas, e a Gare do Oriente para mim é a pior estação da história em termos de acessibilidade.

À hora certa, honra lhe seja feita o comboio surgiu na plataforma, mas quando olho para ele ia-me caindo tudo ao chão…. já tinha viajado no intercidades, vinda da Guarda ou do Porto, ou seja na linha do litoral, de forma que não me passava pela cabeça que a designação “intercidades” naquela linha se convertia num comboio que mais parecia um regional ou sub-urbano! Ainda pensei que me tivesse enganado no comboio, ou na linha, ou qualquer coisa, mas rapidamente verifiquei que não. Na atrapalhação não vi o nº das carruagens e entrei ao calhas, parecendo uma embalagem de sacos com pernas, achando que lá dentro podia identificar a carruagem certa. Bingo! 2º erro da noite! Não se percebia a ponta de um corno da informação dentro da carruagem, a sinalética era uma miséria e dei por mim a passar carruagens para o lado errado, e a voltar para trás, quase aos tombos. Escusado será dizer que passar carruagens naquela coisa é um problema só. Achei que teria de ser um verdadeiro lutador de sumo para abrir o raio da porta! Por fim encontrei uma carruagem cujo número não batia com nada (que novidade…) mas que dizia primeira classe, procurei o lugar com o meu número e sentei-me, algo surpreendida por a carruagem estar vazia, apesar das outras circularem cheias…

Continuei a pensar que me tinha enganado no bilhete, fui à net confirmar, mas tudo batia certo.. Menos o aspecto do comboio, a falta de conforto dos bancos, as luzes fortíssimas na minha cabeça, o tremelique constante do bicho que mais parecia que viajava numa trituradora com rodas quadradas.

 

Uns 40 minutos depois apareceu um revisor; depois de lhe mostrar o bilhete perguntei: “este comboio é o intercidades certo?” (achando que ele me ia dizer que por engano tinha entrado no regional) ao que me disse que "sim, era o intercidades"; Depois perguntei se estava no sítio certo, porque tinha entrado ao calhas, e disse-me que não, que a minha carruagem era a 1, e estava a viajar na 4, que era na mesma a dita 1ª classe, portanto para estar descansada que podia ficar ali… Depois acrescentou “sabe nesta carruagem nem viaja aqui ninguém, é que ela não aparece no sistema para reserva de bilhetes”. E eu pensei para mim “Boa! estou na carruagem fantasma, do comboio do terror!!! Não podia melhorar...”

 

Talvez importe esclarecer que sou pessoa de estômago frágil, que enjoa com demasiada facilidade, e aquelas três horas de abanões e sobressaltos deram-me cabo dos nervos, só pensava que no domingo o regresso seriam 4h e estava em pânico. 

 

Quando finalmente cheguei respirei de alivio e durante o fim de semana resolvemos que o M. me levava novamente a Castelo Branco para o regresso, e assim eu poupava 1h de viagem. (Isto depois de recusar que ele me trouxesse de carro a Lisboa, tal foi o ar de morta com que lá cheguei...)

 

Só que não! Com todo o meu azar domingo foi um temporal só, e apesar de só ter apanhado o comboio em Castelo Branco levei na mesma 4h de viagem porque havia “problemas na sinalização”, o que fez o comboio andar super devagar o tempo todo. Por um lado a velocidade passou a ser à prova de enjoos, por outro não sei o que foi melhor, se a viagem para cima a horas e aos solavancos, se a viagem para baixo, a 10 à hora, com a porta da casa de banho ao meu lado sempre a bater no trinco durante 4h. Isto sempre chovendo torrencialmente, o dia escuro como breu, e uma paisagem aterradora para o tempo que estava, que me dava a sensação que preferia não ver o exterior quando passava no fundo de encostas escarpadas, em túneis e pontes sobre cascatas… lindo, para um dia de sol.

 

A viagem foi basicamente um pequeno inferno sobre carris, numa altura em que o tema dos comboios está tão em alta fiquei a perceber na pele o que é sair do litoral e encontrar tanta falta de condições. Há que dizer que apanhei dois revisores muito simpáticos, portanto o mal não está claramente nas pessoas, mas sim nas condições com que trabalham.

 

Quanto ao homem, está-me a viver numa aldeia que mais parece um postal de natal, fria comódiabo (e estando a chover posso garantir que não foi o auge do frio, e ainda assim era bastante frio), mais ou menos feliz…. bem, não era bem isto que tínhamos em mente quando ele resolveu ir e eu apoiei. Agora é aguentar, andar para a frente, cara alegre, e descobrir outra forma de chegar ao fim do mundo que não envolva a linha da beira!

 

Ah, e até 2019 é ele a voltar a Lisboa, porque eu preciso de me recompor desta desgraça!

 

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O dia em que desisti de um livro

por Catarina, em 09.11.18

Desde pequenina ganhei o gosto pela leitura que a minha mãe sempre cultivou lá por casa. 

Em miúda, adolescente, li tudo e mais um par de botas, todas as colecções infantis, depois as juvenis, depois ficção para adultos, pelo caminho harry potter, enfim, tornei-me uma leitora compulsiva, e ligeiramente obsessiva pois mesmo quando não estava a gostar de um livro obrigava-me a ir até ao fim, não aceitava desistir. Durante muito tempo fui assim... não interrompia livros, lia só um de cada vez e nem pensar em não o acabar. Depois fiquei mais flexível, até podia às vezes interromper durante algum tempo mas sabia que voltava, e essa sensação de acabar, é quase uma conquista.

 

No fim de semana passado, na paz do Alentejo levei dois livros para ler, um mais técnico e outro de contos. E acabei a ler apenas o técnico, porque do outro "O que sabemos do amor" de Raymond Carver, enchi a paciência e recusei-me a acabar de ler.

 

Soa um pouco a derrota, mas desde o princípio que não me identifiquei com o o livro; Li poucos livros de contos, e achei que era por estar menos familiarizada com o formato que estava a estranhar... mas a verdade é que não ia lá nem por nada. Os primeiros achei chatos, tive apenas um ou dois momentos no livro todo em que senti uma ponta de entusiasmo pela história, em que desejava que o livro fosse só aquela história; Depois o mal estar cresceu... alguns contos deixavam-me triste e deprimida, e não leio só histórias felizes, da mesma forma que não vejo só filmes de comédia, mas estas só me estavam a deixar desconfortável. Algures depois de meio do livro, depois de um conto que até começou bem e que descambou violentamente desisti. Disse "chega, não leio mais isto" e arrumei com o livro. Aliás ainda pensei em fingir que me esquecia dele em algum canto do Alentejo, mas acabei por regressar com ele e atirá-lo para o fundo da estante. 

Deixa-me algo triste, porque se há coisa que gosto é de reler livros, isso mesmo, reler. Quando gosto do livro é releitura garantida muitas e muitas vezes, por isso quase nunca dei livros nesta vida, e agora tenho um elefante no quarto ao qual não sei o que fazer... Talvez o doe para uma rifa ou uma feira do livro em segunda mão. Mas não sou capaz de o oferecer, depois da minha tão fraca experiência com ele, seria como oferecer um presente envenenado!

Fiquei-me pela leitura mais técnica: Guia HBR de Gestão de Projecto, que por acaso dentro do género livro técnico está bem leve, e fácil para quem começa no tema! 

Fecha-se uma porta mas abre-se a janela 

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3 Mulheres

por Catarina, em 08.11.18

Sempre gostei de história, e de histórias, mas há uma parte da história que me é mais próxima, quase como se fosse mais real.

Não a vivi, mas sempre me causou imensa curiosidade e sempre procurei saber mais e mais sobre o fascismo em Portugal, e naturalmente sobre a revolução.

 

 

Atrai-me que seja uma história ainda muito viva nas vozes, é ainda muito fácil encontrar quem a tenha vivido, quem se lembre de... coisas!

Quando a série do "Conta-me como foi" foi feita eu devorei com a minha mãe todos os episódios, e comentei outros tantos com a minha avó; Era e é muito fácil fazer o paralelo daquela série para as vidas reais. 

Há umas semanas descobri uma nova série, também na RTP 1, "3 Mulheres", que conta a história de Natália Correia cruzada com as de Snu Abecassis e Vera Lagoa (pseudónimo de Maria Armanda Falcão). A série começa no ano negro de 1961, um ano marcado pelo início da Guerra Colonial, pelo assalto ao Santa Maria, pela Revolta de Beja, resumindo, um conjunto de circunstâncias que fez aumentar a mão de ferro sobre o povo, e principalmente sobre o comunismo. Embora esteja ficcional a série assenta em personagens reais, cujas biografias vou pesquisando à medida em que vão aparecendo na série, como por exemplo José Manuel Tengarrinha, Dias Coelho e Margarida Tengarrinha, outra mulher cuja história poderia ser um dos papéis principais.

 

Acho a série muito bem feita, muito crua e real, e admiro todas as pessoas que viveram aquelas vidas, e outras que em tempos tão conturbados lutaram por aquilo em que acreditaram.

 

Cada vez mais os tempos pedem esta viagem ao passado, a ver se não repetimos os mesmos erros...

 

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Por estes dias

por Catarina, em 07.11.18

Já não é de hoje que sinto uma ligação visceral ao Alentejo.

Sei que tenho lá origens, sei que ainda lá tenho família, mas não sei se será por isso. Sei que a minha mãe lá esteve um ano a dar aulas, e que se tivesse decidido de outra forma a nossa vida eu teria crescido em Campo Maior, e hoje teria um sotaque cravadíssimo! Não sei se é por isso. O que sei é que é das viagens que mais gosto de fazer, assim que entro na A6 parece que algo faz mais sentido do que uns momentos antes. Gosto tanto da paisagem, das oliveiras despenteadas e dos sobreiros perdidos no horizonte, das planícies sem fim, das casas caiadas,... Gosto. Acho as pessoas simpáticas e francas, e embora perscrutem os forasteiros não se imiscuem nem se sente a cusquice a brotar das pedras da calçada.

Estes dias foram passados num verdadeiro paraíso: a Casa da Ermida de Santa Catarina. Assim de repente é a última coca-cola do deserto. Fica no alto de uma pequena colina, onde se vê o mais belo pôr-do-sol sobre o lago do Caia. É um espaço sossegado, genuinamente alentejano, uma casa linda, confortável e bem decorada, com uma zona envolvente espectacular. Serviu não só para descansar como para ponto de apoio aos nossos passeios entre Elvas, Campo Maior e Badajoz.

Mais uma vez não tive dúvidas, podia viver ali, podia respirar aquele ar, viver aquela calma, a falta de trânsito e de stress. Vim embora com a certeza de que volto, mais cedo, ou mais tarde, mas volto. Há um íman naquela terra que me aponta directo ao coração!

 

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