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O segredo do tempo

por Catarina, em 08.08.18

Quando entro de férias fico instantaneamente com “tempo”; no limite espero um dia ou dois, entre mudar de poiso e arrumar a tralha até estabilizar. Nesse momento fico com tempo e quero fazer tudo nesse tempo. Quero dormir até tarde e acordar cedo, tomar o pequeno almoço cedo e caminhar, cedo; Quero ir para a praia e para a piscina; Quero ler ao sol e à sombra, e quero dormitar como se tivesse tempo. Quero ir à água, dar braçadas, ficar de molho. Quero tudo, basicamente. Ainda quero fazer algum exercício ao final do dia, e também quero jantar cedo. Quero deitar-me tarde, escrever, ficar a ler, e no cúmulo levantar-me cedo no dia seguinte.

É um pouco ridículo que o facto de ter tempo acabe por me dar a sensação que o tempo não chega para tudo, e por mais que tente fazer tudo quanto meto na cabeça, algumas vezes sou forçada a escolher. Mas enfim, quando há tempo, a escolha não é mais do que adiar algo até daí a umas horas, ao dia seguinte. 

 

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Palavras quem ficam #2

por Catarina, em 07.08.18

”Também o casamento precisa de ser alimentado, mas faz sozinho o aproveitamento do que lhe damos. Às vezes adoece e tem de ser tratado com cuidados especiais. Às vezes os casamentos têm de ir às urgências. (...) Num casamento feliz, cada um pensa que tem mais a perder do que o outro caso o casamento desapareça. Sente que, se isso acontecer, fica sem nada. É do amor.”

 

”Uma coisa é tomar decisões; outra é cumpri-las. Tomar decisões é bom. Por isso é que tomamos tantas, como bicas. Tomar uma decisão mostra que não só estamos conscientes do que está mal nas nossas vidas, como sabemos a maneira de cortar esse mal pela raiz e, nesse mesmo espaço das nossas vidas, fazer crescer as flores de uma vida nova.”

 

”As pessoas, sejam se que sexo e sexualidade forem, compreendem-se mal. (...)

As mais apaixonadas umas pelas outras são as que menos bem aceitam as diferenças, as incompreensões, os dias zangados e as noites zangadas que apenas servem para nos relembrar que todos nós nascemos e morremos sozinhos. (...)

Os dias zangados são dias de amor. Ninguém se zanga por desamor. O amor sobrevive e continua, como vingança.”

 

In “Como é linda a puta da vida” MEC

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Palavras que ficam

por Catarina, em 06.08.18

“Às vezes encontramo-nos com a cabeça nas mãos. Tudo o que poderia ter corrido bem correu mal. O mundo, que era igual à vida, afasta-se de repente. Distancia-se e continua a existir, como se nada tivesse a ver ou a haver connosco, como se fizesse questão de mostrar a independência dele, mundo, que não existe só porque nos damos conta dele.”

 

”As circunstâncias mudam, as surpresas fazem parte da ordem das coisas e, às tantas, deixa-se de poder pensar ou agir de maneira linear, como quem tem ou não tem; como quem já passou ou ainda vai passar por uma fase; como quem sabe ou consegue adivinhar o que vai acontecer.”

 

”Não se aproveita a fila para fazer telefonemas. Isso tira qualidade aos telefonemas e desprimore o próprio tempo; desrespeita a nossa vida. Faz-se um telefonema como se estivéssemos em casa, com vontade de falar com um amigo.

O pior é que este aproveitamento já deu origem a tantos telefonemas de segunda que já não têm salvação. Ouve-se o ruído do motor e pensa-se logo que aquela pessoa só nos está a telefonar para aproveitar um tempo morto.”

Não há tempo morto. Nem há falta de tempo. Há o tempo e a ausência de tempo. O tempo é a vida. A ausência de tempo é a morte.”

 

in “Como é linda a puta da vida” MEC

 

 

Coisas para matutar nestes dias, quando há espaço disponível no cérebro!

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Sabor a férias

por Catarina, em 05.08.18

Ontem rumei ao oeste para duas semanas de vida Santa!🐚

 

Saí de Lisboa com 43 graus....entrei na a8 com 44; ainda apanhei uns sufocantes 45 até chegar ao meu paraíso e ver o termómetro a baixar até aos 27. Eu gosto de calor, que gosto, mas daquele em que se consegue viver e respirar, do sufocante nem tanto.

 

O lado positivo foi que nem a água gelada destas bandas me impediu de ficar de molho o máximo tempo possível, entre rochas e “pocinhas” de água, tal qual uma lula (e branca como a  dita). Por estes dias espero conseguir pôr a leitura em dia, de preferência deitada na areia, entre o bronze e a sombra. Hoje comecei a ler o “Como é linda a puta da vida” do Miguel Esteves Cardoso, de quem já tinha lido algumas crónicas no Público, e estou a adorar a escrita. Consegue transmitir uma profundidade de sentimentos de forma leve e divertida, mesmo no pior dos temas. Tenho o pressentimento que vou devorar o livro, que é algo que não faço há algum tempo, e que me entusiasma bastante; ultimamente tenho deixado muitos livros a meio, que era algo que há uns anos atrás me dava nervoso miudinho e nunca, mas nunca fazia! Ao mesmo tempo, há umas semanas mergulhei novamente no mundo da Jane Austen, mais precisamente num livro que tem as obras principais compiladas, e que pesa o mesmo que um tijolo e portanto não vai à praia!😅 

 

São só duas semanas, e não vai dar para tudo o que gostaria, mas pelo menos dá para desligar!

 

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Milkshake

por Catarina, em 02.08.18

Ultimamente sou um milkshake.

 

Se calhar não é só ultimamente, sou um milkshake durante uma grande parte do tempo. Nos últimos dias os ingredientes é que estão mais confusos e baralhados.

É mais ou menos como estes dias de Verão, ora faz frio e chuva, ora chega Agosto com todo o seu esplendor para nos assar a espinha. 

 

O meu milkshake por estes dias tem ansiedade de férias, de me ver livre do trabalho e das obrigações, mesmo que seja apenas por duas semanas, e saiba que quando voltar vai continuar a ser em força.

 

Também tem incerteza, litros delas, sobre tudo o que respeita essencialmente o lado pessoal. É sim? É não? É verde? Amarelo? Rosa-choque? É choque, de mudanças certamente. 

 

Com estas vêm uns pedaços de angústia, sempre que os pensamentos se demoram muito pelas bandas da incerteza. Faço? Não faço? Digo? Não digo? Vou? Não vou?

 

Depois para baralhar as coisas vem uma pitada de sentimento de calma, de fim à vista de um dos grandes problemas dos últimos tempos...tema: casa. 

 

Junta-se mais um copo de felicidade, de uma espécie estranha, que não me parece que jogue bem com os outros ingredientes. Nem sei se é felicidade, acho que é mais um sentimento de satisfação, com a resolução de algumas coisas, e com a liberdade tosca que voltei a sentir. Liberdade para ir, vir, decidir, fazer. A liberdade de quem pensa mais a um do que a dois, a liberdade de quem se sente solto, de quem não tem muitos planos para cumprir e que pode começar a desenhar a vida de novo.

 

A polvinhar isto vem aquela tristeza, que dói ali em cima do estômago, que vem acompanhada de falhanço, de tiro ao lado, de erro; Tristeza de quem não sabe o que fazer com a incerteza, com as dúvidas, com a ansiedade, a angústia e com aquele resquício de satisfação mal explicado e pior compreendido.

 

Como diz a minha pseudo-sister: "vai de férias, não penses nisso agora, deixa para depois; e enquanto isso, não o trates muito mal!!"

 

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Sister from another mother

por Catarina, em 30.07.18

A minha L. é a minha irmã de outra mãe; 

 

Mais parecida com a minha mãe e teria de ser filha biológica!!

 

Fisicamente, somos parecidas, psicologicamente, também.

Aquilo em que diferimos é também o que nos dá perspectivas diferentes, e o que faz esta relação a três: mãe (a minha, nossa), eu, ela, e outra mãe por vezes (a dela, quando a geografia permite) uma coisa poderosa, que não conseguimos de outra forma. Nem por encomenda seria possível juntar estas peças do puzzle tão bem feitas para encaixar umas nas outras.

 

Quando preciso de um conselho da minha mãe, mas não me quero dirigir à própria por algum motivo, é a ela que recorro. Tem muito da minha ("nossa") mãe, mas numa visão mais fresca, e mais intermédia comigo, sem o vinco tão marcado que a minha mãe por vezes tem. 

 

Na sexta feira tinha a "tampa" do bidon emocional a saltar; Liguei-lhe, tivemos aquelas conversas que só nós sabemos ter, com as nossas brincadeiras, metáforas, e "fantasmas" do passado só conhecidos a este trio!

Escutei dois conselhos sábios, e segui os dois. Juntei mais uma pitadinha minha, para temperar a gosto, e acho que encontrei um bom caminho para lidar com o caos, pelo menos a curto prazo.

 

Esta irmandade é do coração, não do sangue, e vale ouro!

 

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Workplace

por Catarina, em 27.07.18

Depois de dois dias a trabalhar remotamente em casa, voltei ao escritório hoje e descobri uma playlist dos anos 90, daquelas que nos faz vibrar com todas as músicas da adolescência!

Conclusão, passei o dia a abanar-me na cadeira feita tonta, como se tivesse bicho carpinteiro... podia ter descoberto isto ontem, mas não era a mesma coisa suponho!

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Distância

por Catarina, em 24.07.18

Intervalo entre dois pontos, dois lugares, dois objectos;

Grande diferença;

Afastamento;

Posição de pouco ou menos envolvimento emocional ou afectivo;

 

Tornar ou ficar afastado temporalmente;

 

Física, Geográfica, Emocional.

 

 

Não me lembro de quando deixei de pensar a um e passei a pensar a dois; Não sei quando deixo de pensar a dois e volto a pensar a um, mas já me vai acontecendo.

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Mais da vida

por Catarina, em 20.07.18

Eu adoro o meu trabalho; Mesmo nos dias mais cinzentos, em que os prazos se atropelam e o stress me consome, eu adoro o que faço e sinto-me uma sortida por isso.

Para além disso, gosto da minha segurança, gosto de estar em casa, gosto de ter a família e os amigos perto. 

Mais para além disso, também gosto de viajar, também tenho vontade de conhecer outros lugares, outras culturas; Tenho curiosidade de como será viver noutro país, como seria ficar sem a minha “estratosfera” pessoal.

 

Quando era miúda, e fazia planos na minha cabeça, ou brincava à vida de crescida, imaginava que com 28 anos já teria desfilado até ao altar, e já teria um filho nos braços, ou dois. 

Claro que conforme cresci essas ilusões desfizeram-se, e nos últimos anos nada disso me passou nem perto da vontade.

 

Hoje em dia já questiono tudo novamente; Quando à minha volta vejo todos a casar, a ter filhos, a comprar casas, etc… e eu olho para mim e penso se estou realmente como queria. Por um lado sei que sim, não hesito um segundo na resposta; Mas há sempre outros lados que nunca estão bem onde queremos que estejam.

 

Ultimamente dou por mim a pensar numa nova vertente… e se, tudo aquilo porque lutamos na vida afinal não é o mais importante? E eu sou muito suspeita, porque adoro viver com o meu monte razoável de coisas, mas sei que é possível viver com bem menos… só nunca foi o meu objectivo. Mas penso, na melhor das hipóteses daqui a alguns anos compro uma casa, e fico hipotecada a ela, isso se não comprar um carro antes; Adoro o meu trabalho mas na melhor das hipóteses viajo duas vezes por ano, e há muito mundo para descobrir… quando o vou fazer? 

Sei que não tenho o espírito certo para estes planos, mas e se largasse tudo enquanto não tenho amarras maiores e fosse dar uma volta? Não sou muito ambiciosa, talvez uns meses já me fizessem suficientemente realizada a este nível… mas não sei honestamente se tenho coragem de dar os passos que preciso. Sou uma adepta da segurança, portanto teria que planear tudo muito bem, e negociar uma forma de poder ir e voltar e não perder o emprego! 

E depois quando começo a pensar muito acho que não fui feita para estes planos aventureiros… e fico com uma sensação de incompetência. Mas, a vida devia ser mais do que trabalho-casa-trabalho-férias de vez em quando…

 

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Frases que não combinam entre si. ..

por Catarina, em 19.07.18

"O cão mordeu-me","Estou nas urgências";

e

"Está tudo bem", "Não te preocupes";

 

 

 

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