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Frustração: o teu nome é IRS

por Catarina, em 15.05.17

Nos últimos anos o meu IRS (Imposto Ranhoso Sempre) é sempre o drama, o horror, a tragédia.

Consigo juntar rendimentos das duas categorias e o ano passado ainda somei um acto único; Mais anexo da segurança social, mais anexo H, essa bênção dos céus. E quadros senhores? Eu gosto do Kandinsky, do Dali, do Almada, etc... quadros do modelo 3 nem por isso, seja qual for o anexo. Acho que só não me engasgo quando tenho de escrever o NIF ou dizer o ano dos rendimentos (estão a ver aqueles quadros quase vazios? são esses).

E aquela suposta ajuda no ícone laranja? É de fugir. Mas há alguém que entenda esta linguagem medonha que usam os senhores das finanças? Não dava para escrever aquilo sem usar três conjuntivos, dois pretéritos, e 7 orações? Assim num português...suave?! 

Valha-me o validador, que ao menos me orienta, um pouco mais do que aquilo que me confunde. E valham-me os sites que dão umas luzes no tema. 

Claro que horas volvidas daquilo, páginas e documentos lidos, incontáveis sites consultados depois, e ainda não submeti aquela merda porque quero confirmar ainda alguns dados, nomeadamente em relação ao ano passado. Pelo menos o valor da simulação é bem apetitoso (o que não me espanta já que e recibos verdes se descontam pequenas fortunas) se bem que ainda posso ter metido os pés pelas mãos e não ser porra nenhuma daquilo.

Já merecíamos um sistema melhor, não?

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Dia 13 foi um grande dia! 

Não me lembro nunca de ter tido um dia de aniversário tão badalado como este. Primeiro foi o Papa que me veio dar os parabéns, e de caminho deu lá um saltinho a Fátima; Depois o Benfica deu-nos o tetra, e eu não sendo uma fanática tenho o clube no coração e na família, especialmente nesta última, por isso claro que fico feliz da vida. Para rematar, e para mim das melhores coisas do dia foi mesmo o Salvador Sobral ter ganho a Eurovisão! Na minha geração acho que já ninguém ligou muito a este festival nem vibrou com ele, mas a minha mãe conta-me como o país parava para  ouvir a Eurovisão, como vibravam e como desejaram ganhar anos a fio; Segundo ela levaram quase cinquenta anos a ouvir que Portugal era favorito e que tinha muito boa música, mas a verdade foi que nunca veio de lá nada a não ser desilusão. Era a política, era o Estado Novo, eram as colónias, era isto e aquilo, havia sempre uma desculpa e uma justificação. Este ano, foi dos primeiros em vinte sete (já? credo…) que me lembro de saber que música ia à Eurovisão, e gostar de a ouvir. Mas sinceramente, esperança não tinha lá muita porque sempre nos achei um tanto ou quanto incompreendidos e de língua difícil aos olhos dos outros, de forma que achei que ia ser mais um fogo de palha. Nem queria acreditar quando soube que finalmente tinha acontecido. Fico muito feliz, acho que foi inteiramente merecido, ao Salvador, à Luísa e a esta faixa de terra aqui junto ao Atlântico no cantinho da Europa. Pode ser que a partir de agora se perceba nessa Europa fora que a música aqui não é só fado, que temos muito bons músicos e muito boa música nesta nossa língua de Camões.

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Reading #10

por Catarina, em 12.05.17

História de Quem Vai e de Quem Fica, Elena Ferrante

 
Aviso à navegação: talvez esteja a ser repetitiva mas adoro esta mulher! Elena Ferrane entrou para o meu top de leituras e não há-de sair de lá jamais. 
 
Spoiler Alert! Vou continuar a deixar escapar coisas…
 
 
Em relação aos anteriores acho que este livro tem uma camada maior de história política e deixa definitivamente os limites de Nápoles.
Passamos a saltitar entre cidades: Nápoles, Milão e Florença, como se em cada volume a autora fosse alargando a área e introduzindo uma nova cidade.
 
N' “A História do Novo Nome” vemos Elena sair do bairro e deixar para trás a sombra das influências de Lila, mas neste acabamos por assistir a uma recaída acentuando a dicotomia de amor/ódio da sua amizade. Lentamente volta quase a ser a “velha” submissa Lenú mas consegue parar antes de cair totalmente.
 
Sabemos que casou com Pietro sem o amar verdadeiramente, mais não seja porque sabemos que ama Nino desde as primeiras linhas e não irá nunca esquecer essa ligação. Só não esperava ver o concretizar desse amor infantil e adolescente assim de repente. Achei de facto que iria ler o acalentar desse sentimento até à última linha sem que a protagonista o vivesse. Gostei que assim não fosse porque é mais um sentimento com que me identifico: o da “espera recompensada”, e não há nada melhor do que viver algo que se desejou por tanto tempo, independentemente do resultado, tudo é melhor que a incógnita de não o viver; Porque há histórias que simplesmente têm de ser vividas.
Embora esteja a adorar esta reviravolta inesperada não confio em Nino, e receio que a qualquer momento Elena dê um trambolhão com isto tudo. 
 
Quanto a Lila senti que deixou que Elena a ajudasse, a sugasse ao desespero em que vivia mas depois sentindo-se diminuída tornou-se novamente má, vingativa. Quase nunca bem doseada, a amizade das duas vive daquilo que não dizem, que calam e guardam, numa constante competição imposta doentiamente por Lila.
 
Vou fazer um esforço para ler o próximo mais devagar, para saborear e reflectir com mais tempo, porque esta loucura que me leva a consumir os livros como se não existisse mais nada no planeta deixa-me infeliz quando chego ao fim e vejo que acabou. 
 
PS: Ando desdo o dia 2 de Maio para publicar isto mas esqueci-me de tirar a fotografia, e como acabei de ler o livro numa varanda algarvia não vai dar para voltar lá e fazer a foto! Fica para a próxima.

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Semaninha do diabo

por Catarina, em 11.05.17

Esta semana está a custar a passar. A chuva voltou cheia de força, o sol espreita de forma intermitente e ontem vi meio arco-íris. Levei a tralha de inverno para a casa da mãe (porque aqui no ovo não tenho espaço para ter nem meio roupeiro) e portanto estou limitada a duas gabardines e um par de sapatos, que nem são botas e são de camurça, mas a alternativa é afogar as sabrinas de pano nas poças de água, o que já aconteceu ontem de manhã e não me apetece repetir.

Sábado faço anos (sim, o Papa vem dar-me os parabéns! - brincadeirinha…), e eu achei que era giro trazer família das duas partes a conhecer o ovo; seleccionados a dedo vamos ser sete, a capacidade máxima da mesa no ovo (e do ovo também), e com a condição de eu e o M., porque somos “fininhos” partilhar-mos a mesma ponta da mesa. Vai ser uma aventura. Não maior que a aventura que já estou a passar para ter tudo o máximo adiantado para sábado. Quero ter a casa num brinquinho claro, e a lista das compras não há meio de acabar, até porque me lembro das coisas a conta-gotas. Com o M. agora a trabalhar também as manhãs e a só voltas a casa às onze da noite cai-me tudo às costas, e para adiantar lembrei-me no domingo passado de lavar as janelas e os vidros. Sim, podem rir…começou a chover logo na segunda. Valeu tanto a pena…. e quase desloquei um ombro, por isso estou traumatizada e revoltada. Ao menos o São Pedro podia colaborar e dar-me um fim de semana de Sol, era o mínimo.

E agora uma preocupação mais futilzinha…. ainda não dei pelo M. a panicar sobre a minha prenda…e isso ou é muito bom, ou é muito mau….me-do. Ou já resolveu tudo e está a fazer o papel de esquecido, ou ainda nem lhe ocorreu pensar no assunto, e isso, meus amigos, garanto que vai-dar-merda-da-grossa! 

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Guilty

por Catarina, em 11.05.17

O ano passado por esta altura era uma gaja fit cheia de bons hábitos, este ano sou uma lontra preguiçosa e descontente.

O ano passado fazia barra de chão uma vez por semana, hidroginástica uma vez por semana, tinha uma disciplina férrea e só faltava se estivesse mesmo doente e imprestável. Este ano desisti da barra de chão (que me estava a dar um corpinho com melhor ar) porque o horário não me dava jeito, e ficava ao pé da casa da minha mãe, para onde já não volto diariamente. Este ano continuei a hidroginástica por saber que me faz bem à coluna e à postura tendo em conta que tenho um trabalho de secretária e computador; Mas, ao contrário do ano passado este Inverno deixei-me levar por qualquer achaque, chuva e tempestade. Faltei à grande e à francesa e agora estou a ver a m#r%a de resultado que aqui está! Sim, porque o ano passado em qualquer tempo livre eu fazia o meu circuito de alongamentos e treino muscular, com tudo o que ia aprendendo, e treinava com prazer, até em plenas férias de Verão, nem que fossem 10 minutos. Este ano fui consumida por cansaço e preguiça e isto é um ciclo vicioso do pior porque praticar exercício revitaliza, renova a alma, e o contrário deixa-me deprimida, culpada e com vontade de comer porcaria, que comi.

Por isso cheguei a este impasse, na época do costume em que o Sol quer deixar espreitar a pele e eu me sinto uma morcela. Não engordei propriamente, mantenho o mesmo tamanho, que às vezes depende de loja para loja, mas entre um 34 e um 36 não é aí que mora a preocupação; O que me chateia até à medula é que olho ao espelho e o bocado de músculo que tinha ganho foi convertido em celulite, gordura e flacidez. Andei a disparatar com a alimentação no Inverno (batata frita, guilty) mas nunca deixei de comer maioritariamente saudável. Sou a maria das sopas, das frutas, das panquecas de aveia, das tapiocas, da rúcula…. enfim, como legumes facilmente, sou capaz de refeições completamente vegetarianas e de controlar o consumo de carne. Estou a reforçar isto tudo, a besuntar-me em cremes anti-celulite, a enfiar-me naqueles calções da Nívea que prometem um pequeno milagre com o refufo no sofá, e nada claro!

Porque eu sei que isto só melhora se vencer a inércia e me atirar ao exercício, mas aí reside o busílis da questão….dá-me uma preguiça que prefiro (e tenho mesmo de:) passar a ferro, fazer máquinas de roupa, limpar a casa-de-banho, cozinhar, limpar o pó… Claro que não tenho esperança de melhorar os glúteos por aspirar um corredor de três metros, mas faço-o vigorosamente para me castigar pela falta de vontade para o resto. Estou prestes a entregar-me aos chás drenantes e às cápsulas…. medidas desesperadas, guilty, again.

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Smartchildren

por Catarina, em 10.05.17

É a nova praga e estamos todos a cair na esparrela!

Pensem no vosso último jantar de amigos, almoço de família, petiscada a ver o jogo, o que quiserem... quantas vezes alguém, ou todos interromperam o convívio para se agarrar ao telemóvel? Estamos todos cada vez mais viciados nos ecrãs e mesmo adultos responsáveis e conscientes acabamos por ser absorvidos para o mundo digital.

Quantas vezes dou por mim a fazer um último "check" às notícias do dia antes de finalmente apagar a luz e dormir? Algumas... Mesmo sabendo que estraga os olhos (e os meus já vivem oito horas por dia em frente a dois ecrãs!), que faz dormir mal, que não acrescenta nada à minha vida e que é tempo inutilmente perdido, ainda assim, volta e meia dou por mim nessa situação. Umas vezes deixo-me estar, noutras dou-me um estalo mental desligo tudo e vou desfrutar dos meus minutos preciosos com a almofada, afinal de contas de manhã vão-me fazer sempre falta mais uns!

Agora, o pior para mim desta situação de evolução da dependência digital é ver os efeitos nas crianças. Ultimamente acabo por ouvir falar muito mais neste tema (é o que dá ter amigas mães) e penso que um dia quando chegar a minha vez (espero que desta água não venha a beber!) de ter um filho para educar vou fazer todos os possíveis para evitar que seja um viciado aos dois anos de idade.

A minha geração cresceu sem tudo isto e foi muito feliz e saudável. Antes de mim outros disseram certamente o mesmo quando por exemplo apareceu a televisão e os primeiros desenhos animados, mas a verdade é que já nasci com a televisão enraizada na sociedade e a primeira vez que olhei para ela foi por a música do “Vitinho” me despertar a atenção, o som, não propriamente a imagem; Já tinha mais de dois anos quando esperava pelo Vitinho, que era a única coisa que via naquela “caixa” e durava apenas uns minutos. Cresci com os brinquedos físicos, os tachos e panelas, a comida de plástico, a pá e a vassoura, as barbies, as barriguitas, os nenucos, etc. E junto com estes vinham os jogos de tabuleiro, a glória, o quem é quem, o trivial, o pictionary, o monopólio e o master mind (entre outros que  não me lembro agora), e ainda os puzzles e os livros! Tive de todos para todas as idades, cresceram comigo e ainda foram crescer com outros porque ao longo dos anos ia dando o que já não usava. Claro que a certa altura já via os desenhos animados ao sábado de manhã, da mesma forma que via o National Geographic (Vida Selvagem na Sic) antes do jornal da uma ou o Walker o Ranger do Texas depois de almoço. 

Hoje em dia choca-me que um pediatra recomende aos pais de uma criança com seis meses uma hora de televisão por dia, ou que a mãe de uma criança de três anos pergunte ao pediatra como lidar com a tecnologia e impor limites. É que quando são adolescentes a pressão dos pares é muito maior e é muito mais fácil fintar os pais, mas crianças tão pequenas não têm propriamente a meu ver hipótese de escolha! Quem são os pais e os filhos? Então vamos exercer os direitos e os deveres e parece-me que um deles deverá ser proteger a criança dos ecrãs. Há muitas outras formas de estimular as crianças sem lhes estragar os olhos e criar uma dependência que rapidamente foge de controlo. De repente já só comem com um ecrã à frente, ou não sabem brincar e conviver com outras crianças sem um comando na mão, ou dormem mal porque ficam a jogar até caírem de sono (até porque cada vez mais vemos crianças a terem o primeiro telemóvel demasiado cedo). Acho que o facto de verem outros usar o smartphone dos pais por exemplo não dá o direito a seres tão pequenos de exigirem o mesmo, mas claro, cabe aos pais a opção de os educar em vez de os subornar. Ouvia um amigo outro dia dizer “Se estiver num restaurante por exemplo e vir que ele vai fazer uma birra daquelas antes quero dar-lhe um telefone para a mão e não ter de passar a cena de choro e gritos em público, assim como descansado”. Eu consigo perceber este argumento, não concordo, e não sei o que faria no seu lugar, mas consigo perceber. Também vejo outro casal amigo a colocar vídeos no smartphone para a filha de oito meses ver, mesmo quando ela não estava a fazer birra, mesmo quando não se justificava…. Podem dizer-me que não sou mãe, que não sei o que é, e até admito que não sei bem como resolver. Mas gosto de olhar para mim e para a forma como a minha mãe me educou e saber que há um caminho alternativo que posso percorrer quando um dia me vir nessa situação; talvez dê mais trabalho aos pais, provavelmente vai cansar mais e ser mais exigente mas prefiro pensar que um dia é essa a escolha que vou fazer. Digo muitas vezes que sou contra aquela velha máxima do “tudo se cria” porque acho que o problema é “como é que se cria”; Quero acreditar que vou ser para um filho o que a minha mãe e o meu pai foram e são para mim, e talvez em alguns pontos mudar um pouco a conduta, mas no essencial criar como fui criada: com paciência, atenção, de forma saudável em todos os aspectos, porque acho que menos que isto não vale a pena; Pôr uma criança no mundo para mim tem de vir com esse compromisso e não com a ideia de que quando me incomodar lhe vou dar algo para a mão e esquecer-me que sou responsável pelo seu crescimento, aprendizagem e evolução.

 

 Imagem daqui

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Old habits die hard

por Catarina, em 10.05.17

E assim, depois de uma longa pausa, voltei a ver a Anatomia de Grey.

Há uns anos chateei-me a valer depois do episódio da queda do avião. Perdi a paciência com tanta morte e fatalismo desnecessário. Deixei de ver, assumi o fim da relação e perdi o fio à meada, achava eu que para sempre. Mais recentemente soube que iam matar o Derek de forma estúpida e palerma, mais coisas desnecessárias, e pensei para mim "ainda bem que me deixei disso".

Mas nas últimas semanas a Fox Life resolveu inundar-me todas as noites com os últimos episódios, em catadupa e meio desordenados, e eu, palerma, caí que nem um patinho. Estou a ver conforme calha e vou ligando as histórias a pouco e pouco. Não consigo evitar gostar da série, e daquelas cenas mais estranhas à lá Anatomia de Grey a que nos habituaram desde o início. Por isso, voltei ao vício, até ver...prognósticos só no fim do jogo.

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Moods

por Catarina, em 08.05.17

Acho que todas as mulheres conhecem a sensação.

Num dia somos felizes como somos e com tudo o que temos, ainda no mesmo dia pode dar-nos a veneta e começar a deprimir, a questionar tudo e a ficar com uma vontade imensa de desaparecer do mundo que conhecemos. Quantas vezes não me acontece... Especialmente quando se aproxima algo que tema de alguma forma. Mesmo que seja um (patético) aniversário, o nosso por exemplo. Ou outra coisa qualquer. 

Aquela pessoa com quem acordamos e que não é sempre perfeita pode espreitar nestes dias como o monstro dos defeitos, os nossos planos de vida podem soar a insuficientes, os nossos sonhos podem parecer mundanos, e os nossos objectivos são questionados. E tudo isto pode ser um ciclo que ganha e perde forma num só dia, e transtorna, massacra, chateia. Não gosto disto mas vivo-o porque ainda não descobri como evitar. Chateio-me, fico embirrante, fágil, provoco discussões, confusões, conflitos; fico ainda mais chatiada, triste, doem-me "coisas", as costas, a cabeça, os olhos; deprimo, deito-me no sofá e penso, hoje não vou para a fama, fico aqui. Cubro-me com a manta mas hesito em apagar a luz, sabendo que não vou melhorar nada e vou acordar ainda pior. Desisto e chego à cama à uma da manhã...constato que levei uma hora a percorrer os dois metros que separam a sala do quarto, e não gosto nada disso.

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Há limites, mas não para tudo

por Catarina, em 05.05.17

Se há coisa que eu não consigo compreender são as condescendências para com determinadas classes profissionais, nomeadamente a dos médicos. Não entendo coisas como "ah isto não se lê, é letra de médico", porque já que passam tantos anos a estudar subentendo que tenham aquelas aulas de caligrafia em cadernos de duas linhas na primária, como todos os outros, e portanto não entendo porque a maioria acha que escrever é o mesmo que desenhar hieróglifos ou fazer linhas rectas.

Pior que isto não entendo os atrasos "normais" para consultas que estão marcadas há meses! Profissionalmente não me passa pela cabeça fazer ninguém esperar por mim mais do que uns essenciais cinco minutos, que possa necessitar para terminar algo urgente; Mas, de preferência não chego a horas, chego antes, e aplico essa máxima a tudo na minha vida: não fazer esperar. Custa-me muito que o contrário não me aconteça e tenha de levar com os atrasos nas consultas como se fosse a coisa mais normal do mundo. Hoje esperei duas horas por uma consulta da qual acabei por desistir ao fim desse tempo porque já estava fora do escritório há duas horas e meia, e só para regressar e almoçar iria usar mais uns trinta minutos, na melhor das hipóteses. Durante esse tempo fui duas vezes perguntar pela situação às funcionárias, porque por iniciativa própria ninguém se me dirigiu a explicar o óbvio, a médica estava atrasada com as consultas. Eu sei perfeitamente, e com conhecimento de causa, que os hospitais privados não fazem milagres, têm defeitos como tantos outros, apesar do serviço "premium" que insistem em fingir que têm. Ainda assim tendo seguro e essa possibilidade não os troco por nada, mas estas situações chateiam-me até à medula porque acho que é o cúmulo da falta de respeito pelos "doentes/clientes" e acabei por vir embora, furibunda comigo própria, com o tempo perdido, o trabalho atrasado, o estômago encostado às costelas e um humor desgraçado!

Posto isto marquei consulta para outra médica, noutro hospital, e resta-me esperar que não se repita a façanha nos próximos tempos.  Ainda por cima que a sala de espera estava também um inferno porque as pessoas agora refugiam-se nos telemóveis e, se a maioria o faz no silêncio, também há quem queira presentear toda a sala com um funk; Podia ficar por aqui? Podia, mas a garganta está a doer-me do ar condicionado que levei no lombo por duas horas, de modo que escrevi mais uma frase, só para acalmar.

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Dói-me a alma

por Catarina, em 05.05.17

De saber que o meu último livro da tetralogia da Ferrante está desde terça feira na estação dos correios e eu ainda não tive tempo para lá ir buscá-lo. Raio de horários.... deviam ter um dia na semana para ficar abertos até as 19...já me chegava!

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