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Razão certa

por Catarina, em 31.12.18

A época de balanços fez-me pensar duas vezes em tudo o que aconteceu neste ano. Claro que não comecei a pensar só agora, tenho pensado desde Fevereiro acho eu! Quase um ano inteiro... e até agora não descodifiquei o puzzle que foram estes meses.

 

Há um ano atrás eu vivia com o M. no ovo, o nosso T1 mínimo que ficava num sítio que eu detestava, mas engolia. Estava perto do meu trabalho e tinha bons acessos ao dele. Há um ano atrás planeámos mudar no início do ano para um T2, que era de uns amigos que iam sair (contei a história aqui, e aqui e sei lá mais!).

 

Em Janeiro tratámos de tudo, em Fevereiro mudámos, em Março comecei a perceber que a coisa não estava a correr bem para o lado deles, que os planos e datas de saída não se iam concretizar, e de repente demos por nós a morar lá todos.

 

Em Abril eu entrei em parafuso, e começaram os problemas a crescer.

 

Em Maio eu estava em stress com os nervos à flor da pele e o M. teve a oportunidade de mudar de trabalho, para uma área em que supostamente ele queria investir, mas a 400km de distância.

 

Em Junho começámos a viver separados, ele lá, e eu cá, com o problema às costas, e a procurar casa.

 

Em Julho pus os pés à parede, disse não, e comecei a traçar novos planos. No final do mês fizémos as "partilhas" das coisas que tínhamos em conjunto, avaliámos a nossa situação, revimos os desentendimentos correntes dos últimos meses, e terminei a nossa relação numa sexta à noite. Ele concordou comigo. Fiz os possíveis por me aguentar, separei algumas coisas que ia precisar para levar e queria sair dali, ir para casa (a da mãe). Ele não me deixou. Percebia que as coisas não estavam bem, eu não conseguia evitar a torrente de lágrimas que me fugia dos olhos, mesmo querendo parecer dura, forte, e consciente da minha decisão. Queria que lhe dissesse que íamos continuar a falar, ser amigos, disse-lhe que naquela altura isso não era possível. Quando ia a sair quis ir comigo até ao carro, levar o saco que eu tinha na mão, evitei, mas acabei por anuir. Estava pronta para me ir embora e não me dar chance de repensar ou de dizer mais nada. Não me deixou, não queria que eu fosse naquele estado, pediu-me para ficar, para irmos jantar, entrou no carro e não saiu. Comecei a amolecer, o tempo passava, 15 minutos, meia-hora. Acabei por concordar em irmos jantar dada a falta de vontade de ir para casa naquele estado e ter de explicar tudo. Fomos até Marvila, sem planos. O tempo todo nesse jantar sentia-me noutro plano, comecei a falar de nós como passado. Não o deixei dar-me a mão. Ouvia initerruptamente na minha cabeça esta música, esta, e esta, num mix imperfeito. No final da noite deu-me a volta, conseguiu que ficasse e ir-me embora apenas no dia seguinte. Não dormi. Chorei, questionei-me, algures de madrugada conversámos, de manhã resolvemos continuar a tentar, demos outra opostunidade. Não contámos a ninguém aquela noite, pelo menos eu não consegui, mas não posso dizer que ficou tudo bem, que não fiquei com um buraco negro enorme cá dentro, apenas beneficiámos do facto de nos termos afastado geograficamente. 

 

Em Agosto estava de volta à casa, à mothership; Ele lá a 400km; Eles na casa de onde estavam para sair em Fevereiro, e só sairam em Dezembro. Fui de férias, e quando voltei acabei as mudanças.

 

Em Setembro ganhei alguma paz com o problema da casa resolvido, ele lá, eu cá.

 

Em Outubro continuou a vida, encontros aos fins-de-semana alternados eram a nossa rotina nova.

 

Em Novembro idem, com a agravante que me comecei a sentir mais solteira do que antes.

 

Em Dezembro cá estou, com as mesmas dúvidas e as mesmas certezas que tive em Julho, à procura das razões certas para continuar esta história, ou à procura de um fim.

 

Gradualmente comecei a pensar contando só com 1, comigo. Voltei a organizar a minha vida mais com a minha mãe, e pela agenda do trabalho. Reduzi os nossos antigos planos a ideias guardadas para outra altura melhor. Habituei-me a dormir novamente sozinha, mas agora numa cama de casal com 4 almofadas, e já acho que falta espaço se estiver aqui mais alguém. Comecei a fazer planos sozinha, a pensar em comprar casa, em viajar, em estudar ou trabalhar fora por um tempo.

 

Não deixámos de namorar é certo, mas ficou uma coisa estranha para mim, e não sei bem até que ponto ele tem consciência disso. Não deixei de ser carinhosa nem amorosa nem de demonstrar que gosto dele, mas ficou um buraco aqui que ainda não consegui tapar, e não posso negar que nestes sete anos não houve dúvidas e momentos menos bons. 

Entretanto ele percebeu que aquele caminho profissional não era o dele, mais cedo ou mais tarde regressa a casa, à sua mothership...E agora, esta altura do ano parece gritar-me que tome uma decisão, que faça uma escolha, que o ano de 2019 não pode ser outra incógnita, e que preciso de saber quantos estão no barco para planear a viagem.

 

Ainda não consegui voltar a ouvir a Carolina sem chorar.

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Em jeito de balanço

por Catarina, em 30.12.18

O final do ano pede tempo e espaço para parar e pensar no ano que passou.

 

2018 não foi um bom ano, mesmo. Hoje procurei uma lista de objectivos que escrevi no telemóvel, em Janeiro, na sala de espera do hospital. Percebi que não cumpri quase nada do que lá escrevi, o que a juntar a tudo o que aconteceu durante o ano confirma o que já sabia, o ano foi uma bela m#r$a!! Comecei o ano mal, com uma vida diferente daquela que tenho hoje, e embora tenha recuperado um pouco a minha estabilidade o balanço desta montanha russa que foi 2018 não é assim tão positivo.

 

Em 365 dias não deixei de roer as unhas, nem perto disso; Acabei o curso que estava a fazer, mas mais um ano e não consegui fazer o exame de inglês que queria, nem tão pouco dedicar mais do que umas horas a isso. Inscrevi-me num curso online que também ainda não acabei e vou a uns míseros 20%. Viajei, conheci uma cidade nova, e locais que não conhecia cá dentro, mas não conheci uma país novo. Não fiz yoga como queria, e desisti das aulas, mas troquei-as pelo ginásio no final do ano, embora ainda não tenha o hábito nem o gosto. O meu cuidado com a alimentação não foi o que queria, e falhei em encontrar tempo para preparar refeições e snacks, no final do ano então foi a desgraça completa, fartei-me de comer fora e muita porcaria. Li dez livros novos, não os quinze que tinha arriscado no goodreads, e não acabei todos os que tinha pendurados.

Curiosamente tinha tirado da lista de 2018 os trabalhos manuais, mas acabei o ano por conseguir acabar o meu cachecol de crochet que tinha começado em 2017, aprender tricot e fazer um cachecol ao M. e ainda fiz um gorro com um ponto novo de crochet nestes últimos dias do ano!

 

Percebi que talvez não tenha levado a ideia dos objectivos a sério como devia, acho mesmo que algumas coisas escrevi por escrever, com boas intenções de que deveria sim perseguir o objectivo, mas com poucas certezas de o cumprir. Podia escrever já de seguida uma lista para 2019 mas neste ano aprendi que não vou fazer uma lista de coisas que queria conseguir fazer, mas daquelas que me vou empenhar a sério para cumprir.

 

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Cartas que não se escrevem IV

por Catarina, em 21.12.18

Não sabia bem o que a impressionava nele, o que a atraía;

Não saberia dizer se era o sorriso fácil, aberto, as piadas inteligentes e com graça, a simpatia e o trato fácil. Se era a figura esguia de tão alto, o cabelo meio grisalho mas ainda jovem, tão jovem.

Era mais novo do que ela, certamente, e por isso não sabia, o que a impressionava nele. Até hoje só a atraiam homens mais velhos, mais maduros, com outras conversas, postura mais séria; mas havia nele uma frescura de novidade e juventude que sabiam bem, era uma brisa fresca no deserto.

Pela primeira vez nestes momentos de convívio os seus olhos procuravam-no, para variar de quem costumavam procurar antes; Desta vez era diferente, aquela novidade atraía-a mais do que o resto. Procurava-o com os olhos, e logo em seguida o perdia, e rodava a cabeça de novo…
Pelo caminho deu menos importância a quem costumava dar, a quem se habituara a procurar nos últimos anos.  
Tinham-se cruzado no início da noite, numa ridícula fila até ao bengaleiro, em que ele a viu e se meteu com ela primeiro. À volta quem estava com ela deu por ele e estranhou mas ela fingiu não perceber as questões nos olhares alheios.
Mais tarde ela encontrou-o junto ao bar, meteram conversa: era a private joke sobre um guardanapo, o calor, a música, as horas, o cansaço e a euforia, tudo junto. Ela perdeu-se do grupo por momentos, aqueles minutos duraram horas, quem viu de fora novamente cheirou novidade. Ela aproveitou aqueles minutos, deu-se por feliz e seguiu viagem até ao seu grupo, sem intenções de o procurar com os olhos novamente. Ficara ciente de que com mais álcool no sangue  ou umas horas mais tarde os dois poderiam deslizar, e os dois tinham alguém à espera. 
Quando mais tarde deixou a festa sozinha, pensou pela segunda vez na vida, seria capaz de trair? Achava que não, esperava que não, queria que não, mas até onde poderia ir se algum dia os limites ficassem enevoados?

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Para entrar no espírito...e adoçar o  deixo um vídeo daqueles para arrancar umas lágrimas!

 

A partir de agora inicia a contagem decrescente, e daqui até à véspera de Natal vai ser um suspiro só! Ando cheia de vontade de escrever, mas como sei que a vontade só não chega vou antecipar-me e deixar um Feliz Natal a todos que por aqui andam! 

 

 

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Querido, muda-me a secretária

por Catarina, em 17.12.18

Eu sou desarrumada. Não sou desorganizada, mas sou desarrumada.

 

A minha mãe tentou, muitos e penosos anos, incentivar-me ao contrário, mas foi daquelas missões em que desistiu; admitiu a derrota.

 

Hoje sou praticamente um caso perdido.

 

Estou há quase 3 anos a trabalhar no mesmo sítio. Mesmo tendo mudado de sala algumas vezes, o edifício e o piso são os mesmos; Só ocasionalmente saio daqui, e trago sempre o bilhete de volta, por isso não é de estranhar que ao longo deste tempo tenha acumulado uma larga escala de tralha! Outro dia fiz uma avaliação rápida e dei conta de uma pilha de livros à esquerda, ao lado do monitor, misturada com alguns cadernos (não todos porque já subtraí alguns há um tempo para dentro do cacifo de forma a não parecer tão mau em cima da mesa!), e à frente um molho de papéis com desenhos e rascunhos de algo que ficou para trás. Depois ao meio tenho uma caixa com a chamada amalgama de tralha, tipo aquela pasta no ambiente de trabalho que diz "Vários"... lá dentro está uma mistura de material de desenho, de escritório, cartões, fitas da empresa, um colete reflector porque faço parte da equipa de segurança, e molas daquelas do ikea para fechar embalagens...ou molas da roupa, também já aconteceu. À frente dessa caixa está um espaço livre onde coloco o portátil, e depois à direita uma lata com canetas e lápis e um tabuleiro de papéis com 3 bandeias, cheias de papel, desenhos de projectos, rascunhos, um esquadro, recibos, envelopes de papéis sabe-deus-o-que-lá-vai! À frente d tabuleiro há normalmente mais uma pilha de papéis.

Quando estou a trabalhar, a isto tudo juntam-se livres pela mesa: pacotes de bolachas, uma peça de fruta, a caneca do chá ou a garrafa da água (ou as duas), post-its de diversas cores e formatos, cadernos para tomar notas e fazer desenhos, e um estojo, com mais canetas, e ...cenas. Não esquecer o elástico do cabelo, o pacote das pastilhas elásticas, a agenda, o batom do cieiro, o creme das mãos, a caixa de óculos e as gotas dos olhos. Ah! Esqueci-me do telemóvel, um, ou dois, conforme, e tupperwares às vezes também há. E, como se não fosse suficiente ainda ali largo a chave do carro alguns dias...

Pergunta: não há um querido mudei a casa para secretárias?

Quando tinha o estirador no quarto atingia o mesmo nível, ou pior porque às vezes ainda lá deixava um prato do lanche ou uma tigela de alguma coisa... Basicamente quando o limpava e arrumava não durava muito... Como deixar de ser desarrumada a este nível?!? É que de repente alguém chega à minha secretária para dizer ou mostrar algo e aquilo parece uma banca de feira, e tenho de empurrar as coisas para os cantos às pressas para alguém conseguir pousar só um bocadinho do computador! Shame, shame shame...Como eu me entendo ali é um mistério para quem vê de fora.

Mãe: se algum dia leres isto, tens razão!

 

 

 

 

 

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It's that time of the year...

por Catarina, em 17.12.18

Chega aquela altura do ano em que o cérebro quer arrumar as gavetas mas não consegue deitar coisas fora!

 

É a época dos balanços por defeito, e não é que não goste deles, que gosto, mas este ano sinto-me mais em baixo que o costume.

Não é só cansaço, não é só do trabalho nem do frio. É de dentro. É fruto das mudanças que este ano teve, da reviravolta de Janeiro a Dezembro, da velocidade a que passou, a que passa tudo. Foi ter de pensar quando alguém me perguntava quantos anos tenho, foi adormecer pensando que não estou onde queria, mas não sei onde queria estar; Foi habituar-me ao dobro do espaço para dormir e agora parecer que não cabe lá mais nada (ou ninguém), foi pensar cada vez mais se não deveria impor à minha vida uma qualquer mudança, e não saber qual, nem como (ou saber e não saber se tenho coragem para tal!).

Pairou uma sensação de fracasso durante uma boa parte do ano, e apesar de não ser inteiramente justa comigo própria não consegui ver as coisas de outra forma durante algum tempo.

 

Quero acreditar que tudo acontece por uma razão, e que daqui a algum tempo vou entender o porquê de ter vivido este ano de 2018 tão atribulado.

 

 

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Follow Friday Solidário

por Catarina, em 14.12.18

Porque sei o que é sentir a total impotência perante um problema de saúde grave que afecta alguém que amamos, partilho novamente o apelo da m-M aqui:

O MEU PRÓPRIO "FOLLOW FRIDAY" SOLIDÁRIO

Está a chegar o Natal, mas o "Pai Natal" mais desejado pela nossa família ainda não deu sinais de vida.

 

4 meses depois, muitas transfusões depois, consultas todas as semanas... ainda não há dador de medula compatível com a minha irmã.

Os números (a hipótese de compatibilidade é de 1/100000) assustam, há dias em que roubam a força, quase matam a esperança... mas a luta continua e eu não posso deixar cair esta procura no esquecimento. Dele depende a vida da minha irmã mais velha!

 

Para todos os que perguntam:

  • Sim, a doença (Sindroma Mielodisplástico) só se cura com um transplante de medula;
  • Sim, a doença é fatal;
  • Não, não há dadores compatíveis diretos na família;
  • Sim, ser dador de medula óssea é simples, rápido e não doí;
  • Sim, a minha irmã é nova e tem dois filhos que quer criar.

 

Por isso, peço-vos: entrem comigo no espírito da "Follow Friday", entrem comigo no espírito de Natal.

Partilhem mais este (nosso) apelo. Porque hoje podemos chegar a pessoas que não conhecem a nossa história. E porque entre todos que me leem pode MESMO estar @ noss@ salvador@.

 

Saibam mais aqui.

 

A torcer para que o vosso Natal possa ter uma surpresa boa 

 

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(in)sensatez

por Catarina, em 14.12.18

Já não é de hoje que cruzei o caminho do blogue da Catarina, in(sensatez)

Para além de partilharmos o nome, também a leitura e a escrita é algo que temos em comum e foi muito fácil identificar-me com o que escreve. Habituei-me a seguir principalmente as sugestões de livros, e já tive belas surpresas portanto agora sempre que procuro um livro vou lá ver se a Catarina já leu, ou se não sei o que procuro vou lá ver o que sugere!

É um blogue muito franco e directo nas opiniões e acima de tudo muito bem escrito, e ficou para mim um spot de paragem obrigatória.

Se não conhecem (o que acho difícil!) passem por lá 

 

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A saúde está doente

por Catarina, em 13.12.18

Já aqui escrevi que quando não sei nada do que estou a dizer fico calada e opino para dentro, mas também quando sei não há quem me cale. 

Já aqui falei várias vezes do estado de sítio em que está a educação, porque não sendo professora é uma realidade que conheço desde que nasci e portanto quando falo, sei o que estou a dizer.

Por estes dias nas manchetes o ataque virou à saúde e não sabendo bem o que de facto está a acontecer, até porque ver notícias não é o meu forte, vou deixando andar, e não abro o pio para comentar, nem contra nem a favor.

Ontem, uma amiga que é enfermeira partilhou um texto nas redes sociais que me deu umas luzes, mais não seja para se reflectir antes de se tomar um lado da discussão como certo, e é esse texto que partilho agora, e que me fez pensar nas últimas vezes que fui a hospitais e naquilo que vi e encontrei.

<< 

Resposta ás manchetes sobre Greve Cirúrgica

A questão essencial é: não é agora que se está a pôr em risco a vida de pessoas, com a Greve Cirúrgica... ela está em risco faz tempo; a questão reside nos anos e anos de desmazelo e pouco investimento na saúde, no SNS. Quem está dentro do convento sabe o que lá vai dentro. A opinião pública está a ser manipulada a torto e a direito, muito também por uma comunicação social pouco informada. O SNS está mal. Quem precisa dele sabe que está. Desde a linha da frente (o serviço de urgência) ao internamento e consultas! As cirurgias urgentes e oncológicas estão a ser realizadas. Não urgentes são não vitais! As cirurgias não urgentes e não vitais são todas as cirurgias que não colocam em risco a vida das pessoas. Que são adiadas muitas vezes pelos mais diversos motivos... mas que não passa cá para fora... O Governo não lembra as mortes devido às condições que temos nos Hospitais portugueses. Nem tão pouco as condições que têm! Essas condições põem em risco a vida das pessoas. Infecções nosocomiais? Choque séptico? Quantos? Mas há mais... A ignorância ás vezes é uma bênção. Mas quando tem voz, é um perigo. Estamos contra a má gestão hospitalar, a má gestão de recursos humanos (em todas as classes, são todas elas que fazem um Hospital trabalhar, 24h por dia), péssimas instalações, que resultados se esperam? Os únicos prejudicados são os utilizadores do SNS. É também contra isso a luta. Quanto à remuneração, o estudo e as competências específicas adquiridas têm de ser remuneradas e, acima de tudo, valorizadas, como são (ou deviam ser) em qualquer outra profissão. Tal como o engenheiro não recebe honorários como trolha, com o devido respeito por ambas as profissões, ambas necessárias e ambas dignas. O Governo divide a opinião pública, com uma comunicação social alienada da realidade. Fica bem mais fácil colocar um país contra uma classe do que apoiá-la no cuidado a todas as pessoas que se dirigem ao SNS. Triste, vejo uma opinião pública manipulada: enfermeiros em greve põem em risco a vida de pessoas. Ela já está em risco... ela já está em risco... infelizmente! Mas estamos lá todos os dias... até em greve, prontos para a urgência (assegurando que tudo corre bem, assegurando serviços mínimos), que espera de nós tudo, mas que, talvez, não nos dê valor nenhum até então. Convido-te a vires comigo para o Hospital um dia, tu e quem quiser vir... é tão interessante ver o outro lado. O de dentro do convento. >>

Obrigada Joana, por teres esperança na discussão e por me fazeres pensar 

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E se fosse hoje?

por Catarina, em 12.12.18

Muitas vezes me pergunto que caminho escolheria se hoje voltasse à escola, mais precisamente ao 9º ano onde escolhemos as áreas para o secundário. Claro que se calhar faria o mesmo percurso, mas hoje em dia sinto que o caminho poderia facilmente ter sido outro.

Desde o 8º ano que não tive dúvidas de que o meu caminho eram as Artes Visuais;  Tive medos em relação à matemática, mas ultrapassei esse obstáculo com muito trabalho e força de vontade, não era isso que me ia parar. Sempre tinha ouvido dizer em casa que era importante fazer algo de que se gostasse, afinal, o futuro seriam pelo menos oito horas diárias de uma actividade essencial, o trabalho, portanto mais valia ser algo que desse prazer.

Não me arrependo de nada no meu percurso, sei que fiz as escolhas certas, e os tropeções que dei foram igualmente importantes para crescer e aprender outras valências.

Mas no dia a dia, dou por mim com muitos outros interesses, muita curiosidade sobre outras coisas, muita vontade de fazer outras coisas. É um amor-ódio, sem ódio vá! Adoro o que faço, tenho uma profissão estável, com muita procura no mercado; Consegui que o trabalho fosse não só uma necessidade e uma obrigação, mas um desafio constante, uma quase brincadeira diária, sem brincadeiras claro! Só que depois há tudo o resto dentro de mim que sinto que poderia ter feito.

 

Gosto de gestão, de economia, acho interessante perceber a sociedade e o seu funcionamento; sou extremamente organizada, faço mil e um planeamentos para tudo, por isso a ideia de gerir projectos atrai-me. Quando olho para trás penso que gostava de ter aprofundado mais alguns destes temas, e talvez não ter despachado as aulas de economia como se fossem filosofia... No dia a dia ninguém acredita que uma cabeça de artista como esta possa encontrar um certo descanso e uma certa paz a fazer folhas de excel para organizar o trabalho, as contas da casa, sei lá!

 

Ao mesmo tempo sou a chamada "cidadã interventiva" uma designação que inventei com um colega, quando num projecto na área da justiça disse que já tinha consultado jurisprudência. Isto porque discutíamos sobre quem é que na face da terra, fora os juízes, advogados e demais trabalhadores destas áreas é que consultam algum dia jurisprudência. E ainda assim lá estava eu na linha da frente... Sim, já li algumas, não por desporto claro, mas porque sou curiosa acerca das coisas, gosto de perceber como funcionam os mecanismos, e a lei é um dos que me atrai. Quando tenho dúvidas em algum tema em particular ou algum problema não tenho dificuldade nenhuma em chegar ao diário da república e ir vasculhar a lei, o código civil, o do trabalho, os decretos-lei, o que for preciso. O que me assusta às vezes é que não tenho só facilidade nem jeito, tenho gosto, e isso dá-me medo! É a "caçada" a "busca" que me atrai, a procura incessante por uma resposta ou uma forma de agir perante algo que não está bem.  Acabo por sentir que havia aqui um bichinho dentro de mim, reivindicativo, que podia ter evoluído para algo como direito, mas que não teve como! 

 

Outra curiosidade que tive desde pequena sempre foi a saúde; não havia cão nem gato que se magoasse perto de mim a quem eu não me prontificasse logo a fazer um curativo! Não me fazia impressão nada, era quase sádica de tão meticulosa que me tornava. Acho que não é por acaso que ainda hoje ando com um kit de primeiros socorros no carro, com luvas numa bolsa na mala e ainda deveria acrescentar uma máscara que não cheguei a comprar mas que devia lá estar. Há um ano e tal, quase dois, fiz a formação de Suporte Básico de Vida com DAE (Desfibrilhador Automático Externo) e acabei por aprender muito muito mais do que pensava inicialmente. De lá para cá já fiz mais duas formações de continuidade e ainda assim não perdi a vontade de fazer o curso europeu de primeiros socorros, tudo com a Cruz Vermelha. Cada formação são umas horas bem passadas de aprendizagem com pessoas que já viram, literalmente, de tudo! Mais do que isto sou uma curiosa de forma geral pela saúde, pelos sintomas, pelas medicações; Acho que sei tudo o que a minha mãe e os meus avós tomam, mas não sou hipocondríaca, é só uma necessidade de "saber", conhecer, acho que o saber é o contrário da ignorância, e enquanto o primeiro me dá segurança, o segundo assusta-me de morte. 

 

A cereja no topo deste bolo é a escrita. Sempre gostei de ler e de escrever. Escrevi diários durante anos, mas também escrevi poesia, e prosa. Umas coisas mais manhosas que outras, outras mais inocentes e outras de quem não sabe ainda nada da coisa. Mas gostar de escrever era e é uma constante. O blog serve-me um pouco de escape, mas escrever mais do que sobre o dia a dia, como fiz aqui e aqui, isso sim, dá-me um gozo especial. E mais uma vez penso que havia um caminho a percorrer aqui, um caminho que teria passado por letras, línguas e literatura, e por uma vida muito diferente.

 

No final destas reflexões fico sempre com a sensação que a vida é um conjunto de caminhos traçados, dos quais só podemos escolher percorrer um; Mal comparada é uma raspadinha, um jogo de sorte, havia muitas combinações, mas saiu só uma! E pergunto-me, e se fosse hoje, que caminho escolheria?

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