Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Cut the crap #1

por Catarina, em 24.06.17

Traduzido à letra lemos "Cortar a porcaria" e é nessa base que ando agora, a dispensar coisas que são no fundo dispensáveis ao meu corpo e à minha saúde.

Esta mudança era algo que já tinha pensado há muito tempo, mas dava apenas baby steps na direcção certa e não conseguia desligar-me de certas coisas: café sem açúcar nem pensar, cozido sem enchidos, favas sem enchidos, coisas que parecem o fim do mundo. Tenho um fraco muito forte pelos enchidos do cozido mas para já vou passar sem eles, e sem o cozido em si também.

Há decisões na vida que vamos adiando, e adiando, e protelando e empurrando até que um dia algo nos faz ver que a mudança é urgente. Pode ser uma doença, ou pode ser simplesmente o ganhar de consciência e perceber de uma vez por todas que o futuro que podemos ter está em parte nas nossas mãos no presente. Uma alimentação saudável é a base de uma vida saudável, com o peso que desejamos, com o corpo que gostaríamos, etc.

Não comecei hoje nem ontem, mas há umas semanas a mudar alguns hábitos. O ano passado praticava mais do dobro do exercício que pratiquei este ano (falo em ano escolar, Setembro a Junho sensivelmente porque as actividades acompanham esse calendário e também porque sendo filha de professora, para nós o ano começa em Setembro!!) e também o ano passado passei um Inverno mais controlado no que diz respeito às gulodices do que este. Deixei-me levar por coisas que já tinha eliminado como o chocolatinho à noite ou as batatas fritas e restante fast food. E não foi por ter ficado desinformada de repente, foi porque o desejo foi mais forte e escolhi ignorar as consequências. Agora estas estão bem à vista! Vou a uma loja e já levo o tamanho acima ao provador, porque sei que o que era o meu tamanho, e que ainda me serve, está a ficar muito difícil de fechar o fecho. A massa muscular que tinha ganho desfez-se em celulite provavelmente, e num espaço de meses dei por mim a entrar num corpo que não quero que seja o meu. E neste campo sabemos que não há milagres, há ajudinhas como cremes ou comprimidos, mas para esses terem algum efeito visível temos de trabalhar em três frentes: alimentação, exercício e hidratação. Se aos 27 anos já acho que reverter os excessos de uns meses é difícil, imaginem como será daqui por alguns anos? Quanto antes o paradigma mudar melhor e por isso vou aproveitar esta nova onda e mudar o caminho até aqui. Porque não é apenas pelo aspecto físico, mas porque todas sabemos como nos sentimos melhor e mais saudáveis, e como ficamos quando isso não acontece.

 

De forma genérica estou a cortar a carne (todas, mas a vermelha em particular), os alimentos processados, açúcares que não venham já na fruta, fast food, e basicamente tudo o que tenha demasiado açúcar e seja industrial.

Comecei por fazer uma lista de coisas que já aboli definitivamente e que vou evitar daqui para a frente:

- Enchidos, salsichas e charcutaria no geral

- Batatas fritas e fast food (hamburgueres, pizzas, etc)

- Refrigerantes com gás e sem gás que estão cheios de açúcar e sumos ou nectares que sofrem do mesmo problema

- Açúcar no café, no chá, nos sumos etc

- Sal (a reduzir devagarinho.....)

- Pão branco (há muitas opções saborosas de alfarroba, quinoa, sementes, cereais....enfim)

- Farinha de trigo 

- Sopa miso instantânea (tenho uma verdadeira adoração pela miso da Blue Dragon mas ia cainda para ao lado quando vi a quantidade de açúcares que aquilo tinha... ainda vou acabar o pacote, mas depois...finito)

- Gelatina (confesso que me custa porque é muito rápida e há muitas opções de sabores "light" mas a verdade é que aquilo é uma incógnita em pó e portanto está fora de combate)

- Bolachas industriais com açúcares (tenho de ter sempre bolachas de backup para os lanches da manhã e da tarde porque nem sempre tenho tempo para preparar snacks mais saudáveis por isso opto por ler os rótulos todos e escolher as que não têm açúcares adicionados, que tenham mais fibra e sejam confeccionadas com óleos saudáveis)

- Lactose (Fechei portas ao leite de vaca há mais de dez anos, até porque nunca gostei do sabor, e agora estou fã do leite de coco e amêndoa da Alpro. Sei que tem mais açúcares do que gostaria, mas ainda não o consegui substituir; De qualquer forma não uso todos os dias e é mais para dias com muita pressa e pouco tempo. Ainda não me aventurei a fazer estes leites sozinha...acho mesmo que vai dar m*"#$); Os iogurtes também estão com limitações: ando a preferir os skyr, grego light do lydl e os bio da alpro sem lactose; Ainda não aboli os corpos danone líquidos, mas como estou quase a enjoar todos os sabores estamos perto!

 

Nos próximos tempos vou partilhando as mudanças, as descobertas, as asneiras culinárias, o que for fazendo nesta fase "cut the crap" por aqui... assim fico com motivação extra! Portanto quem tiver ideias, receitas, conselhos, informações, etc..está convidado a partilhar!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um caminho mais saudável

por Catarina, em 23.06.17
Há umas semanas atrás, quando o calor começou a apertar que comecei a queixar-me de cansaço, sono, moleza, preguiça, fosse qual fosse o nome a questão é que me sentia de rastos! Levantar-me de manhã estava a custar bastante e sentia-me “mole”; Atribuí isso ao calor, falei com algumas pessoas que se queixavam do mesmo, e achei que era normal da época; Só depois comecei a pensar melhor no assunto e me lembrei de um pequeno problema que trago sempre comigo e que volta e meia deixo esquecido: talassemia. 
 
Este palavrão pouco conhecido traduz uma doença genética hereditária que faz a produção de glóbulos vermelhos ser insuficiente ou deficiente, não oxigenando devidamente.
No meu caso, é uma talassemia minor que gera uma leve anemia à qual se junta uma deficiência de ferro que não é no entanto constante. Esta talassemia é também conhecida por anemia mediterrânea e é muito comum em algumas zonas do país, principalmente na zona do Alentejo, onde a ocupação árabe permaneceu por mais tempo. No meu caso tendo um avô paterno do Alvito não deixou dúvidas da origem da doença que chegou até mim de forma muito suave. 
Tenho poucos sintomas dos muitos que se podem manifestar; Falta de resistência ao exercício físico: sempre fui muito “fraca” a exercícios de resistência como corridas prolongadas e mais de 3 minutos para mim começava a ser complicado, sendo que ao fim de 5 tinha mesmo de parar porque ficava com dificuldade em respirar e falta de ar; Hoje em dia faço exercício de forma moderada e aprendi que tipo de treinos são mais adequados; Caminhadas, passeios de bicicleta, estes sim podem ser de uma ou duas horas, e treino funcional para melhorar a postura e flexibilidade, e transformar alguma gordura em massa muscular.
 
A par disto noto muitas vezes os olhos pouco irrigados, mas nunca tive palidez, e tenho normalmente uma tensão arterial baixa e umas análises ao sangue assim para o fraquinho. Cheguei a tomar suplementos de ferro mas acho que odeio todos e têm o grande defeito de alterar o funcionamento regular do intestino.
 
Com a chegada do Verão e o ter-me recordado mais uma vez que é preciso perder os quilos que ganhei no inverno comecei a criar compromissos: fazer mais exercício, beber mais água, controlar melhor a alimentação, para além de fazer o check up anual que andava a protelar e agora já está em andamento! Mas voltando à alimentação, mais do que controlar, eu queria mesmo era melhorar a qualidade o mais possível; Hoje em dia é muito fácil ter acesso a informações sobre várias dietas, e sobre os alimentos em si, e não é preciso andar muito para saber que estamos rodeados de porcarias comestíveis.
Não estou a seguir nenhum regime em particular, mas estou a fazer mudanças que acho necessárias e que me ajudam a combater a pasmaceira que se apoderou de mim e a moderar a anemia e a falta de ferro. Tradicionalmente para este caso era recomendável comer fígado, mioleiras e beterraba, mas tirando o fígado, de vez em quando, o resto dá-me arrepios; Um dia destes ao pedir um sumo natural enganei-me e não reparei que um dos ingredientes era beterraba….foi um arrependimento do princípio ao fim e bebi-o com o mesmo prazer com que tomo xaropes.
Por agora estou a abolir o mais possível alimentos processados, carne vermelha e reduzir o consumo de carnes no geral, bebidas açucaradas, açúcar que não seja o que vem na fruta e por aí fora. Dá muito mais trabalho pensar e fazer refeições, mas com a prática tudo se consegue. A sensação depois de comer uma refeição mesmo boa é bem diferente, mas tenho mais preocupações com a confecção e o tempero para ser saboroso. Se é mais rápido atirar um bife para a grelha e umas batatas fritas vindas do pacote? É pois! Mas o corpo também se ressente disso em todos os sentidos, e por isso é uma questão sobre onde queremos investir: no mercado e em tempo ou no médico?
 
 
Termino com esta nota: a deficiência de ferro é a deficiência nutricional mais comum em todo o mundo e a anemia afecta um quinto da população portuguesa, por isso é importante estar informado, fazer os rastreios e saber como dar a volta ao assunto. Podem saber mais sobre estes temas nos sites DeficienciadeFerro.pt e no Anemia Working Group Portugal.

 

 

Ilustração de Robert-Sae-Heng aqui

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D