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E se fosse hoje?

por Catarina, em 12.12.18

Muitas vezes me pergunto que caminho escolheria se hoje voltasse à escola, mais precisamente ao 9º ano onde escolhemos as áreas para o secundário. Claro que se calhar faria o mesmo percurso, mas hoje em dia sinto que o caminho poderia facilmente ter sido outro.

Desde o 8º ano que não tive dúvidas de que o meu caminho eram as Artes Visuais;  Tive medos em relação à matemática, mas ultrapassei esse obstáculo com muito trabalho e força de vontade, não era isso que me ia parar. Sempre tinha ouvido dizer em casa que era importante fazer algo de que se gostasse, afinal, o futuro seriam pelo menos oito horas diárias de uma actividade essencial, o trabalho, portanto mais valia ser algo que desse prazer.

Não me arrependo de nada no meu percurso, sei que fiz as escolhas certas, e os tropeções que dei foram igualmente importantes para crescer e aprender outras valências.

Mas no dia a dia, dou por mim com muitos outros interesses, muita curiosidade sobre outras coisas, muita vontade de fazer outras coisas. É um amor-ódio, sem ódio vá! Adoro o que faço, tenho uma profissão estável, com muita procura no mercado; Consegui que o trabalho fosse não só uma necessidade e uma obrigação, mas um desafio constante, uma quase brincadeira diária, sem brincadeiras claro! Só que depois há tudo o resto dentro de mim que sinto que poderia ter feito.

 

Gosto de gestão, de economia, acho interessante perceber a sociedade e o seu funcionamento; sou extremamente organizada, faço mil e um planeamentos para tudo, por isso a ideia de gerir projectos atrai-me. Quando olho para trás penso que gostava de ter aprofundado mais alguns destes temas, e talvez não ter despachado as aulas de economia como se fossem filosofia... No dia a dia ninguém acredita que uma cabeça de artista como esta possa encontrar um certo descanso e uma certa paz a fazer folhas de excel para organizar o trabalho, as contas da casa, sei lá!

 

Ao mesmo tempo sou a chamada "cidadã interventiva" uma designação que inventei com um colega, quando num projecto na área da justiça disse que já tinha consultado jurisprudência. Isto porque discutíamos sobre quem é que na face da terra, fora os juízes, advogados e demais trabalhadores destas áreas é que consultam algum dia jurisprudência. E ainda assim lá estava eu na linha da frente... Sim, já li algumas, não por desporto claro, mas porque sou curiosa acerca das coisas, gosto de perceber como funcionam os mecanismos, e a lei é um dos que me atrai. Quando tenho dúvidas em algum tema em particular ou algum problema não tenho dificuldade nenhuma em chegar ao diário da república e ir vasculhar a lei, o código civil, o do trabalho, os decretos-lei, o que for preciso. O que me assusta às vezes é que não tenho só facilidade nem jeito, tenho gosto, e isso dá-me medo! É a "caçada" a "busca" que me atrai, a procura incessante por uma resposta ou uma forma de agir perante algo que não está bem.  Acabo por sentir que havia aqui um bichinho dentro de mim, reivindicativo, que podia ter evoluído para algo como direito, mas que não teve como! 

 

Outra curiosidade que tive desde pequena sempre foi a saúde; não havia cão nem gato que se magoasse perto de mim a quem eu não me prontificasse logo a fazer um curativo! Não me fazia impressão nada, era quase sádica de tão meticulosa que me tornava. Acho que não é por acaso que ainda hoje ando com um kit de primeiros socorros no carro, com luvas numa bolsa na mala e ainda deveria acrescentar uma máscara que não cheguei a comprar mas que devia lá estar. Há um ano e tal, quase dois, fiz a formação de Suporte Básico de Vida com DAE (Desfibrilhador Automático Externo) e acabei por aprender muito muito mais do que pensava inicialmente. De lá para cá já fiz mais duas formações de continuidade e ainda assim não perdi a vontade de fazer o curso europeu de primeiros socorros, tudo com a Cruz Vermelha. Cada formação são umas horas bem passadas de aprendizagem com pessoas que já viram, literalmente, de tudo! Mais do que isto sou uma curiosa de forma geral pela saúde, pelos sintomas, pelas medicações; Acho que sei tudo o que a minha mãe e os meus avós tomam, mas não sou hipocondríaca, é só uma necessidade de "saber", conhecer, acho que o saber é o contrário da ignorância, e enquanto o primeiro me dá segurança, o segundo assusta-me de morte. 

 

A cereja no topo deste bolo é a escrita. Sempre gostei de ler e de escrever. Escrevi diários durante anos, mas também escrevi poesia, e prosa. Umas coisas mais manhosas que outras, outras mais inocentes e outras de quem não sabe ainda nada da coisa. Mas gostar de escrever era e é uma constante. O blog serve-me um pouco de escape, mas escrever mais do que sobre o dia a dia, como fiz aqui e aqui, isso sim, dá-me um gozo especial. E mais uma vez penso que havia um caminho a percorrer aqui, um caminho que teria passado por letras, línguas e literatura, e por uma vida muito diferente.

 

No final destas reflexões fico sempre com a sensação que a vida é um conjunto de caminhos traçados, dos quais só podemos escolher percorrer um; Mal comparada é uma raspadinha, um jogo de sorte, havia muitas combinações, mas saiu só uma! E pergunto-me, e se fosse hoje, que caminho escolheria?

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