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Há limites, mas não para tudo

por Catarina, em 05.05.17

Se há coisa que eu não consigo compreender são as condescendências para com determinadas classes profissionais, nomeadamente a dos médicos. Não entendo coisas como "ah isto não se lê, é letra de médico", porque já que passam tantos anos a estudar subentendo que tenham aquelas aulas de caligrafia em cadernos de duas linhas na primária, como todos os outros, e portanto não entendo porque a maioria acha que escrever é o mesmo que desenhar hieróglifos ou fazer linhas rectas.

Pior que isto não entendo os atrasos "normais" para consultas que estão marcadas há meses! Profissionalmente não me passa pela cabeça fazer ninguém esperar por mim mais do que uns essenciais cinco minutos, que possa necessitar para terminar algo urgente; Mas, de preferência não chego a horas, chego antes, e aplico essa máxima a tudo na minha vida: não fazer esperar. Custa-me muito que o contrário não me aconteça e tenha de levar com os atrasos nas consultas como se fosse a coisa mais normal do mundo. Hoje esperei duas horas por uma consulta da qual acabei por desistir ao fim desse tempo porque já estava fora do escritório há duas horas e meia, e só para regressar e almoçar iria usar mais uns trinta minutos, na melhor das hipóteses. Durante esse tempo fui duas vezes perguntar pela situação às funcionárias, porque por iniciativa própria ninguém se me dirigiu a explicar o óbvio, a médica estava atrasada com as consultas. Eu sei perfeitamente, e com conhecimento de causa, que os hospitais privados não fazem milagres, têm defeitos como tantos outros, apesar do serviço "premium" que insistem em fingir que têm. Ainda assim tendo seguro e essa possibilidade não os troco por nada, mas estas situações chateiam-me até à medula porque acho que é o cúmulo da falta de respeito pelos "doentes/clientes" e acabei por vir embora, furibunda comigo própria, com o tempo perdido, o trabalho atrasado, o estômago encostado às costelas e um humor desgraçado!

Posto isto marquei consulta para outra médica, noutro hospital, e resta-me esperar que não se repita a façanha nos próximos tempos.  Ainda por cima que a sala de espera estava também um inferno porque as pessoas agora refugiam-se nos telemóveis e, se a maioria o faz no silêncio, também há quem queira presentear toda a sala com um funk; Podia ficar por aqui? Podia, mas a garganta está a doer-me do ar condicionado que levei no lombo por duas horas, de modo que escrevi mais uma frase, só para acalmar.

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