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Joana sim, Joana sim

por Catarina, em 22.06.18

Comecei a sentir-me tentada pelas Artes algures no meu 8º ano.

 

Até então achava que as artes eram para desenhar nos tempos livres. Mas a verdade é que eu sempre tinha sido muito "artista" e desde cedo comecei a fazer coisas com as mãos, fossem colares de contas, peças em fimo, brincos, vestidos e acessórios para as barbies, até aprender crochet com a minha mãe por exemplo.

Mas achava que "as artes" eram a pintura, a escultura, e por aí fora, coisas em que eu não era assim grande espingarda! Na verdade estas são as belas artes, mas as outras também o podem ser!

 

Andava eu a procurar o meu percurso quando a Joana Vasconcelos começou a ser conhecida. Lembro-me já na faculdade de fazer um trabalho sobre as obras dela, e descobrir que se pode fazer "arte" com tudo, desde talheres de plástico, a tampões ou espanadores. Conheço razoavelmente o seu trabalho, e não gosto de tudo, como não gostei mesmo nada do galo de Barcelos nem do cacilheiro, mas adiante! Nessa altura ela foi uma inspiração, era mulher, não tinha uma imagem "tradicional" e conseguia ser até bastante excêntrica, e tinha um sucesso do caraças! As obras dela correram o mundo, e há um ano atrás dei por mim a passear nas ruas de Milão e a encontrar um dos corações de Viana com talheres de plástico pendurado na Sociedade de Belas Artes! Da mesma forma que outro dia em Nisa encontrei a Valquíria em exposição permanente, e nem me lembrava. Se há elemento particular no trabalho da Joana Vasconcelos acho que são os materiais que usa, alguns impensáveis para muitos, e a utilização que faz de técnicas tradicionais como as rendas, o crochet e outras que eu nem sei dizer.

 

Há uns anos atrás num passeio de fim de semana pelo Alentejo, por ocasião das festas de Campo Maior, fomos até Elvas, e ao descer a rua de Alcamim, descobrimos outra Joana, menos conhecida para nós, menos badalada pela comunicação, igualmente talentosa, ou talvez até mais, tendo em conta que tudo o que faz sai mesmo das suas mãos, ponto por ponto. Joana Leal é a artista artesã, que aprendeu a arte a partir das pessoas, e que hoje ensina a sua arte na sua "casa". Nesse dia tivemos a felicidade de não só passar mas parar para ver, de não só ouvir mas de escutar as histórias que nos contou, as explicações que nos deu sobre os seus trabalhos e a sua arte. Consigo encontrar muitas semelhanças entre uma Joana e outra e vejo um paralelismo engraçado de duas mulheres, artistas, que pegam nas coisas mais simples, na nossa identidade e as transformam.

 

Se algum dia passarem por Elvas não falhem esta visita, até lá, vejam mais aqui!

 

 

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