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Nós por aí #6 - Florença (IV)

por Catarina, em 28.08.17

Dia #5

 

No dia do regresso sabíamos à partida que não se iria aproveitar muito...ou em realidade nada mesmo.

Depois da viagem de camionete de Bolonha, com um calor dos ananases, os bancos quentes e a estrada por túneis escolhemos o comboio para o regresso.Tínhamos  tempo de sobra mas a estação não tinha espaço físico para estarmos três horas à espera do comboio mais lento pelo que optámos pelo rápido que nos deixou em Bologna Centrale em menos de 40 minutos!

Ao chegarmos fomos percorrendo corredores uns atrás dos outros ate chegar à superfície; a ideia seria dar uma volta por ali e apanhar o aerobus para ainda ver alguma coisa de Bolonha. Enquanto estávamos numa fila para levantar dinheiro comecei a aperceber-me da fauna de gatunagem que envolvia a estação claramente em bando organizado. Sentimos que já estávamos na mira pelo que abortámos os planos todos. Com os "radares" todos ligados fomos direitas aos táxis e desistimos do aerobus.

Com isto tudo chegámos ao aeroporto só cinco horas antes do voo sem sequer poder fazer check in antecipado porque o aeroporto em Bolonha é muito pequeno, não há balcão da Tap,e ainda por cima a nossa bagagem mesmo sendo de cabine teria de ir para o porão porque com as compras todas trazíamos mais bagagem de mão do que seria permitido embarcar.

 

20170803_140643.jpg

 

 

O aeroporto é muito pequeno, divide-se em dois pisos e tem poucas lojas e poucos restaurantes. Os bancos da zona exterior são horríveis, nada confortáveis e entre aquilo e o chão ainda estive para considerar a segunda hipótese. A vantagem era que estávamos num ambiente fresco e com muito menos probabilidade de assaltos! Ainda consegui comprar a revista Domus, que seguia online há anos e que cá custa o dobro do preço, com edição especial ainda por cima; só por isso valeu-me a mega seca de espera.
Assim que abriu o balcão de check-in fizemos logo fila e fomos das primeiras; a hospedeira foi super simpática e ofereceu-nos os lugares da asa, que têm mais espaço para as pernas e tornam a viagem mais confortável.
Voltámos ao piso de cima para o controlo de segurança, desta vez mais rápido porque não tínhamos líquidos nem muita tralha. A zona de embarque ao contrário do que esperava era tão mínima quanto o resto do aeroporto e uma sala de espera média dava para tudo. Vagueámos na free-shop para os abastecimentos do costume de perfumes e cosmética em promoção!
 
Pelo menos o embarque não atrasou e correu quase tudo sobre rodas até ao momento em que o autocarro chega à pista e pára em frente ao avião de portas fechadas... se calhar esqueci-me de referir que estavam uns 40º à sombra e os autocarros do aeroporto circulam só de janelas abertas sem ar-condicionado. Acabou por ser um embarque super atabalhoado, sem ordem nenhuma de entrada na frente ou à retaguarda e para variar saímos atrasados.... A viagem foi mais calma do que na ida e deu-me para ler e dormir. Claro que ainda apanhámos uma pequena seca na espera pelas bagagens mas muito muito contentes por estar quase em casa!
 
 
Rescaldo Final
 
Quando pensava no que escrever aqui, ainda durante a viagem, sabia que teria de parar para fazer um balanço mais geral.
 
 
Se gostei? Claro, adorei! Tanto Milão no inicio do ano, como agora Florença e Siena.
 
Correspondeu às expectativas? Em parte; Esperava que Florença fosse uma cidade mais limpa e arrumada ao invés do cheiro a esgoto recorrente. Está claramente à beira da ruptura no que toca ao turismo e acho que a cidade não aguenta; Muitas vezes nas ruas tinha pena dos moradores (que chegavam a ter turistas sentados a descansar no degrau das suas portas) e pensava como Lisboa também caminha para este caos. Acabei por gostar muito mais de Siena que achei mais autêntica e melhor preservada.
 
E os italianos?
Se estava à espera de ver homens bonitos? Estava... Se vi? Nem por isso... Mas não era disso que ia falar!
No geral achei os italianos mais acessíveis e simpáticos do que a minha experiência com os espanhóis; Tentam comunicar connosco a todo o custo e ajudam o mais possível. Falam um inglês razoável mas tentam falar com os poucos portugueses que lá vêm em castelhano!
Defeitos? São extremamente desorganizados, qualquer atracção com mais gente gera filas intermináveis e logísticas de tremer de medo. Também não são excepcionais a cumprir horários e sentia que tudo era sempre uma grande bagunça. Até mesmo no aeroporto onde esperamos normas internacionais era cada um por si e todos ao molho, com ou sem fé em Deus!
 
E a comida?
Aqui a porca torceu o rabo! Já em Milão tinha ficado desiludida com o Gnochi e até mesmo com as pizzas; Aqui não melhorou muito. Comi um Risotto fantástico com espargos e um queijo amanteigado que nunca tinha ouvido falar, num restaurante tipo Cantina tradicional; Em Siena comi os Raviolli muito bons, cujo recheio já não recordo mas que tinham cogumelos. Tirando isto a pastelaria fina que provei era boa mas não me aventurei em mais nada de especial e não vi nada que me encantasse muito. Os gelados eram muito bons mas francamente cá temos igual, ainda que lá os tenha achado relativamente baratos porque são mesmo muito bem servidos e podemos escolher dois sabores com o tamanho de "1 bola" só.
 
 
Preços?
Os monumentos e principais atracções são caros, e em Florença não encontrei horários nem dias com preço reduzido ou gratuito como em Milão. Gasta-se muito para ver qualquer coisa.
 
Os restaurantes enganam um pouco porque as doses são relativamente acessíveis mas depois nas zonas mais turísticas como Florença, Siena e o Lago Como em Milão cobram uma taxa chamada "Copperto" que é uma espécie de gorjeta obrigatória e serve de compensação ao restaurante pelo tempo em que ocupamos a mesa e pela pessoa que nos serve. Acho um roubo mas enfim; Os valores mais baixos são de 2€ por pessoa mas vi preços até ao 5€ por isso ao ver as ementas temos de nos lembrar de somar este valor!
 
O alojamento tem taxas turísticas municipais altíssimas e é preciso contabilizar o valor de acordo com o nº de estrelas do alojamento e paga-se por pessoa por noite. Nunca está incluído nos preços dos hotéis quando se fazem as reservas portanto é mais um a somar.
 
Os transportes só experimentei a camionete que achei cara, 20€ por pessoa para a viagem só de ida e as condições que oferecia. O comboio para Siena achei bastante acessível, cerca de 18€ por pessoa ida e volta, assim como o táxi. O comboio para Bolonha foi caro, 40€ por pessoa para uma só viagem, mas era um comboio moderníssimo e rapidíssimo! Os animais podem circular pela trela nas carruagens da última classe, como a nossa no comboio para Bolonha, e isso confesso que me faz alguma impressão mas pelo menos não ia nenhum perto de nós ou acho que dependendo do bicho teria saltado do comboio. Já em Milão reparei que os italianos têm outra cultura com os animais e é comum ver alguns em lojas com os donos. 
 
 
Vale a pena ir às compras?
Vale sim e tirem tempo para isso quando fizerem o roteiro!
 
Florença é conhecida pelo negócio das peles e cortumes e também pelo papel marmoreado artesanal. Comprei um pouco de tudo e trouxe muita coisa para oferecer. As peças em couro como carteiras, estojos etc. são lindas e muito mais baratas em Florença do que encontrei em Milão por exemplo. Convém escolher lojas menos centrais para encontrar preços mais baixos que foi o nosso caso já que tínhamos uma loja mesmo em frente ao hotel e comparámos com os preços das outras na zona do Duomo que ficava apenas a cinco minutos e eram bem mais caras. 
 
Um bom local para comprar é o Mercatto Centrale, uma zona de barraquinhas ao ar livre onde se vende tudo isto e mais um par de botas mas é preciso ir com paciência e regatear alguns preços. Quando nos perguntam a nacionalidade ou de onde viemos não é apenas para serem simpáticos ou para falarem a nossa língua, mas sim para saberem que preço nos vão dar isto porque o mesmo artigo para americanos por exemplo pode custar 80€ enquanto a espanhóis e portugueses vendem por 40€ (dependendo da vossa capacidade para regatear depois disso claro!).
 
Os artigos em papel marmoreado vão desde os cadernos, álbuns, calendários, marcadores, cartões, lápis e canetas e são lindíssimos mas um pouco caros se bem que acho que vale sempre a pena trazer nem que seja algo mais pequeno. São completamente artesanais e alguns são peças únicas pois o papel é feito em quantidades limitadas por padrão.
 
Por fim as lojas de roupas e acessórios: evitámos as mais conhecidas e o grupo inditex, e fomos às que não conhecíamos. Tivemos sorte por ser época de saldos e fizemos tantas compras quanto as malar permitiam guardar!!
 
Há quem traga também produtos gastronómicos regionais como o Chianti, o Lemoncello ou as massas nas mais variadas cores e formas mas essa parte não me diz muito portanto passei ao lado! No fundo achei que não valia muito a pena porque os preços não eram muito baratos embora houvesse sim uma grande diversidade de marcas.
 
Itália é segura?
Não posso falar pela Itália toda mas em comparação achei Milão muito mais vigiada do que Florença. Quando lá fui via muitos militares armados em zonas de maior concentração de pessoas como as estações, e eram eles que faziam o controlo de segurança no acesso ao Duomo. Em Florença vi pouca polícia quase nenhum militar armado e em Siena não vi mesmo ninguém. Em Bologna Centrale não só não vi ninguém como identifiquei logo um gang bem posicionado e achei que estivemos na iminência de viver ou testemunhar uma tentativa de roubo. Mas como isso foi no último dia e logo no primeiro, à chegada a Florença, na nossa primeira volta, agarrei uma moça com a mão e o braço todo dentro da mochila da minha mãe, já ia preparada para tudo!!! Achei que eram zonas muito turísticas e pouco vigiadas por isso todo o cuidado é pouco ou não estivéssemos na terra da Máfia!
 
 
 
 
 
 

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