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Não sei sé é bem saudade, esta palavra que descreve um sentimento tão português, aquilo que sinto. Mas não encontro outra para o descrever.

Tenho saudades de tempos que já passaram, e que na ânsia de os ultrapassar acho que não aproveitei por completo. Aproveitei muito, mas talvez não os tenha vivido como devia.

 

O tempo de faculdade por exemplo, apesar de não ter nenhumas saudades do meu tempo de licenciatura, tenho saudade do tempo que tinha nessa época e que não reconhecia. Na altura achava que não tinha tempo para nada, mas tinha, e hoje é que consigo ver bem isso. Mas eu tinha níveis de ambição e objectivos lá em cima, queria era despachar aquilo para ir para o mestrado e começar a estagiar. Tinha pressa, tinha sempre pressa! Mas era nesse tempo que eu tinha tempo para visitar museus, para ver as exposições novas, manter-me a par das agendas culturais, e não descobrir eventos em que iria adorar participar depois de já terem acontecido, ou na véspera, ou no dia! Ou pior, muito pior, ter como certo, marcado e firmado que ia comparecer num dado evento que me interessava até ao tutano, e no dia perceber que o trabalho estava demasiado enrolado e não ter forças para lhe virar as costas. Noutros tempos, não tinha certas responsabilidades, que nos roubam o tempo desta forma.

 

Era nesses tempos que conhecia esplanadas, cafés, que estudava e trabalhava nas bibliotecas, que vivia a cidade e respirava outras coisas. Agora dou por mim e "pressa" é o meu nome do meio. Tento convencer-me que estou a trabalhar agora para poder melhorar algo amanhã, que estou a aprimorar-me para poder negociar alguma flexibilidade para esta vida, mas não tenho garantias, nem minhas, de que isso vá acontecer! 

 

Talvez por este misto de sentimentos dê por mim com muita, mas muita frequência a procurar cursos e formações e workshops e coisas.... desculpas para recuperar um bocadinho daquele tempo? Mesmo sabendo que quando me meto numa aventura destas vou comer stress do pequeno almoço ao jantar, não me passa a vontade. 

 

Serão saudades? Será uma espécie de ansiedade pela passagem do tempo? Ou consequência dos tempos mais stressantes? A verdade é que ultimamente levo a vida a "parar" para pensar onde estou, onde quero ir, o que quero fazer, o que acho que pode ser o futuro. Sempre quis uma coisa certa e garantida, e tenho-o. Consegui a minha estabilidade aos 26 anos, sei que podia avançar para outros passos na vida e só não o faço porque ainda não quero nem sinto essa necessidade. Posso estar sossegada da vida e continuar nesta empresa por muitos e longos anos. Mas cada vez mais vou pensando se é realmente isso que quero... Ou se prefiro começar a pensar num plano B, num plano que me dê mais tempo a médio ou longo prazo, que me dê uma vida menos agitada e me faça sentir menos uma bola de ping-pong a saltitar entre clientes. Suponho que este processo também seja crescer, e eu sempre fui muito precoce nesta parte, portanto às tantas isto é só uma crise de meia idade antes dos 30!

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