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Cartas que não se escrevem III

por Catarina, em 14.06.18

Ando a dizer-te adeus.

 

Acho eu.

 

Por cada noite que adormeço a chorar sinto que mais um bocadinho de ti me deixou.

 

À minha volta ninguém acredita quando digo que desta vez acho muito difícil darmos a volta por cima. Mas o que sinto mesmo é que os problemas se sobrepuseram a nós.

 

Ontem falámos durante 1 minuto e longos 33 segundos. Não falávamos há uma semana.

Fui só eu que tive a sensação que já não éramos nós?

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O arranque

por Catarina, em 05.01.18

Se a passagem de ano foi mázinha, o início do ano não foi melhor. 

Se dizem que os primeiros doze dias nos dizem como vão ser os doze meses, então, ao quinto dia já estou com vontade de desaparecer do mapa.

 

Tudo o que não corre como previsto me chateia, tudo me mói; A minha mania da organização e do planeamento grita por ordem mas eu não consigo controlar o caos. Neste momento deixei-me de grandes ideias, já me contento em não "deixar cair" nada.

 

Abri a minha agenda nova no dia 2, em plenas urgências do hospital, enquanto respondia a emails no telemóvel que consegui carregar numa ficha quase no rodapé do corredor!

Escrevi mal e porcamente uma lista no telemóvel; Deveriam ser os objectivos, mas honestamente não sei bem o que lá está; Não tive tempo para reflectir, e quanto mais o ano avança menos me faz sentido; sinto que ficam fora de prazo.

 

Amanhã tenho exame do curso. A única vantagem dos dias que passei por casa, ainda que obrigada, foi que aproveitei para estudar, mais do que imaginava que iria conseguir. Não vou segura para o exame, pois não, mas também não vou com a sensação de estar agarrada a uma porta no meio do oceano à deriva.

 

Tenho tantos projectos em curso, tenho tantas ideias, tenho tanto trabalho, e sinto que me falta força para fazer o que quero e preciso. Gostava de hibernar por uns dias....ficar em casa, ler compulsivamente, cozinhar, fazer crochet, escrever, desenhar. Coisas que no final do dia ficam sempre para o dia seguinte. Mas o certo, é que nunca me senti tão anímica num arranque de ano, tão de rastos, tão sem força. E já vos disse que vou fazer mudanças este mês?! Ah pois... mais essa. Finalmente vamos deixar o capítulo ovo, e dizer olá ao capítulo T2. O que me vale é que sei que consigo embalar a casa em poucos dias, e tenho lá bracinhos para ajudar e alombar com os pesos, que não os meus. Ainda assim, devia estar eufórica, e estou só levemente tchanan. 

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O que nasce torto....

por Catarina, em 01.01.18

Diz o ditado, que tarde ou nunca se endireita. Pela minha parte, 2018 nasceu coxo e torto e espero bem que os restantes 364 dias sejam melhores que o primeiro. Ainda não abri a minha agenda nova, ainda não escrevi a lista. Ainda não pensei em nada, limitei-me a ver o fogo de artifício à meia noite, ver o telemóvel mudar a data e continuar como se nada fosse. Não tive nem tenho vontade de nada; há muito tempo que não sentia este vazio, esta sensação de solidão insuportável, que me leva a cavar o buraco ainda mais fundo. Tudo o que queria agora era uma passagem secreta para onde não pudesse ser seguida, uma porta, uma fuga.... de tudo e principalmente de mim. Neste momento não quero desejos, não quero ilusões nem desafios. Quero esquecer. Quero fazer replay e apagar os últimos dias. Quero que 2018 volte para de onde veio e que fique lá, porque eu estou a braços comigo e não sei o que me fazer.

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Altos e baixos

por Catarina, em 26.12.17

Ponto alto do dia: a chegada do meu novo livro... Mais um daqueles que me saltou à vista numa ida à Amazon e que não resisti a comprar. A bem dizer da verdade não tentei resistir!

"London: The information Capital, 100 maps and graphics that will change how you view the city"

20171226_155219.jpg

 

 

Ponto baixo do dia: pessoas que sabem animar os outros...

Ao telefone

"Ah já estás melhor!" 

"Estou?", respondi com uma voz de bagaço vinda de uma pessoa constipada até à alma, rouca e nasalada ao mesmo tempo;

"Sim, sim, hoje de manhã quando me atendeste até parecias um homem"

"Ah bom..."

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O meu cérebro hiperactivo

por Catarina, em 05.11.17

Depois de vários anos a questionar-me sobre coisas que fazia, e planos que tinha, cheguei à conclusão que sofro de cérebro hiperactivo; Demorei um pouco para me “auto-diagnosticar” mas cheguei lá…no fundo o meu problema é pensar muito!

 

E pensar em quê?

 

Basicamente em tudo.

 

Tenho necessidade de controlar tudo ao detalhe, de planear, de organizar, de calendarizar, de listar, enfim.

 

Nos últimos tempos o meu maior esforço é relaxar o pensamento, deixar ir “andando” algumas coisas, preocupar-me menos com o caminho e mais com o resultado. Não me tenho saído mal.

 

Mas depois há aqueles dias em que no entusiasmo começo este ou outro projecto, sabendo que o meu tempo já é sempre à conta para tudo e não sei bem como vou fazer tudo bem, a tempo e horas!

 

Se ao menos o meu cérebro parasse de ter ideias isto era tudo muito mais fácil, talvez só não tivesse a mesma graça!

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Sonho de uma tarde de Outono

por Catarina, em 04.11.17

Finalmente parece que chegou o Outono!

Mas não é sobre isso que vou falar...é sobre a minha cada vez maior necessidade de ter um escritório; 

As mudanças ainda não aconteceram...nem têm data para tal. E eu, que cada vez arranjo mais e mais livros (e cada vez mais bonitos diga-se) vejo-me a braços com eles todos sem ter onde os pôr. Quando dou por mim há uma pilha em cada superfície lisa da casa... pelo menos ainda não chegou ao chão. Simplesmente a mesa da sala já é quase preciso pedir licença para pôr a toalha e almoçar já que a mesma acumula funções de secretária no ovo.

De forma que, como sonhar não custa, queria só mesmo um espacinho assim:

Por mais que goste das estantes com peças decorativas e um visual mais leve, a quantidade de livros que tenho está mais para biblioteca do que outra coisa, portanto sei que uma estante para mim não tem "espaço" para decor...é mesmo enfiar lá os livros todos e respirar de alívio.

Por agora fica o sonho...

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Dos últimos dias

por Catarina, em 31.10.17

Fim-de-semana com direito a constipação;

Pipocas queimadas na panela;

Segunda-feira das 7:30 às 22, 'a dar o litro'; (Não sei como não me deu o sono nas aulas!)

Reuniões de seis horas;

Idas ao McDrive para trazer uma embalagem de sopa...SÓ uma embalagem de sopa;

 

Bom, bom? Feriado amanhã! (devia haver um todas as quartas feiras!!!)

 

 

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Cartas que não se escrevem II

por Catarina, em 12.09.17
Dizem que falar é fácil, para mim não é. Para mim escrever é que é fácil, falar não. Falar é angustiante, quando tenho algo a dizer, e quando não tenho. Ou quando tenho e não quero dizer.
Para quem gosta de escrever as palavras metem-me medo, as que digo, e principalmente as que não digo.
 
As dúvidas assaltam-me e a incerteza é um problema que não se fecha na gaveta; Vive aqui, está presente, vai ficando de mansinho, instala-se, engole as dúvidas e cresce como uma bola de neve. 
 
O estômago contrai, dói, a angústia pesa no peito como um elefante. De novo a voz embarga, os olhos humedecem, as lágrimas escorrem; Respirar torna-se difícil; é preciso pensar…inspira, expira…mais uma vez, e outra, e outra, e outra… As forças deixam-me, sinto-me tremer dos pés à cabeça.
 
Coragem, é o que me falta; Coragem para procurar o que sinto, para ter certezas, porque ter incertezas é mais fácil; A incerteza não pede uma acção, a certeza pede. Pelo menos a mim. Sinto-me numa panela de pressão…sabendo que fui eu que entrei e coloquei a tampa. 
 
Culpa, instabilidade, os meus nomes do meio. Culpa de quê? Das minhas incertezas, das minhas dúvidas, das minhas certezas, de não ter coragem para tomar atitudes que acho certas, de achar certas essas atitudes, de acreditar facilmente na derrota, de esperar pelo fim de algo que não se espera.
 
Há uns anos atrás tinha um pensamento que me assaltava muitas vezes; uma sensação estranha, desagradável, que em algum momento inesperado iria desaparecer; e numa qualquer reviravolta mais ou menos estúpida, teria o meu fim anunciado. Por vezes dei por mim a conduzir, e num momento sentia o cérebro a parar, como se tudo à volta estivesse suspenso…pensava “é agora”; ficava imóvel, à espera de algo, um som, algo que me dissesse o que se passava, algo que confirmasse outro algo.
 
Nada acontecia, voltava a mim, pensava que estava parva, fechava isso tudo numa gaveta bem funda e seguia a vida.

 

...

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Cartas que não se escrevem

por Catarina, em 07.09.17

Sou uma pessoa muito emocional, sensível, e como costumo dizer não é difícil chorar por tudo e por nada. Principalmente, por tudo.

 

Por vezes acho mais fácil escrever, em vez de falar nos olhos dos outros; Os olhos dos outros têm efeitos secundários nas minhas mensagens, posso começar a conversa com um objectivo, perder a coragem, e acabar noutro ponto, muito distante do que tinha em mente.

 

Falo de muita coisa de forma abstracta; Principalmente das coisas mais importantes. Acho que se não disser realmente os nomes, as coisas não existem, não se materializam na minha frente, o problema não pede resolução.

Fujo de chamar "os bois pelos nomes" porque não sei como resolver; Por vezes nem sei bem qual é o problema e isso deixa tudo muito pior.

 

Falar não consigo falar; A voz embarga-se, os olhos enchem-se de lágrimas silenciosas, e tudo o que quero é um abraço e a possibilidade de esconder a cara.

Fechar os olhos, dormir, fingir que não aconteceu. Se não pensar não existe, e se não existe não tenho de resolver.

 

Tudo o que não sei me consome, mais do que aquilo que sei. Não sei o caminho, não sei o destino;

Vou andando para a frente com a sensação que não é na realidade a "frente" e sim um ziguezague em fuga da decisão que acho que tenho de tomar. Mas que no fundo não sei se tenho de tomar, não sei se quero, não sei se devo, não sei se posso, não sei como.

 

Ontem adormeci a pensar em pôr por escrito os meus pensamentos, aquilo que acho que quero ou que devo dizer. Adormeci a escrever uma carta que não escrevi.

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